Mario Tennis Fever fornece boas partidas de tênis, mas não é um Grand Slam
O novo game de tênis estrelado por Mario é divertido, embora não tenha a mesma profundidade dos anteriores
O ano começou esportivo no Switch 2, com Mario e seus amigos entrando em quadra para animadas partidas de tênis que incluem raquetadas explosivas, truques sujos e armadilhas já tradicionais do universo do encanador italiano.
Os jogadores podem se preparar para disputas intensas, e por vezes até estratégicas, com viradas surpreendentes, que têm potencial para entregar boa diversão. Ainda assim, apesar da boa técnica, faltaram alguns toques para fazer o game se destacar neste gênero.
Entrando em quadra
Curiosamente, a franquia Mario Tennis surgiu no Virtual Boy (que acabou de ser adicionado à biblioteca do Nintendo Switch Online e que ainda não está disponível no Brasil), mas foram as versões Nintendo 64 e Game Boy Color de Mario Tennis que ganharam fama mundial por causa da integração de ambos via Transfer Pak, o que habilitava vários desbloqueáveis e a possibilidade de transferir personagens entre os dois games.
Posteriormente, o Game Boy Advance e o GameCube receberam excelentes títulos, que apesar de não terem a integração presente no Nintendo 64 e Game Boy Color, ganharam bastante em jogabilidade (em especial o Mario Power Tennis, de GameCube) e novos conteúdos.
Mario Tennis Fever, por sua vez, tentou ser uma combinação de todos esses elementos mencionados acima, e em certo grau até conseguiu atingir esse objetivo. Graficamente, é o game mais belo da franquia, com as diferentes quadras cheias de detalhes e animações secundárias em seus entornos, e os temas relativos ao universo Mario bastante característicos e facilmente reconhecíveis.
Cores, efeitos de luz e sombra e texturas são graciosos e já se mostram bastante superiores ao que o primeiro Switch podia exibir. Os personagens também são muito bem animados e estão bastante expressivos em todos os momentos das partidas, cheios de caretas e gestos dramáticos nas derrotas e vitórias.
A trilha sonora, por outro lado, é discreta e surpreendentemente não apresenta remixes de músicas famosas dos games de Super Mario, com exceção de uma faixa presente em uma quadra com tema do Super Mario Wonder.
Por sinal, a Flor Tagarela, personagem desse jogo, se tornou o narrador das partidas de tênis, e seu dublador na versão em português brasileiro apresentou uma narração energética e cheio de tiradas engraçadas, destaque à uma homenagem ao falecido narrador esportivo Silvio Luiz através da frase-bordão "confira comigo no replay!". Ainda assim, por contar com poucas variações de frases, a narração se torna rapidamente repetitiva e perde sua graça em pouco tempo.
Tênis em febre
Mario Tennis Fever mostra seu brilho assim que entra em quadra. A movimentação e os golpes típicos do tênis (top spin, slice, deixadinha, etc) têm controles precisos e a disposição de botões é fácil de ser decorada. O analógico do Joy-Con 2 pega bem mesmo nas diagonais mais íngremes, e jogadores mais habilidosos não terão problemas em criar nuances nas curvas das raquetadas.
E por falar em raquetes, ao invés de cada personagem ter um golpe próprio, Mario Tennis Fever implementou um sistema de "Raquetes eufóricas", que quando o jogador aplica um golpe especial (chamado pelo jogo de "golpe eufórico"), gera efeitos na quadra como uma poça de lama que pode afundar a bola, gelar o chão tornando-o escorregadio, campos de choque, etc. Mas esses golpes não são uma vantagem automática, pois caso sejam defendidos antes da bola quicar na quadra, o jogador e o adversário entram em uma disputa particular com tentando jogar a "batata quente" e bagunçar a área do outro.
Além das raquetes, assim como em jogos anteriores, os personagens de Mario Tennis Fever têm diferentes atributos de movimentação e a forma como executam ou respondem aos golpes dos adversários, o que faz com que uma infinidade de combinações de personagens e raquetes eufóricas esteja à disposição para os jogadores experimentarem. As tradicionais partidas em duplas ainda adicionam uma camada extra a essa exploração, que somadas com os diferentes tipos de terrenos (que modificam como a bola reage às raquetadas), tornam o sistema de jogo de Mario Tennis Fever bem dinâmico e interessante de se jogar.
Estranhamente, porém, o jogador somente pode optar por utilizar controles por movimento em modos de multiplayer local, o que é uma pena, pois esse tipo de controle também funciona bem. Em compensação, os jogadores do Switch original podem experimentar Mario Tennis Fever através do modo Game Share, em que um jogador de posse do Switch 2 pode transmitir localmente Mario Tennis Fever a até 3 amigos, resgatando uma antiga funcionalidade muito legal que era típica de games do Nintendo DS.
Infelizmente, porém, a profundidade experimentada nas partidas em si ficou um tanto ausente do game como um todo. Diferentemente dos primeiros games da série, que contavam com modos de campanha caprichados, o de Mario Fever se mostra bastante limitado. O modo Aventura de Mario Tennis Fever se resume a uma longa sequência de tutoriais e mini-games que mais parecem versões simplificadas dos mini-games de Mario Party. Da metade para frente, o modo até esboça uma aventura, mas logo cai na mesma repetição e falta de imaginação.
O jogo conta com apenas 3 níveis de torneios (cogumelo, flor e estrela), e mais alguns modos de desafios e partidas temáticas, cuja variedade também se esgota rapidamente. Por fim, sobra o modo online com partidas de simples e duplas, e apesar de contar com um ranking, não há nenhum tipo de torneio online à disposição.
Considerações
Mario Tennis Fever é mais uma boa opção de jogo esportivo/temático disponível para Switch 2. Porém, se por um lado o game apresenta um gameplay divertido e várias qualidades, ele não conseguiu ter a mesma profundidade de jogos como Mario Kart World e Kirby Air Riders. Talvez com mais alguns toques e adições, o game pudesse ser um craque do gênero.
Esta análise foi feita com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Nintendo.