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Festival de Goodwood mostra a última trincheira das marcas tradicionais contra a invasão chinesa

Depois que conquistaram o mercado, montadoras chinesas querem protagonizar a cultura automotiva

20 jul 2026 - 07h59
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Berço de marcas das mais premium e tradicionais como Jaguar, Land Rover e Rolls-Royce, a Inglaterra está mudada. Hoje, os carros elétricos chineses da Omoda Jaecoo e da BYD ganham não só as ruas de Londres, como galgam espaço no Festival de Velocidade de Goodwood 2026, que aconteceu até 12 de julho em West Sussex.

Essa invasão asiática contrasta com a história do evento. Tão inglês quanto um chá preto às 17h, o festival nasceu em 1993, fruto do desejo de um ricaço inquieto: Charles Gordon-Lennox, atual Duque de Richmond. Ele queria retomar as corridas de carros no tradicional Circuito de Goodwood, em West Sussex, no sudeste da Inglaterra. O empreendimento já não recebia mais essas disputas desde 1966.

Sem autorização para voltar com as atividades ali, o duque fez o que qualquer endinheirado teimoso faria: trouxe a ideia para o próprio jardim, em um circuito de 1,86 km — o chamado Hillclimb. Sem as pretensões de uma corrida tradicional, o evento já reuniu, logo no primeiro ano, carros clássicos e pilotos relevantes na história do automobilismo. Tudo mais acessível ao público, tanto para ver os modelos de perto quanto para acompanhar a famosa subida da montanha.

BYD, Omoda e a nova era dos carros chineses em Goodwood

O Festival de Goodwood 2026 é prova disso. Pela primeira vez, o evento contou com uma presença mais imponente dessas empresas. A BYD, com marca própria, além das subsidiárias premium Denza e Yangwang, teve o maior estande entre todas as expositoras do evento. A companhia assegura, inclusive, que foi o maior espaço já construído por uma montadora em toda a história do festival.

E o espaço foi ativado com toda a pompa e circunstância. Stella Li, vice-presidente internacional da BYD, fez a coletiva de imprensa no evento ao lado do ex-piloto de Fórmula 1 britânico Jenson Button, que enalteceu ali o comportamento dinâmico do esportivo Denza Z na pista, com seus ignorantes 1.600 cv de potência.

O objetivo declarado de tal esforço era lançar a marca Denza no mercado automotivo britânico. Já a meta que estava nas entrelinhas é conferir à empresa chinesa de pouco mais de 30 anos de idade uma força cultural ao estar no maior festival de velocidade do mundo. E esse empenho não deve parar por aí: em conversa com jornalistas brasileiros, Stella confirmou a intenção da marca de entrar na Fórmula 1.

Menos vocal, a Omoda Jaecoo também marcou presença. A marca chinesa mais vendida do mercado britânico não montou um estande gigante, mas fez o transporte de visitantes entre algumas atrações do evento, entre outras ativações.

Mesmo quando não está na cara, a lógica de mercado da China está presente: a MG, tradicional marca britânica, ocupava um espaço nobre de exposição. Vale lembrar, no entanto, que, de britânica, a marca ostenta hoje apenas a tradição, já que o controle atual é totalmente chinês.

Quem vai a Goodwood?

Além de celebridades do universo do automobilismo, o Festival de Goodwood reúne um público de entusiastas com alto poder aquisitivo. São colecionadores de carros e interessados neste universo que desembolsam de 72 a 1.200 libras nos ingressos — cerca de R$ 495 a R$ 8,2 mil reais, em conversão direta.

Por isso, o evento atrai o patrocínio de marcas de luxo que nada têm a ver com esse universo, como Cartier e Veuve Clicquot. Isso sem contar as gigantes automotivas: Renault, BMW, Rolls-Royce, Ferrari, Land Rover, Ford e tantas outras construíram estandes na edição de 2026. Elas dividem espaço, agora, com as recém-chegadas e ambiciosas montadoras chinesas.

Estadão
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