Motorista ligado a Daniel Vorcaro registrou visitas a gabinetes de quatro deputados, incluindo dois parlamentares gaúchos
Até o momento, não há indicação de que os parlamentares sejam investigados em relação ao caso
Registros da Câmara dos Deputados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) apontam que Sidney Santos, conhecido como "Kiko" e ex-motorista do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, realizou visitas a quatro gabinetes de deputados federais em fevereiro de 2024. Conforme reportagem do Metrópoles, o motorista informou na portaria que se dirigiria aos gabinetes dos deputados Geraldo Mendes (União-PR), Benes Leocádio (União-RN), Pedro Westphalen (PP-RS) e Sanderson (PL-RS). Todos os parlamentares afirmaram não conhecer Sidney Santos ou negaram ter se reunido com ele.
Sidney Santos é citado indiretamente em uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas relacionadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo a decisão, o motorista era responsável por transportar minutas de projetos de lei entre Daniel Vorcaro e o senador. Os documentos tratavam de propostas sobre a regulamentação do mercado de créditos de carbono, tema de interesse de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro. Sidney, no entanto, não figura como investigado no caso.
A decisão do STF também menciona que Daniel Vorcaro teria orientado cuidados para evitar que o motorista relacionasse os documentos ao parlamentar ou ao Banco Master. Em contato com a reportagem, Sidney Santos limitou-se a afirmar que queria "distância desse povo" antes de encerrar a conversa. Os registros da Câmara indicam visitas aos gabinetes entre os dias 7 e 20 de fevereiro de 2024.
Em notas enviadas ao Metrópoles, Sanderson e Pedro Westphalen afirmaram que não receberam o motorista e destacaram que o registro na portaria não comprova a entrada efetiva nos gabinetes. Benes Leocádio informou que sequer estava em Brasília na data mencionada, enquanto Geraldo Mendes afirmou que o registro foi realizado unilateralmente na portaria, sem autorização do gabinete, e anunciou que buscará imagens das câmeras internas para esclarecer os fatos. Até o momento, não há indicação de que os parlamentares sejam investigados em relação ao caso.
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