Desconto de até 30%: vale a pena comprar um carro que vai sair de linha?
Preços podem chegar a níveis tentadores, mas especialista alerta: a economia de hoje pode virar desvalorização e dor de cabeça amanhã
Este ano promete diversos lançamentos e você tem acompanhado muitos deles aqui no Jornal do Carro. Mas 2026 também terá muita aposentadoria de modelos, incluindo alguns da Jeep, Nissan, Citroën e Volkswagen.
Confira abaixo uma lista com os principais carros que vão ser descontinuados este ano:
- Jeep Renegade Sport;
- Citroën Aircross 5 lugares;
- Nissan Kicks Play;
- Volkswagen Saveiro.
Jeep Renegade Sport
Por conta da chegada do Jeep Avenger, SUV que será o modelo de entrada da marca norte-americana por aqui, a versão inicial do Jeep Renegade deixará de ser comercializada para não praticar autofagia.
Se você busca um carro que pode valer a pena, o Jeep Renegade Sport é uma indicação do Jornal do Carro. Atualmente, por R$ 118.290, é uma boa pedida por vir equipado com motor 1.3 turbo de 176 cv de potência e 27,5 kgfm de torque.
Anteriormente, esse mesmo motor entregava 185 cv. Por conta da nova regra de emissões, o Proconve L8, o carro perdeu 9 cv.
Citroën Aircross de 5 lugares
A versão de cinco assentos do Citroën Aircross sairá de linha este ano. Mais voltada para o público PJ (taxistas, motoristas de aplicativo e empresas em geral), essa configuração não chama tanta atenção quanto o Aircross7, que tem dois lugares extras.
O preço dessa unidade parte de R$ 119.990, enquanto a configuração mais em conta com sete lugares tem acréscimo de apenas R$ 8.500.
Com motor 1.0 turbo de três cilindros, o Aircross disponibiliza 130 cv de potência com etanol e 125 cv com gasolina, além de 20,4 kgfm de torque.
O bom é já vir equipado com câmbio automático CVT.
Nissan Kicks Play
Imagina um jogador de futebol ser substituído e ainda continuar em campo. Pode isso, Arnaldo? É o caso do Kicks Play, que está no no site da Nissan junto com o Kait, que é o seu substituto.
E pior: ambos possuem o mesmo preço de R$ 117.990. Vale a pena ligar nas concessionárias e negociar um desconto, afinal, não vale a pena pagar o mesmo valor em um carro totalmente renovado e em um que acabou de sair de linha.
Além dessa versão inicial, há ainda o Sense CVT (R$ 131.590) e o Advance Plus CVT (R$ 150.190).
O Kicks Play é equipado com câmbio CVT e tem motor 1.6 de quatro cilindros aspirados que entrega 113 cv com etanol e 110 cv com gasolina. O torque é de 15,3 kgfm.
Volkswagen Saveiro
Por conta da vinda da Tukan, a nova picape intermediária da Volkswagen, a consagrada Saveiro vai sair de linha.
Segundo apurou o Jornal do Carro, a Tukan chegará ao país no primeiro trimestre de 2027, o que fará com que a Saveiro seja descontinuada em dezembro, com estoques encerrando até o fim do primeiro trimestre, justamente quando a nova picape começa a ser vendida.
A Saveiro é vendida em quatro versões: Robust Cabine Simples (R$ 112.690), Robust Cabine Dupla (R$ 130.190), Trendline Cabine Simples (R$ 120.890) e Extreme Cabine Dupla (R$ 134.190).
Mas, afinal, vale a pena comprar um carro zero quilômetro que vai sair de linha?
Essa é a pergunta de R$ 1 milhão que a educadora e planejadora financeira Paula Bazzo responde nesta reportagem.
Comprar um carro que está prestes a sair de linha pode parecer uma oportunidade imperdível. Descontos mais agressivos, condições especiais e até versões mais completas por um preço menor chamam a atenção de quem está de olho em um zero km.
Mas a decisão exige estratégia. Segundo a planejadora financeira, o preço reduzido é apenas o começo da conta.
"O principal atrativo é de fato o preço reduzido. Você pode adquirir um carro mais completo, mais equipado, por um valor que talvez em outra condição não conseguiria pagar", afirma.
O problema é o que vem depois. "Tem o risco de desvalorizar aceleradamente por conta da descontinuidade do modelo e talvez, mais para frente, enfrentar dificuldades com peças de reposição e manutenção."
O desconto compensa?
Quando uma montadora anuncia que um modelo deixará de ser produzido, o impacto costuma ser imediato. "As concessionárias precisam limpar o estoque. Então, já se percebe uma queda mais forte nos preços do zero km. No mercado de usados, geralmente tem uma queda inicial bem drástica", explica.
Segundo ela, essa desvalorização tende a ser mais intensa no primeiro e segundo ano após a saída de linha. Depois, o mercado costuma estabilizar. Ainda assim, o consumidor precisa pensar no ciclo completo da compra.
O perfil de consumo faz toda a diferença. Quem troca de carro com frequência pode sentir mais o impacto. "Se você é uma pessoa que gosta de trocar de carro com frequência, faz sentido comprar um carro que vai ter uma desvalorização muito grande?", questiona.
Oferta e procura continuam mandando
A regra clássica do mercado também vale aqui. "A lei da oferta e procura funciona perfeitamente para esse caso", afirma. Modelos populares, com boa reputação e procura consistente, tendem a sofrer menos impacto mesmo quando deixam de ser produzidos. Já carros com vendas fracas costumam sofrer mais.
"Um modelo pouco procurado tende a ter desconto maior na compra e sofre também mais na revenda. Já um modelo muito desejado pode ter desconto menor ou até segurar valor por um tempo, porque haverá menos unidades disponíveis."
Há também diferença entre um carro que sai de linha por baixa demanda e um que é substituído por uma nova geração. "Se ele está saindo por baixa demanda, pode haver algum problema de aceitação de mercado. A tendência é que a desvalorização seja mais forte. Já quando é substituído por uma nova geração, normalmente é um processo de modernização."
Manutenção deve pesar mais do que o desconto
Na avaliação da especialista, o consumidor deve olhar primeiro para manutenção e desvalorização — e só depois para o desconto. "Eu observaria primeiro o nível de desvalorização e manutenção. Porque posso receber um grande desconto inicial, mas se tenho custo de manutenção muito caro ou perda expressiva na revenda, talvez essa compra não valha a pena."
Pela legislação, as montadoras devem fornecer peças por um período determinado — geralmente cerca de 10 anos. Ainda assim, o custo pode subir com o tempo, principalmente em modelos importados ou de baixo volume. "Se compartilha peças com outros modelos, você encontra com preços mais razoáveis. Mas carros de baixo volume podem virar um problema."
Para quem faz sentido?
Na prática, o carro fora de linha pode ser uma boa compra para quem busca custo-benefício e pretende ficar mais tempo com o veículo. "Para quem não é apegado a ter o último modelo, pretende ficar mais de três ou cinco anos com o carro e está consciente do risco, pode ser uma ótima oportunidade."
Por outro lado, ela faz um alerta direto: "Quem faz compra por impulso, só atraído pelo desconto, provavelmente não é o público ideal." Também devem evitar esse tipo de negócio pessoas que trocam de carro com frequência ou fazem questão de design e tecnologia de última geração.
No fim das contas, o desconto pode ser real — mas só vale a pena quando fecha a conta completa: compra, manutenção e revenda.