Primeiro Range Rover elétrico troca o ronco do V8 pelo silêncio sem esquecer da própria história
Primeiro modelo elétrico da linhagem preserva o desenho clássico do SUV, entrega 550 cv e promete até 600 km de autonomia
Após 56 anos com motores a combustão, estreia o Range Rover Electric, primeiro SUV elétrico da marca. Mantendo o design clássico e o luxo, o modelo conta com tração integral de dois motores, que geram 550 cv e 86,7 kgfm de torque instantâneo e silencioso. Desenvolvido para preservar a robusta capacidade off-road com suspensão pneumática, o utilitário passou por 1,5 milhão de km de testes severos e gerou 300 patentes, trazendo bateria com monitoramento digital e garantia de oito anos.
Depois de 56 anos embalado por motores a combustão (grandes, beberrões e inadequados para qualquer planilha ambiental), um dos mais tradicionais SUVs de luxo do mundo enfim se rendeu à eletricidade. Trata-se do Range Rover Electric.
Mesmo com nova proposta, a carroceria continua ereta, elegante e imediatamente reconhecível. O teto do SUV parece flutuar sobre as colunas escurecidas, a traseira mantém as lanternas verticais e o capô continua alto o suficiente para ser avistado do outro lado da rua. A própria fabricante salienta que, antes de ser elétrico, o Electric precisava continuar sendo um Range Rover.
Produzido em Solihull, na Inglaterra, o Electric tem dois motores de ímãs permanentes, um em cada eixo. Juntos, eles entregam até 550 cv e 86,7 kgfm, números comparáveis aos de um V8, porém despejados sem o crescendo de giros, o ronco grave ou a troca de marchas. Basta pisar no acelerador e deixar que as quase três toneladas se esqueçam momentaneamente da própria massa.
O controle eletrônico pode variar completamente a força enviada às rodas traseiras para evitar perdas de aderência. Há também um modo de condução com apenas um pedal, desenvolvido não somente para o trânsito urbano, mas para permitir saídas suaves em inclinações de até 33 graus e subidas embaladas de até 45 graus.
A bateria reduz ainda, bom frisar, o centro de gravidade, enquanto a suspensão pneumática de duas câmaras tenta conciliar controle de carroceria, conforto e articulação fora de estrada. Em outras palavras, o Range Rover pode ter abandonado o posto de combustível, mas não desistiu da lama.
A marca submeteu o modelo a mais de 1,5 milhão de quilômetros de testes, distância equivalente a aproximadamente 38 voltas ao redor do planeta. Os protótipos enfrentaram temperaturas de 40 graus negativos na Suécia, o calor do deserto de Dubai e as trilhas da propriedade de Eastnor Castle, tradicional campo de provas da JLR no Reino Unido. Somam-se a isso mais de 250 mil horas de avaliações físicas e virtuais.
Cerca de 300 pedidos de patente foram depositados durante o projeto, mais do que em qualquer outro Range Rover. Cada exemplar também terá uma espécie de gêmeo digital da bateria, alimentado por mais de 900 pontos de diagnóstico para acompanhar seu funcionamento e antecipar eventuais necessidades de manutenção. A garantia do conjunto elétrico será de oito anos ou 160 mil quilômetros, com possíveis variações entre os mercados.
Mesma viagem, outra trilha sonora
Certamente haverá quem sinta falta do V8. O ronco baixo ao despertar, a maneira como a carroceria se movia quando o motorista acelerava parado e até a irracionalidade de alimentar oito cilindros faziam parte do élan.
No entanto, talvez nenhum outro carro de luxo estivesse tão preparado para deixar o motor a combustão para trás. Desde o início, o Range Rover tenta oferecer a sensação de desbravar o mundo sem quaisquer incômodos.
A eletricidade, por conseguinte, apenas leva essa ideia adiante. Há mais torque, respostas mais rápidas e menos ruído, mas continuam presentes a silhueta de sempre, a cabine isolada e a capacidade algo absurda de cruzar rios a caminho de lugares onde seus proprietários provavelmente chegarão com os sapatos perfeitamente limpos e prontos para o chá das 17h.
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