BYD confirma God's Eye e quer popularizar condução autônoma no Brasil
Sistema avançado de assistência à condução chega ao país a partir de 2027 e marca nova fase da ofensiva tecnológica da marca chinesa
A BYD confirmou a chegada ao Brasil do God's Eye, seu sistema avançado de assistência à condução. A fabricante chinesa pretende democratizar os recursos de direção assistida de nível 2+, inclusive em modelos de entrada como o Dolphin Mini. Os produtos da marca no País começam a receber a novidade em 2027.
Na China, a estratégia já prevê a oferta do sistema até em carros de entrada da fabricante. Para o Brasil, a empresa ainda não detalha quais modelos receberão a tecnologia, nem como será a calibração local, mas o recado dado por Stella Li, vice-presidente executiva global da BYD e CEO da BYD Américas e Europa evidencia que o mercado local está no mapa.
"Hoje, a BYD dá mais um passo na estratégia de direção inteligente com o avanço do sistema God's Eye e das novas tecnologias de assistência à condução. O Brasil faz parte desses planos, e o centro de inovação e P&D no Rio de Janeiro terá um papel importante para apoiar a introdução dessas soluções no mercado brasileiro a partir do ano que vem", afirmou a executiva durante evento na sede da companhia, em Shenzhen, na China.
O movimento é relevante porque a BYD, embora reine com alguma sobra no mercado de veículos eletrificados, nunca foi exatamente a referência mais óbvia quando o assunto era software embarcado, condução inteligente e sistemas avançados de assistência. A marca cresceu no braço pesado da escala industrial, da bateria própria, da verticalização e do preço agressivo. Ainda corria atrás de rivais chinesas e tradicionais nesse departamento.
Esse atraso começou a virar prioridade em setembro de 2023, quando a BYD criou uma equipe dedicada à condução inteligente. Em janeiro de 2024, a empresa anunciou investimento de 100 bilhões de yuans, algo próximo de R$ 75 bilhões, em pesquisa e desenvolvimento de segurança automotiva e sistemas ADAS.
A ofensiva mira a condução inteligente em rodovias, chamada de HNOA, e a navegação autônoma urbana, conhecida como CNOA. O veículo passa a assumir mais tarefas em estradas e também em situações complexas de cidade, sempre dentro dos limites legais e técnicos de sistemas de assistência à condução. Ou seja, não é um "carro que dirige sozinho".
Cobertura total para condução autônoma da BYD
Na China, a BYD também anunciou uma apólice de cobertura total de danos para a função de navegação autônoma urbana. A garantia vale por um ano e se aplica tanto a compradores de veículos novos quanto a proprietários que atualizarem para a versão 5.0 do God's Eye, chamado localmente de Tianshen.
Pela proposta, se houver acidente enquanto o usuário estiver utilizando corretamente a função de navegação autônoma urbana, dentro das leis locais, e a responsabilidade legal recair sobre o veículo, a BYD assume as perdas financeiras resultantes. É uma jogada forte, que funciona como declaração pública de confiança no próprio sistema.
O God's Eye também passa por uma atualização estrutural. A nova fase inclui a arquitetura Xuanji 2.0, uma rede de sensores via satélite, aprimoramento do grande modelo físico de inteligência artificial da companhia e um banco de dados capaz de evoluir a partir de cenários enfrentados no trânsito real.
Na cabine, a evolução aparece no DiLink AI, painel com assistente virtual avançado, comandos de voz proativos e maior capacidade de raciocínio contextual. Na prática, a BYD quer transformar a inteligência artificial do carro em uma espécie de copiloto digital, não apenas em um papagaio eletrônico que abre o teto solar quando entende o comando.
A estrutura do God's Eye é dividida em diferentes níveis. O DiPilot 100 representa a porta de entrada, com funções básicas de NOA. O DiPilot 300 acrescenta condução semiautônoma em rodovias, um LiDAR e chip Nvidia Orin X, com 300 TOPS. Já o DiPilot 600 é o pacote mais sofisticado, com funções urbanas e rodoviárias, múltiplos LiDARs, capacidade para recursos de nível 3 e 508 TOPS.
Durante o evento em Shenzhen, a empresa informou que toda a sua linha de veículos pode ser equipada, de forma opcional, com a versão LiDAR do God's Eye-B.
Xuanji A3
O grande lançamento em hardware foi o Xuanji A3, primeiro processador automotivo de 4 nanômetros desenvolvido na China com foco em direção autônoma. O chip suporta nativamente tecnologias de condução avançada de níveis L3 e L4 e, em uma configuração com três unidades, pode entregar mais de 2.100 TOPS, ou seja, trilhões de operações por segundo.
Produzido em tecnologia de 4 nanômetros, o XUANJI A3 consome 20% menos energia em comparação a componentes similares do mercado e já está em produção em massa. Segundo a BYD, quando trabalha em conjunto com os algoritmos próprios da marca, o processador dobra o aproveitamento computacional do veículo, melhora a margem de segurança e aumenta a velocidade de resposta nas ruas.
Ainda faltam, contudo, respostas importantes. Quais modelos brasileiros receberão primeiro o God's Eye? Quais funções serão liberadas no País? Como o sistema vai lidar com sinalização ruim, motoqueiro no corredor, faixa apagada, avenida esburacada e aquele pedestre que atravessa olhando para o celular como se tivesse seguro de vida infinito?
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