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Gordura da picanha pode abastecer o seu caminhão; Entenda

Biodiesel produzido pela JBS, uma das gigantes globais da produção de carne bovina e derivados, é feito com resíduos animais e óleo de cozinha usado para substituir diesel

4 set 2026 - 16h55
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Resumo
A JBS alcançou mais de 500 mil km rodados com um caminhão movido a B100, biodiesel 100% produzido pela Biopower a partir de sebo bovino e óleo usado. Sem necessidade de adaptações mecânicas, o veículo opera com alta eficiência e sem falhas no trajeto entre Lins e Santos. O biocombustível reduz cerca de 90% das emissões de carbono em relação ao diesel fóssil. Com aportes de R$ 140 milhões em usinas, a empresa prevê capacidade de 650 milhões de litros de biodiesel até o fim de 2026.

A JBS, uma das gigantes globais da produção de carne bovina e derivados, já rodou mais de 500 mil quilômetros com caminhão extrapesado DAF movido a B100 (100% biodiesel) produzido por sua subsidiária Biopower.

A empresa recebeu no ano passado mais de R$ 140 milhões em investimentos para a modernização e ampliação de suas usinas produtoras de biodiesel em Lins (SP), Mafra (SC) e Campo Verde (MT) e estima terminar o ano de 2026 com uma capacidade de produção de 650 milhões de litros do biocombustível.

Gordura de vaca e óleo de cozinha usado

Vista aérea da usina de biodiesel da Biopower em Mafra, Santa Catarina, onde a JBS usa resíduos animais e óleo de cozinha usado para produzir biodiesel.
Vista aérea da usina de biodiesel da Biopower em Mafra, Santa Catarina, onde a JBS usa resíduos animais e óleo de cozinha usado para produzir biodiesel.
Foto: Divulgação / Estadão

O combustível produzido pela Biopower usa resíduos animais da cadeia produtiva da JBS, como sebo bovino, e óleo de cozinha usado, entre outros produtos orgânicos, como matéria-prima.

O biodiesel é derivado da reação de esterificação destas gorduras de origem vegetal e animal, passa por purificação e filtragem e vai para os tanques de armazenagem. Hoje, usinas como as da Biopower fornecem biodiesel para o mercado de combustíveis que adiciona 15% do produto ao diesel de petróleo antes de chegar aos postos.

500 mil km sem falhas

O caminhão DAF XF operado pela JBS e abastecidos 100% com biodiesel realiza diariamente o trajeto entre a cidade paulista de Lins e o porto de Santos, transportando cargas para exportação, como alimentos congelados e resfriados.

Eles transportam carretas contêiner em percursos com aclives e declives acentuados e, segundo a empresa, mantém alta eficiência sem registrar falhas no motor ou desgaste dos componentes, mesmo sendo abastecido com 100% de biodiesel.

Caminhão VW Constellation usado pela JBS no transporte de gado vivo também é abastecido com 100% de biodiesel.
Caminhão VW Constellation usado pela JBS no transporte de gado vivo também é abastecido com 100% de biodiesel.
Foto: Divulgação / Estadão

O biodiesel, por seu um produto derivado de gorduras vegetais e/ou animais, pode apresentar algumas características que, em casos de armazenagem não adequada, prejudicam os motores dos veículos.

Sua composição pode apresentar quantidades de água e de matéria orgânica que se depositam no fundo do tanque e que, quando são puxadas para o sistema de alimentação do caminhão, podem promover oxidação precoce dos componentes e depósitos de borra que podem entupir mangueiras, válvulas e cavidades do motor a diesel.

No caso da operação da JBS com o biocombustível, como a empresa é a produtora do B100, utiliza práticas de armazenagem que promovem a manutenção da qualidade do biodiesel e, por isso, o caminhão não apresentou falhas.

Em geral, caminhões que rodam com B100 são preparados para isso e recebem adaptações no software de distribuição de combustível e em mangueiras e válvulas para suportar o produto puro. A JBS informou que o DAF que atingiu a marca dos 500 mil km rodados sem falhas no B100 não sofreu nenhum tipo de adaptação.

Bioponto para abastecimento

Ponto de abastecimento de biodiesel da Biopower em Lins (SP) foi o primeiro posto de B100 homologado pela ANP no Brasil.
Ponto de abastecimento de biodiesel da Biopower em Lins (SP) foi o primeiro posto de B100 homologado pela ANP no Brasil.
Foto: Divulgação / Estadão

De acordo com a empresa, os caminhões movidos a B100 são abastecidos no primeiro ponto de abastecimento de biodiesel 100% homologado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), batizado de "bioponto" pela empresa, em Lins (SP).

O ponto de abastecimento foi instalado no complexo da JBS, onde também fica uma das unidades da Biopower e a estrutura conta com duas bombas e capacidade de armazenamento de até 46 mil litros de combustível.

O uso de biocombustíveis como o B100 feito com gordura animal e óleo de cozinha usado da JBS permite que a operação com o caminhão deixe de emitir cerca de 90% do carbono que seria emitido por um veículo movido a diesel de petróleo.

Isso acontece porque o biodiesel é um combustível não fóssil e 100% renovável, que usa como matéria-prima produtos que seriam descartados e que são reaproveitados de forma circular. O biodiesel apresenta o mesmo desempenho e consumo que o diesel comum.

Estadão
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