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Peritos identificam lesões no pescoço de PM morta com tiro na cabeça, diz TV

Investigações apontam contradições no depoimento do tenente-coronel Geraldo Neto, que afirma que a esposa teria se matado

10 mar 2026 - 11h52
(atualizado às 13h59)
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A policial militar Gisele Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento em que vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos
A policial militar Gisele Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento em que vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos
Foto: Reprodução/Fantástico

Exames periciais realizados após a exumação do corpo da policial militar Gisele Santana, encontrada morta em casa com um tiro na cabeça, identificaram lesões no rosto e no pescoço dela. De acordo com o laudo necroscópico, há indícios de que ela tenha desmaiado antes de ser baleada e que não apresentou sinais de defesa. A informação foi divulgada pela TV Globo.

De acordo com o documento, as lesões identificadas no corpo da vítima foram classificadas como “contundentes”. O laudo aponta que elas teriam sido provocadas “por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal” (marcas de unha).

Gisele Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento em que vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. O imóvel fica no Brás, na região central da capital paulista. O oficial estava no local no momento da ocorrência e foi quem acionou o socorro. Até o momento, a defesa dele não se manifestou sobre o resultado do laudo.

Inicialmente, a ocorrência foi registrada como suicídio. No entanto, após a família da policial contestar essa versão, o caso passou a ser tratado como morte suspeita. Diante disso, o corpo foi exumado e submetido a novos exames no sábado, 7, no Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital, incluindo uma tomografia.

Linha do tempo do disparo

Entre os aspectos que despertaram a atenção dos investigadores está o horário em que o disparo teria ocorrido. À polícia, uma vizinha do casal relatou que acordou às 7h28 após ouvir um único estampido forte vindo do apartamento.

O relato indica que o barulho teria ocorrido cerca de 30 minutos antes da primeira ligação feita pelo marido da vítima aos serviços de emergência. No contato com a Polícia Militar, registrado às 7h57, ele afirmou que a esposa havia tirado a própria vida.

“Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”, disse o tenente-coronel na ligação.

Pouco tempo depois, às 8h05, ele entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e informou que a mulher ainda apresentava sinais de respiração. As equipes de resgate chegaram ao apartamento às 8h13.

Como a arma foi encontrada no local

Um ponto que chamou a atenção dos socorristas foi a forma como o disparo ocorreu. Um dos profissionais relatou que a arma estava “bem encaixada” na mão da vítima, em uma posição que nunca havia observado em casos de suicídio. Por considerar a cena incomum, ele decidiu registrá-la por meio de fotografias.

O socorrista também destacou que, ao chegar ao apartamento, o sangue já estava coagulado e não havia cartucho de bala no local.

Contradições sobre o banho

Depoimentos de socorristas que atenderam a ocorrência no inquérito da Polícia Civil levantaram dúvidas sobre a versão apresentada pelo marido da vítima.

O tenente-coronel afirmou que estava tomando banho no momento em que ouviu o disparo, mas os primeiros bombeiros que chegaram relataram que ele estava seco e que não havia marcas de água no chão do apartamento.

Segundo o policial militar, ele teria entrado no banheiro por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que pensou ser de uma porta batendo. Ao sair, disse ter encontrado Gisele caída na sala.

Um sargento do Corpo de Bombeiros, com 15 anos de experiência, relatou que encontrou Geraldo vestindo apenas bermuda, sem camisa e completamente seco.

“O declarante afirma que não havia nenhum tipo de pegada molhada que indicasse que o Tenente-Coronel teria saído imediatamente durante o banho, inclusive ele estava seco”, aponta o inquérito. 

Ele acrescentou que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado, mas não havia poças de água no chão nem no corredor.

A constatação foi confirmada por um tenente da PM cuja equipe chegou primeiro ao local. Segundo ele, nem Geraldo nem Gisele aparentavam estar molhados ou ter tomado banho antes do disparo.

Postura do marido durante o atendimento 

A equipe de resgate também notou aspectos incomuns no comportamento do tenente-coronel após o ocorrido. O sargento do Corpo de Bombeiros afirmou que não percebeu qualquer desespero da parte dele, nem o viu chorando.

Outro bombeiro comentou que estranhou a conduta do marido, que “falava calmamente” ao telefone, questionava constantemente o atendimento dos socorristas e insistia para que a vítima fosse retirada com urgência e levada imediatamente ao hospital.

Além disso, os profissionais observaram que o oficial não apresentava manchas de sangue no corpo ou nas roupas, o que sugeriria que ele não teria tentado prestar os primeiros socorros à esposa.

Contato com desembargador na manhã da ocorrência

Sobre os telefonemas feitos por Geraldo na manhã da morte da esposa, um chamou atenção da família da policial: a ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O magistrado chegou ao prédio às 9h07 e subiu ao apartamento acompanhado do tenente-coronel. O advogado da família, José Miguel da Silva Junior, questiona a presença do desembargador no local.

“Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo.”

Imagens mostram que às 9h18 o desembargador reaparece no corredor do prédio. Às 9h29, após 11 minutos, o tenente-coronel surge novamente, já com outra roupa.

Posicionamento das defesas 

Em posicionamento antes da divulgação do laudo após a exumação, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirmou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o momento. Segundo os advogados, o oficial tem colaborado com as autoridades desde o início e continua à disposição para auxiliar na elucidação dos fatos.

A defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou à emissora que ele foi chamado ao apartamento na condição de amigo do tenente-coronel e que quaisquer esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária.

O caso permanece sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.

Fonte: Portal Terra
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