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BYD Dolphin híbrido faz mesmo até 71 km/l? Entenda como ele funciona

Equipado com sistema DM-i, novo modelo eletrificado promete rodar mais de 1.000 km com apenas um tanque

31 ago 2026 - 21h18
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Resumo
O novo BYD Dolphin G híbrido plug-in impressiona pela eficiência, alcançando até 71 km/l e autonomia de 1.040 km no ciclo europeu WLTP. Equipado com a tecnologia DM-i, o modelo prioriza a tração elétrica enquanto o motor a combustão atua como gerador, gerando até 212 cv de potência combinada. Cotado para o Brasil entre R$ 130 mil e R$ 150 mil, o hatch deve registrar números menores no país devido aos critérios de testes mais rigorosos e realistas aplicados pelo Inmetro.

O vindouro BYD Dolphin G com tecnologia híbrida plug-in fez muito barulho nas últimas semanas após a marca apresentá-lo no Festival de Goodwood, na Inglaterra.

Para além da novidade do Dolphin com sistema híbrido plug-in e a expectativa de preço entre R$ 130 mil e R$ 150 mil no Brasil, o que também tem impressionado o público é a autonomia e o consumo do modelo: as versões mais caras chegam a fazer 71 km/l e rodar até 1.040 km com apenas uma carga no ciclo WLTP, segundo a própria BYD.

BYD Dolphin G DM-i
BYD Dolphin G DM-i
Foto: Giovanna Riato/Estadão / Estadão

Mas como o Dolphin G consegue rodar tanto com apenas uma carga e como é realizado o teste para definir a autonomia de um veículo? É exatamente neste tópico que o Jornal do Carro quer tocar.

Configurações oficiais do BYD Dolphin G

Antes de mais nada, é importante definir e mostrar todas as especificações do mais novo BYD Dolphin G.

O modelo foi apresentado na Europa com um motor 1.5 aspirado a gasolina que rende 95 cv de potência em conjunto de um propulsor elétrico (dianteiro) de 163 cv. A potência combinada do PHEV, de acordo com a BYD, é de 212 cv nas versões mais caras e 176 cv nas mais baratas.

BYD Dolphin G DM-i
BYD Dolphin G DM-i
Foto: Giovanna Riato/Estadão / Estadão

As baterias disponíveis para o conjunto são de 7,42 kWh ou 18,3 kWh, enquanto a autonomia totalmente elétrica para as versões é de 40 km ou 105 km, respectivamente.

A autonomia total também varia de acordo com as baterias: a menor tem um alcance máximo de 1.020 km, enquanto a maior de 1.040 km. Todos esses números divulgados pela BYD são do ciclo WLTP.

Agora com todos esses números na "mesa", é possível pular para a próxima parte.

Como funciona o sistema híbrido plug-in DM-i da BYD?

A eficiência energética do BYD Dolphin G decorre do sistema híbrido plug-in DM-i (Dual Mode Intelligent). A tecnologia tem como diferencial priorizar a tração elétrica durante o funcionamento.

Na maior parte do tempo, o propulsor elétrico e a bateria movimentam as rodas. O motor a gasolina, por sua vez, atua principalmente como um gerador de energia.

BYD Dolphin G DM-i
BYD Dolphin G DM-i
Foto: Giovanna Riato/Estadão / Estadão

Acoplado a um gerador, o bloco a combustão envia carga para a bateria e, consequentemente, para a unidade elétrica. Isso garante a máxima eficiência do carro, mesmo quando o nível de bateria está baixo.

O motorista ainda pode alternar entre os modos totalmente elétrico (EV) e híbrido (HEV), adaptando o funcionamento do hatch à necessidade do trajeto.

Dessa forma, o modelo é capaz de rodar mais de 1.000 km com apenas uma carga no ciclo WLTP.

Mas, afinal, o que é WLTP e como os testes são realizados?

O WLTP (Worldwide Harmonized Light-Duty Vehicles Test Procedure, na sigla completa), é o padrão global de testes laboratoriais para medir o consumo de combustível, emissões de poluentes e autonomia de carros híbridos e elétricos.

O teste do ciclo WLTP consiste em um ensaio de cerca de 30 minutos e uma distância total de 23,25 km. São quatro fases do teste: baixa velocidade (até 56,5 km/h); média velocidade (até 76,6 km/h); alta velocidade (até 97,4 km/h); e velocidade extra-alta (até 131,3 km/h).

No Brasil, o Inmetro adota uma metodologia diferente, geralmente mais conservadora. Por isso, é comum haver discrepância nos índices declarados no exterior em comparação aos números oficiais do mercado nacional.

Como o BYD Dolphin G chegou aos 71 km/l?

Na ficha técnica europeia da BYD, o gasto de combustível aparece no formato "litros por 100 km", padrão no exterior. O Dolphin G gasta 2,6 l/100 km com a bateria menor e 1,4 l/100 km com a maior.

Convertendo esses dados para a nossa métrica, o hatch registra as excelentes médias de 38 km/l e 71 km/l, respectivamente, sempre considerando a bateria totalmente carregada.

A montadora também divulgou os índices com a bateria descarregada: 4,3 l/100 km (23,2 km/l) na versão de entrada e 4,5 l/100 km (22,2 km/l) na configuração de topo.

Para calcular o alcance total, basta multiplicar a média pela capacidade do tanque (42 litros). Na versão mais cara, 42 litros vezes 22,2 km/l rendem cerca de 932 km rodados apenas com gasolina.

Somando esse valor à autonomia elétrica (105 km), chegamos ao alcance total combinado de 1.037 km (arredondado para 1.040 km no material oficial).

Vale reforçar que, quando o veículo for homologado pelo Inmetro no Brasil, esses valores sofrerão reduções naturais devido ao rigor da metodologia nacional, que é menos "otimista" que o ciclo europeu.

Como é feito o teste de consumo do Inmetro de um híbrido plug-in?

Os testes de consumo dos carros híbridos plug-in (PHEV) realizados no âmbito do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro seguem metodologias normatizadas para refletir tanto o uso elétrico quanto o uso com combustível.

Como esses veículos possuem baterias recarregáveis na tomada e motor a combustão, a aferição precisa cobrir ambos os modos de propulsão.

O ensaio laboratorial reproduz ciclos padronizados de condução urbana e rodoviária em duas etapas:

Esgotamento de Carga (Modo Elétrico)

  1. O veículo é carregado até 100% de sua capacidade.
  2. Ele executa os ciclos de condução apenas com a energia da bateria até que o motor a combustão precise ser acionado.
  3. O teste registra a autonomia 100% elétrica e o consumo elétrico por quilômetro em Wh/km.

Carga Sustentada (Modo Híbrido Tradicional)

  1. Após o esgotamento da carga útil da bateria, o carro passa a operar como um híbrido convencional (HEV), alternando e gerenciando as duas fontes de energia.
  2. O sistema afere o consumo de combustível (gasolina e/ou etanol em km/l) nas rotinas da cidade e da estrada, além das emissões do escapamento.

O "Desconto" de 30% na autonomia elétrica

Em laboratório, variáveis como ar-condicionado (que permanece desligado no ensaio padrão), vento e variações drásticas de temperatura são neutralizadas.

Para que os resultados se aproximem das condições reais enfrentadas pelo motorista brasileiro (trânsito, calor excessivo, relevo e uso contínuo de ar-condicionado), o Inmetro aplica um fator de ajuste de cerca de 30% de redução sobre os números medidos no dinamômetro. Por isso, a autonomia divulgada pelo Inmetro tende a ser menor se comparada aos padrões internacionais, como o WLTP ou CLTC.

Estadão
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