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Reprogramando Futuros

Por que é importante apoiar a diversidade na contratação de profissionais de programação?

Ter uma equipe com vivências diferentes permite que o produto final possa realmente suprir as necessidades de uma sociedade diversa

20 jan 2023 - 05h00
(atualizado em 26/6/2023 às 15h12)
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O setor de tecnologia precisará de 6,3 milhões de programadores até 2025
O setor de tecnologia precisará de 6,3 milhões de programadores até 2025
Foto: iStock

O mundo está sob nova direção: os códigos. Do pedido de comida aos relacionamentos, tudo passa por essa linguagem. E, caso você ainda não tenha notado, o perfil dos programadores está em mudança. Aquele estereótipo do nerd solitário na cadeira gamer, comendo junk food na frente do computador cai por terra para dar lugar a mais diversidade na profissão. 

E por que é tão importante ter um novo perfil de programador mais inclusivo e diverso? Em termos sociais, Gustavo Glasser, CEO da Carambola, plataforma de gestão de inclusão de diversidade, explica que é uma forma de diminuir os abismos sociais. “Ao distribuir melhor a renda, há uma sociedade mais equilibrada, por exemplo, com menos violência e problemas básicos de saúde”, acredita. Em relação ao mercado de tecnologia, aumenta a abrangência de profissionais para determinada vaga. E, no caso de produtos finais, o impacto é gigantesco também para melhorar a qualidade. 

Um exemplo clássico é o documentário Coded Bias (algo como “código enviesado”, em português), da Netflix, dirigido por Shalini Kantayya, que conta a história da pesquisadora que percebeu que as tecnologias de reconhecimento facial não eram tão certeiras em reconhecer rostos de pessoas negras, quando comparada às pessoas brancas. 

Esse viés está muito ligado a equipes homogêneas, que não vão além de suas realidades e acabam não pensando em outras situações. O próprio Gustavo, que é um homem trans, conta que, ao usar seu plano de saúde, tem consultas e exames negados porque não condizem com seu gênero, como uma mamografia. “Como se só mulheres tivessem mamas. Isso provavelmente acontece por não ter representatividade de pessoas trans na construção dessa regra”, avalia.  

Educação inclusiva

Nesse contexto, Karen Kanaan, sócia da 42 São Paulo, cita a formação num âmbito mais inclusivo como peça-chave na construção do novo perfil do programador. A escola de tecnologia da qual está à frente, nasceu em 2013, na França, e está no Brasil desde 2020, com espaço para conviver com a diversidade e valorizar o conceito de comunidade. Totalmente gratuita, é mantida com doações de empresas e fundações. 

Não há exigências predefinidas para a seleção dos alunos na 42, apenas ter mais de 18 anos. O estudante pode terminar o curso entre um ano e meio e dois anos, fazendo 40 horas semanais. Não há professores tradicionais e os alunos aprendem a partir da troca entre eles, sem mediações. 

Segundo Karen, dos 400 alunos ativos com média de 28 anos, 26% se declara não masculino, 30% é neurodivergente autodeclarado e 40% está no grupo de vulnerabilidade, por isso recebe auxílio financeiro. Além disso, 70% das pessoas que entram não sabem programar e aprendem do zero. Há músico, fotógrafo, videomaker, cineasta, advogado e pessoas sem nenhum tipo de formação.  

“Entendo que a riqueza está na diferença. Não é trabalhar sozinho, é trabalhar em time; não é aprender sozinho, é aprender em time. Isso faz com a pessoa se desenvolva muito forte também através de soft skills: desenvolvimento relacional, pensamento crítico, aprender a aprender. Não é que as aulas sejam sobre isso, mas o modus operandi é assim”, pontua Karen. 

Mercado ampliado

O mercado de trabalho nesta área chama a atenção no Brasil e no mundo pelo número crescente de vagas. Em 2021, a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) computou mais de 123 mil novos empregos apenas no setor de Tecnologia da Informação (TI). Segundo dados do Google, a pesquisa por ciência de dados e tecnologia cresceu 1170% nos últimos cinco anos no Brasil e a procura pela carreira de programador subiu 30% comparando 2022 com 2021. Estima-se que em 2024 serão cerca de 300 mil vagas abertas na área. 

O boom também está relacionado com a pandemia causada pela Covid-19, que acelerou esse processo, já que muitas empresas foram obrigadas a se adaptar às tecnologias existentes para dar condições de trabalho aos colaboradores ou mudar suas rotinas para não perder produtividade. 

“Esse movimento de transformação digital está fazendo com que empresas, que antes se denominavam como varejista ou de mercado financeiro, por exemplo, se entendam hoje como digitais”, diz Gustavo Glasser. Dessa forma, ele observa que TI está deixando de ser uma área para ser uma competência dentro das empresas, saindo de cena o estereótipo do programador – homem branco cisgênero, antissocial, superinteligente e que gosta de matemática – para entrar novos grupos. 

Esse conteúdo é inspirado no estudo Human Coders - Reprogramando Futuros da 42SP, pesquisa apoiada pela Fundação Telefônica Vivo em parceria com o Terra.

Fonte: Redação Nós
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