Nem todo carro chinês é BYD; quem entra forte em 2026 fora do top 3
Com base nos números de 2025, marcas chinesas fora do top 3 ganham tração e disputam espaço no mercado brasileiro em 2026
Enquanto BYD, Caoa Chery e GWM concentram quase todas as atenções, os dados consolidados de 2025 ajudam a entender quais marcas chinesas fora do top 3 entram em 2026 com fôlego para crescer. Várias marcas vão buscar elevância e sobrevivência em um mercado que começa a se tornar mais seletivo até para as chinesas.
Jaecoo, GAC e Geely têm estratégias diferentes
Juntas, as três líderes respondem por cerca de 94% das vendas de veículos chineses no Brasil. O restante parece pequeno à primeira vista. Mas é justamente nesse segundo grupo que se desenha o próximo estágio do mercado. Entre as marcas chinesas que operam fora do bloco dominante, algumas começam a mostrar boa capacidade de crescimento.
A Jaecoo encerrou 2025 com quase 5 mil carros vendidos. O volume ainda não altera rankings, mas é relevante para uma marca recém-chegada, em plena fase de construção de rede, imagem e reconhecimento. Mais do que quantidade, o resultado indica estrutura operacional funcionando.
A GAC (pronuncia-se Gê-A-Cê) segue caminho semelhante, porém com posicionamento mais sofisticado. Com pouco mais de 3,6 mil veículos emplacados, aposta em crescimento gradual e parece focar na construção da marca – uma estratégia mais lenta, porém potencialmente mais sustentável para 2026.
Já a Geely, agora oficialmente presente no Brasil de braços dados com a Renault, começa a sair do estágio experimental. Com cerca de 3,3 mil unidades em 2025, ainda está distante das líderes, mas carrega diferenciais importantes para o próximo ciclo: escala global, portfólio amplo e capacidade industrial. O compacto elétrico EX2 pode ser uma pedra no sapato da BYD.
Omoda e Leapmotor já puxam o segundo pelotão
Outras marcas operam em volumes ainda menores, mas cumprem papel relevante na transição do mercado. Omoda, JAC Motors, Zeekr, Leapmotor e a ousada MG ajudam a compor um cenário fragmentado, no qual cada fabricante testa seu modelo de negócio, seu público e sua capacidade de adaptação ao consumidor brasileiro.
Há potencial claro de crescimento na Omoda, que lançou recentemente um híbrido pleno com poreço de Toyota Corolla Cross básico, e na Leapmotor, que é operada simplesmente pela supermontadora Stellantis, líder disparada do mercado brasileiro.
Nesse estágio, vender carros é apenas parte do desafio. O ponto central passa a ser construir confiança – com rede de concessionárias, pós-venda eficiente, disponibilidade de peças e comunicação clara. Segundo análise da consultoria automotiva K.Lume, em 2026 não bastará existir; será preciso explicar ao consumidor o que cada marca é e o que ela entrega. Ou pode sumir do mercado.
Nem toda montadora chinesa joga o mesmo jogo
Para a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), as montadoras chinesas são um perigo existencial. A narrativa das montadoras tradicionais, entretanto, leva a interpretações equivocadas, inclusive por parte da mídia especializada.
Tratar os carros chineses como um bloco homogêneo é um erro cada vez mais comum; e cada vez mais equivocado. Há marcas focadas em volume, outras em tecnologia, algumas mirando posicionamento premium e outras atuando em nichos bem definidos. Mas todas querem estar no Brasil na próxima década, seja com carros elétricos ou com híbridos.
O que une esse segundo grupo de marcas chinesas não é o tamanho, mas a tentativa de ocupar um espaço próprio antes que o mercado se consolide de vez. Em um ambiente mais competitivo, quem sobreviver fora do top 3 não será necessariamente quem vender mais hoje, mas quem conseguir sustentar operação, imagem e confiança ao longo do tempo.
Haverá espaço para tantas marcas num mercado que dificilmente vai passar de 2,7 milhões de unidades em 2026? Esta é a pergunta que muitos executivos – e não só das chinesas – estão fazendo para suas consultorias neste início de ano.