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Entenda o caso do motoboy negro esfaqueado em Porto Alegre

Polícia Civil classifica o caso como “lesão corporal recíproca”; governador do RS e ministro dos Direitos Humanos se pronunciam

20 fev 2024 - 14h56
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Motoboy afirmou que não houve discussão com o agressor
Motoboy afirmou que não houve discussão com o agressor
Foto: Reprodução: Jornal Hoje/Globoplay

Após sofrer um ataque com faca de um homem branco, o motoboy Everton Henrique Goandete da Silva, um homem negro, foi algemado por policiais e encaminhado para a delegacia. O caso ocorreu no último sábado (17), no bairro Rio Branco, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. 

Em vídeo que mostra o momento, é possível ver Everton, que foi quem acionou a polícia, sendo encurralado pelos policiais. Depois do ocorrido, os policiais acompanharam o homem branco, identificado como Sérgio Camargo Kupstaitis, até sua residência, onde ele foi algemado e transportado em uma viatura policial.

Em entrevista, o motoboy Everton afirmou que não houve discussão com o agressor e que estava sentado quando o homem apareceu e o atacou. “Foram para cima de mim como se eu fosse um saco de lixo. E eu não sou um saco de lixo. Sou um trabalhador como todo mundo que tem nessa rua”, disse à RBS TV, se referindo ao tratamento dos policiais. 

O caso está sob investigação e os agentes em questão foram temporariamente afastados pela Brigada Militar. A Polícia Civil afirmou, em comunicado, seu compromisso com a investigação do caso, inicialmente classificado como “lesão corporal recíproca”. Além do homem branco que portava um canivete, Everton também pode enfrentar acusações de lesão corporal.

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“A investigação que está em andamento determinará quais atos foram de fato praticados, bem como se, eventualmente, houve outro fato delituoso”, diz nota postada no site da polícia, assinada pelo Delegado Fernando Antônio Sodré de Oliveira, chefe da Polícia Civil.

A Polícia Civil disse ainda que “a 3ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre prossegue com as investigações. Estão em curso diligências e oitivas de testemunhas e, tão logo se encerre a apuração e todas as provas sejam coletadas, haverá o envio do inquérito para a Justiça”.

Por fim, destacaram que a abordagem dos policiais e suas ações estão sendo “devidamente apuradas em sindicância pela Brigada Militar”, conforme nota.

Manifestações

Nas redes sociais, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, determinou a abertura de um processo para ouvir testemunhas e “apurar as circunstâncias da ocorrência, com a mais absoluta celeridade”.

O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, destacou que o ocorrido ilustra mais uma vez como o racismo desvirtua as instituições e, consequentemente, o comportamento de seus membros.

“É preciso que as instituições passem a analisar de forma crítica o seu modo de funcionamento e aceitar que em uma sociedade em que o racismo é estrutural, medidas consistentes e constantes no campo da formação e das práticas de governança antirracista devem ser adotadas”, declarou Silvio Almeida.

O ministro apontou ainda a importância de receber críticas e implementar medidas concretas para combater o racismo em nível institucional.

“Conversei com a ministra Anielle Franco [ministra da Igualdade Racial do Brasil] e entraremos em contato com as autoridades gaúchas para acompanhar o caso e ajudar na construção de políticas de maior alcance”, concluiu.

No último domingo (18), centenas de pessoas também protestaram em Porto Alegre, carregando faixas e cartazes com frases antirracistas. O ato foi convocado pelo Sindimoto-RS, o Sindicato dos Motoboys do estado do Rio Grande do Sul. 

Fonte: Redação Nós
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