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Mulheres chinesas invadem o novo mundo dos carros elétricos e conectados

Salão de Pequim mostra que o formato das feiras automotivas continua vivo, mas algumas montadoras pararam no tempo

27 abr 2024 - 11h59
(atualizado em 27/4/2024 às 03h42)
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Jovem influenciadra chinesa dá instruções para seus assistentes no estande da Haval
Jovem influenciadra chinesa dá instruções para seus assistentes no estande da Haval
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

PEQUIM, China -- O novo mundo dos carros elétricos e conectados não é apenas das montadoras chinesas, mas também das mulheres chinesas. Foi o que mostrou o Salão de Pequim (Auto China 2024).

Sob a perspectiva de quem está na China, a indústria automotiva parece estar presa a uma âncora que não a deixa se libertar do Século 20. A diferença de tecnologia dos carros apresentados no Salão de Pequim para o que vemos no Brasil é gritante.

Não é novidade para ninguém que a comunicação deixou de ser a ocupação de espaço para ser a conquista da atenção. Mas isso não se prende à comunicação; pelo contrário, estende-se para a experiência do Salão do Automóvel.

Mulher chinesa faz live durante o Salão de Pequim
Mulher chinesa faz live durante o Salão de Pequim
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

As montadoras chinesas não precisaram criar complexas "experiências" de test drives em pista, que acabam elitizando o automóvel, para conquistar a atenção do público jovem chinês. Criou carros conectados e abriu as portas para centenas de produtores de conteúdo das mídias sociais.

Produtoras de conteúdo talvez seja o termo mais correto, pois as mulheres chinesas dominaram a cena no Salão de  Pequim com seus smartphones high tech, suas roupas personalizadas, suas metralhadoras verbais, disparando informações com uma velocidade impressionante, com seus assistentes de áudio ou vídeo e com muita vontade de informar sobre esse novo mundo da mobilidade. Jovem atrai jovem.

Jovem bailarina chinesa foi até o Salão de Pequim só para fazer uma foto com o Ora 03 GT
Jovem bailarina chinesa foi até o Salão de Pequim só para fazer uma foto com o Ora 03 GT
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Enquanto isso, no Brasil, homens machistas continuam disparando impropérios contra as poucas jornalistas mulheres que se "atrevem" a fazer conteúdos sobre carros.

As montadoras chinesas souberam conquistar a atenção dos jovens. As montadoras presentes no Brasil (não todas) insistem no conceito da conquista de espaço. Por isso as chinesas BYD e GWM são hoje as duas únicas montadoras disruptivas no Brasil. As outras estão sendo obrigadas a se mexer, mas qual delas de fato tirou a âncora que as prendem ao Século 20? Não conheço nenhuma.

Mulheres posam como modelos e várias mulheres fazem conteúdos com smartphones
Mulheres posam como modelos e várias mulheres fazem conteúdos com smartphones
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Muitas montadoras não querem mais o Salão do Automóvel no formato tradicional, mas querem transformá-lo numa espécie de salvo-conduto para experiências ao volante. Trocam um espaço pelo outro. Não investem no futuro, fazem o toma lá, dá cá. Só participamos de um salão se vocês forem impactados pelos nossos vendedores!

Não entenderam que os jovens não são mais atraídos pela experiência de dirigir um carro, mas sim pela experiência de se conectarem ao carro mesmo que estejam no banco de trás e com ele se arrastando no trânsito. Faz bem o Lula em insistir na volta do Salão do Automóvel. Vamos ver se a Anfavea e a ABVE vão convencer suas afiliadas.

As montadoras estabelecidas no Brasil querem manter seus espaços para realizar vendas fáceis para as mesmas caras. As montadoras chinesas não dão a mínima para o espaço, que pode ser o velho e bom formato do Salão do Automóvel, hoje desprezado em nosso país 

Mulher chinesa faz transmissão para mídia social no Auto China 2024
Mulher chinesa faz transmissão para mídia social no Auto China 2024
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Num salão tradicional todo mundo pode passar a mão no carro, entrar no carro, fazer uma selphie. O Salão  de Pequim (Auto China 2024) foi uma aula de como conquistar a atenção do público no mesmo espaço de antes.

GWM, BYD, Chery, JAC, Neta, Changan, Xiaomi, Dongfeng e várias outras marcas chinesas dominam o presente e vão dominar ainda mais o futuro porque sabem conquistar a atenção do público, especialmente,o jovem.

O planeta está superaquecendo e o futuro dos jovens está ameaçado? Elas fizeram carros elétricos. As baterias de lítio ainda não resolvem todo o problema dos carros elétricos? Elas investem em baterias de sódio, mais baratas e mais duráveis.

A mineração necessária para viabilizar os carros elétricos é nociva ao meio ambiente? Elas investem em hidrogênio. Durante o Sslão de Pequim o CEO global da GWM, Mu Feng, anunciou que a empresa vai fabricar um carro a hidrogênio.

A subsidiária FTXT já tem 400 caminhões pesados rodando com hidrogênio na China, que também utiliza milhares de ônibus a hidrogênio.

No Brasil, as principais montadoras falam num futuro "eletrificado" e não param de lançar veículos a combustão com pegada de carbono do século 20, como Jeep Compass Hurricane, Chevrolet Silverado, Ford Ranger V6, Volkswagen Saveiro, Caoa Chery Tiggo 7 Sport.

Todos esses carros são bons, têm público, mas estão a léguas de distância dos jovens brasleiros que querem menos emissão de CO2, carros mais baratos e práticas que combinem com o discurso. O híbrido com etanol não vai resolver o problema se for flex e a maior aplicação for de Mild Hybrid 

Sabe qual carro fez o maior sucesso no Salão de Pequim? Foi o Xiaomi SU7, o primeiro carro da marca de smartphones e outros eletrônicos. É um sedã elétrico. Havia fila de mais de meia hora para entrar no estande da Xiaomi.

Por óbvio que as realidades do Brasil e da China são diferentes. A China é um país riquíssimo que não tem sequer serviço de buffet nos estandes das grandes montadoras.

O Brasil é um país pobre que encarece suas ações porque busca dar privilégios para os poucos que querem comprar carros. Como criar desejo para os clientes do futuro assim, se eles nem entram na agenda?

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O jornalista Sergio Quintanilha viajou à China a convite da GWM.

Guia do Carro
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