BYD é acusada de trabalho forçado em fábrica da Europa
Relatório feito por ONG aponta jornadas extenuantes na construção de unidade na Hungria; filial brasileira da empresa não se pronunciou
A gigante chinesa BYD, maior fabricante de veículos elétricos do mundo, deu um passo importante em seu avanço pela Europa ao anunciar a instalação de uma fábrica em Szeged, na Hungria - a primeira da empresa no continente. Foram anunciados 6 bilhões de dólares em investimentos na região e uma capacidade produtiva projetada de 300 mil carros anuais. Mas um novo relatório feito por uma organização de direitos de trabalhadores indica problemas.
Informações divulgadas pela ONG China Labour Watch apontam práticas trabalhistas abusivas entre os milhares de trabalhadores que foram trazidos da China para a Hungria com o objetivo de construir a fábrica.
Globalmente, a empresa não divulgou nenhum posicionamento público. Procurada pela reportagem, a BYD não deu retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.
Do que a BYD é acusada?
Foram feitas entrevistas com mais de 50 funcionários, que permaneceram anônimos como forma de preservar sua segurança e evitar retaliações. A maior parte das testemunhas ouvidas trabalhava na construção e instalação da fábrica e havia sido contratada por intermediários, e não diretamente pela BYD.
Jornadas de trabalho de sete dias, sem folga para descanso, jornadas de 12 a 14 horas, com pausas curtas para o almoço e sem pagamento de horas extras, atraso de até três meses nos salários, pagamentos finais retidos até o retorno dos trabalhadores à China, cobrança de taxas de contratação exorbitantes, que forçaram os imigrantes a permanecer no local apesar das condições precárias, e até a entrada no país com vistos de negócios, e não permissões de trabalho - tornando-os vulneráveis a abusos e sem acesso a tratamento de saúde - são algumas das reclamações feitas pelos trabalhadores.
Fundada em 2020 e com sede em Nova York, a organização China Labour Watch tem monitorado e relatado práticas trabalhistas abusivas nas fábricas de empresas chinesas. Seu relatório foi divulgado inicialmente pelo programa de notícias da rádio pública americana The World, e replicado pelo site de notícias Canadian Broadcasting Corporation - que reforça que as informações não foram verificadas de forma independente por sua equipe de reportagem.
BYD foi condenada por prática semelhante no Brasil
Ainda segundo fontes ouvidas pelo portal canadense, há certa dificuldade em responsabilizar a BYD por conta de seu sistema de contratação de profissionais, sempre por meio de intermediários. Quando algum problema surge, a responsabilidade passa para os contratantes terceiros.
Não é a primeira vez que a BYD é acusada de trabalho forçado em suas fábricas. Aqui, no Brasil, a empresa foi autuada em 2025 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) após investigação que identificou trabalhadores chineses submetidos a condições análogas à escravidão na construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Bahia.
No início de abril deste ano, a BYD foi incluída na Lista Suja do Trabalho Escravo do governo federal, mas obteve decisão liminar da Justiça do Trabalho e teve seu nome retirado da atualização semestral da lista.
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