Artista trans transforma arte, moda e audiovisual em ferramenta de ocupação e mudança social
Dominic Tomi, de 28 anos, constrói uma trajetória que cruza audiovisual, artes visuais, moda e educação a partir de sua própria vivência
Do extremo sul da Bahia, o artista Dominic Tomi, de 28 anos, constrói uma trajetória que cruza audiovisual, artes visuais, moda e educação a partir de sua própria vivência. Homem trans, indígena e afrodescendente, ele desenvolve trabalhos que tensionam apagamentos históricos e afirmam novas narrativas de existência. “Eu não separo minha produção dessas identidades, porque elas são justamente o que me constituem enquanto artista e pessoa”, afirma, em entrevista ao Terra.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Para Dom, a arte nasce como um gesto político e coletivo. “O que eu produzo não é só estético, é também um gesto de memória, de pertencimento e de reivindicação”, diz. Essa perspectiva também orienta o “PotransBA”, iniciativa criada por ele para ampliar a visibilidade de pessoas trans e não binárias no sul da Bahia, especialmente fora dos grandes centros. O projeto surge como resposta à falta de acesso, reconhecimento e espaços seguros para criação artística e articulação política.
No audiovisual, o artista dirige obras como “Masculinidades Plásticas”, que questiona padrões de gênero e investiga as experiências de pessoas transmasculinas. Já na moda, criou a marca TransVestígio, pensada para acolher corpos trans e romper com normas tradicionais. “Pensar moda a partir de corpos trans é romper com uma lógica que historicamente nos excluiu ou tentou nos encaixar em padrões que não nos contemplam, pano não tem gênero.”, afirma. Para ele, vestir também é um ato de afirmação e autonomia sobre a própria imagem.
Sua atuação se estende ainda à educação, onde leva debates sobre diversidade, identidade e pertencimento para dentro da sala de aula. Dom defende que a inclusão precisa ser estrutural. “A educação ainda precisa entender que diversidade não é um tema pontual, mas algo que deve atravessar todo o processo educativo”, diz.
Ao ocupar espaços historicamente negados a corpos como o seu, o artista também amplia caminhos para outras pessoas. A participação no programa “Narrativas Negras Não Contadas”, da HBO Max, marca esse movimento. “Estar ali enquanto um transmasculino é uma experiência de expansão, mas também de responsabilidade”, afirma.
Mais do que reconhecimento individual, Dom vê sua trajetória como parte de um processo coletivo. “Meu trabalho caminha no sentido de abrir caminhos, criar possibilidades e afirmar outras formas de existência”, diz. Para ele, a arte é estratégia: uma forma de transformar o imaginário social e garantir que outras pessoas trans também possam ocupar, criar e existir com dignidade.
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.