As piores centrais multimídia dos carros à venda no Brasil: veja a lista do que evitar
Interfaces confusas e telas que travam: veja quais veículos oferecidos no Brasil deixam o motorista na mão
As centrais multimídia deixaram de ser um luxo nos carros zero quilômetro e se tornaram elementos fundamentais do apelo e da dirigibilidade. Mesmo modelos compactos chegam ao mercado equipados com telas maiores, sensíveis ao toque, responsáveis por controlar as principais funções tecnológicas. Mas o avanço da tecnologia também apresenta alguns obstáculos.
Design minimalista ou antiquado demais. Excesso de destaque para funcionalidades pouco importantes enquanto outras essenciais são enterradas em menus e submenus. Componentes com qualidade e velocidade abaixo do esperado. Essas e outras falhas nos projetos fazem com que as telas que deveriam facilitar a vida acabem irritando e confundindo os motoristas.
Pensando nisso, quais são as principais qualidades de uma boa central multimídia?
Um bom hardware é fundamental. É a base para que o resto do sistema funcione bem. A tela também deve ter um bom ângulo de visão e brilho, reconhecimento de toque rápido e responsivo, agilidade para abrir menus e para estabelecer conexões sem fios. Isso inclui as tecnologias do display, processadores, memória, câmeras e demais sensores.
Mais do que isso, o investimento em design de software faz toda a diferença. A melhor interface é uma que reúne todas as informações mais importantes em poucos ícones grandes e intuitivos. Você bate o olho e já sabe: aqui eu ajusto o ar, aqui eu conecto dispositivos, aqui mexo na fonte de áudio, aqui vejo as informações do carro e bateria.
É preciso informar sem sobrecarregar os sentidos do usuário e entender o condutor bem o suficiente para permitir que os recursos naturalmente mais usados pela maioria das pessoas sejam acessíveis com o mínimo de navegação possível.
A partir desses fatores, destacamos sete fatores que prejudicam a boa experiência com as centrais multimídia dos principais modelos à venda no mercado brasileiro.
1 - Lentidão de resposta
Uma central multimídia precisa ser rápida, tanto para reconhecer o smartphone conectado quanto para reagir a comandos feitos pela tela sensível ao toque. Os modelos da Citröen, projetados como opções de entrada da linha da Stellantis, deixam a desejar exatamente nesse quesito. A conexão com os celulares é lenta e às vezes é preciso insistir para que o sistema reconheça um comando.
2 - Imagens com baixa resolução
Foi-se o tempo em que ter uma câmera de ré, por pior que fosse a resolução da imagem, já representava um luxo. Com a concorrência dos modelos chineses, vários deles com câmeras de alta resolução e visão 540º, o que inclui uma projeção aérea do veículo, qualquer modelo com qualidade inferior vira alvo de críticas.
Alguns modelos japoneses, como o Toyota Corolla Cross e o Honda City, pecam justamente por apresentar imagens da câmera de ré com baixa resolução.
3 - Tamanho das telas
É esperado que carros menos sofisticados tenham telas menores, com funções reduzidas. Mas modelos mais caros precisam ter uma central de tamanho razoável, que facilite a navegação e o ajuste das funções.
É o caso do Jeep Renegade, que sempre teve uma central pequena, bem resolvida do ponto de vista de design, integrada ao painel, mas que deixava a desejar no tamanho. Agora, na mais recente revitalização do modelo, ganhou a mesma central do Compass, menos interessante visualmente, mas que cumpre melhor sua função.
O Nissan Kait é outro carro que chegou ao mercado com uma central multimídia um tanto quanto decepcionante. A tela pequena se acumula a uma série de outras questões.
Mas não é preciso exagerar. O elétrico BYD Seal, por exemplo, tem uma tela giratória de 15,6 polegadas que é cômica de tão grande e, apesar de encher os olhos, não entrega grande novidade.
4 - Falta de botões físicos
É natural que as centrais multimídia mais sofisticadas controlem múltiplas funções do carro, de tecnologias de assistência a ajustes básicos, como a regulagem dos retrovisores ou o acerto da temperatura do ar-condicionado. Mas ter botões redundantes facilita o acesso a elementos essenciais sem a necessidade de navegar por menus ou desviar o olho da via por períodos mais longos.
A ausência de comandos para o ar-condicionado, por exemplo, ou para os ajustes do retrovisor são um risco. Tanto que na Europa e na China os órgãos reguladores de trânsito passaram a exigir a volta dos botões. Na China, os efeitos começam a valer a partir de 2027. No velho continente, os carros submetidos ao teste de segurança Europe NCap só receberão cinco estrelas com acesso físico a funções chave.
Quem já dirigiu os novos carros chineses que estão chegando ao mercado brasileiro já percebeu que o design minimalista da cabine tem seus atrativos, mas um botão para aumentar a temperatura do ar-condicionado faz muita falta.
5 - Menus em excesso
Ninguém gosta de ficar procurando a função desejada em menus extensos, especialmente no meio do trânsito.
Com a quantidade de novas tecnologias embarcadas nos carros, de aromas da cabine a luzes que mudam de cor de acordo com o ritmo da música, é necessário que os elementos mais importantes possam ser acessados com rapidez em uma página de atalhos.
O Leapmotor C10, por exemplo, tem muitas soluções interessantes em sua central. Mas regular os retrovisores, por exemplo, requer uma série de cliques no menu, seguidos por ajustes que precisam ser feitos nos botões do volante. Mesmo com um acesso rápido, o processo é longo e pouco prático.
6 - Câmeras invasivas
Modelos mais modernos, com pacotes Adas de assistências ao motorista, estão repletos de funções de segurança. Mas em algumas ocasiões a tecnologia pode atrapalhar. É o caso das câmeras laterais, acionadas quando o motorista faz uma conversão à esquerda ou à direita. A imagem da câmera invade a central e sobrepõe o mapa, o que pode prejudicar a navegação em momentos críticos. Mesmo carros com boas centrais, como o Haval H6, sofrem com esse tipo de imagem invasiva. Por sorte, alguns permitem que o sistema seja desativado.
7 - Conectividade com Apple Car Play e Android Auto
Com a quantidade de modelos chineses que passaram a ser vendidos no Brasil nos últimos anos, muitos carros chegam sem a opção de parear o celular por meio dos aplicativos Apple Car Play e Android Auto - em especial esse último. A ausência de suporte para Android é problemática, especialmente em um país em que 80% da população usa esse sistema operacional, segundo dados do site Statista, focado em análises de mercado, divulgados em 2023.
É o caso do GAC GS4 e do Geely EX5. Ambos chegaram ao Brasil com telas de proporções generosas e uma variedade de funções, mas que pecaram por não oferecer suporte ao Android Auto. Usando aplicativos paralelos, como o CarBitLink, é possível espelhar a tela do celular, mas o cambalacho prejudica a usabilidade do sistema.
Alguns modelos resolvem esse problema com a opção de usar apps populares de forma nativa na própria central. É o caso da Volvo. Em modelos como XC60 e EX90, o condutor pode salvar seus dados do Google Maps para a navegação e até cadastrar seu perfil do Spotify, o que garante acesso fácil a suas músicas favoritas.
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