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Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties refina um momento chave da trajetória de Kiryu

Remake preserva o peso da história original, adiciona conteúdo relevante, mas faz escolhas que podem dividir os fãs mais antigos

9 fev 2026 - 11h58
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Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties refina um momento chave da trajetória de Kiryu
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties refina um momento chave da trajetória de Kiryu
Foto: Reprodução / Sega

Remakes viraram algo comum na indústria, principalmente quando falamos de franquias longas que carregam história e expectativa. Não se trata só de melhorar gráfico ou atualizar controle, mas de decidir o quanto mexer sem perder o que fez aquele jogo funcionar no passado. Em séries consolidadas, esse equilíbrio costuma ser o maior desafio.

Com Yakuza, os Kiwami sempre seguiram esse caminho. Eles mantêm a espinha dorsal dos jogos originais, mas adicionam conteúdo, ajustes e histórias paralelas que mudam a experiência sem apagar a memória do jogo antigo. Kiwami 3 entra exatamente nesse espaço, tentando modernizar um dos capítulos mais importantes da saga do Kiryu sem descaracterizar o que fez o terceiro jogo ser lembrado até hoje.

O Dragão de Dojima e o Guardião do Clã Tojo 

Yakuza Kiwami 3 é um remake completo do terceiro jogo da aclamada série da Sega e da Ryu Ga Gotoku Studio. Seguindo os eventos do título anterior, após todo o embate com Ryuji Goda e Daigo assumindo de vez o Clã Tojo, Kazuma Kiryu finalmente encontra um momento de paz, podendo aposentar o terno para cuidar da Haruka e das crianças que vivem no Orfanato Glória da Manhã, em Okinawa.

Mas é claro que esse período tranquilo não duraria muito. Novas figuras surgem para tomar o controle de áreas importantes de Okinawa, especialmente a região onde o orfanato está localizado. Ao mesmo tempo, problemas começam a se desenrolar dentro do Clã Tojo após Daigo ser baleado por uma figura do passado que, teoricamente, não deveria estar viva. No centro de tudo está Yoshitaka Mine, o principal antagonista da vez, alguém disposto a levar Kiryu ao limite para colocar seu plano em prática.

Uma adição mais que bem-vinda para o Kiwami 3 é a Dark Ties. Diferente da Majima Story no Kiwami 2, em que era preciso avançar na campanha principal para liberar novos capítulos do conteúdo extra, a Dark Ties já está disponível desde o início. Nessa história inédita, acompanhamos a ascensão do Mine dentro da Yakuza até ele alcançar a posição que conhecemos no jogo base, mostrando tudo o que ele precisou enfrentar para chegar ali.

É possível adquirir uma camisa próxima a que Kiryu usava no Yakuza 3 original
É possível adquirir uma camisa próxima a que Kiryu usava no Yakuza 3 original
Foto: Reprodução / Matheus Santana

No papel, a história principal do Kiwami 3 segue basicamente a mesma do jogo original lançado em 2009, mas com mudanças visuais em personagens importantes como Rikiya e Nakahara. O problema é que essas alterações não ficam apenas no visual, já que o jogo sofre com alguns retcons bem desnecessários, que levantam dúvidas sobre o que exatamente a RGG pretende com essas decisões. 

Ainda assim, os momentos que tornam Yakuza 3 especial seguem intactos, principalmente tudo que envolve o orfanato. A Dark Ties tem uma duração honesta e funciona muito bem ao explorar um lado pouco aprofundado do Mine, adicionando peso ao personagem e enriquecendo o conjunto da experiência.

Repaginada geral 

Já é de praxe saber que Yakuza é sinônimo de quantidade e qualidade quando se trata de conteúdo secundário, e Kiwami 3 não fica muito atrás nem mesmo da última entrada numerada da franquia. Os dois mapas disponíveis para exploração são a clássica Kamurocho e a pequena Okinawa, que se divide entre a área do orfanato, com uma bela vista da praia, e a cidade em si, conhecida como Ryukyu, com um grande mercadão movimentado, além de ruas e vielas para explorar.

Ambos têm em comum as missões secundárias, que marcam o retorno de algumas do jogo original, como a de levar sorvete após o pedido de uma mãe, tomando cuidado para que ele não caia, além de apresentarem novidades, como a missão envolvendo uma revista adulta encontrada na praia, em que Kiryu precisa fazer de tudo para escondê-la das crianças.

As missões secundárias continuam com o bom humor característico da franquia
As missões secundárias continuam com o bom humor característico da franquia
Foto: Reprodução / Matheus Santana

Claro que algumas das novas adições de Kiwami 3 podem ser consideradas um pouco requentadas, já que reaproveitam ideias de modos que apareceram em outros Yakuza. No próprio Glória da Manhã, por exemplo, temos o Ranque do Papai, que reúne uma série de minijogos.

A principal novidade é o trabalho com a máquina de costura, enquanto outras atividades são mais familiares, como ajudar as crianças com a lição de casa, algo que lembra bastante o minigame visto em Yakuza 7 e Infinite Wealth, onde Ichiban responde perguntas de conhecimento geral, matemática e outros temas. A diferença aqui é que as perguntas são mais simples, pensadas justamente para o contexto das crianças que Kiryu cuida.

Além desses afazeres, o orfanato também conta com outras tarefas, como cuidar da horta e alimentar os animais que ficam em um pequeno rancho nos fundos do Glória da Manhã. Tudo o que plantamos e colhemos ali pode ser usado para cozinhar, o que impacta diretamente no ranque de papai do Kiryu, ou trocado com a vizinhança para aumentar o vínculo com eles e conseguir uma grana extra. Esse dinheiro pode ser usado para melhorar a colheita, ampliar o espaço da horta e adquirir mais animais.

O terceiro jogo mostra o lado mais amoroso do Kiryu por conta do orfanato
O terceiro jogo mostra o lado mais amoroso do Kiryu por conta do orfanato
Foto: Reprodução / Matheus Santana

Para quem gostou e se dedicou bastante aquele quase Animal Crossing presente em Infinite Wealth, todas essas mecânicas do orfanato vão ser um prato cheio. Elas funcionam como uma versão mais leve da ilha cuidada pelo Ichiban. Aumentar o vínculo com as crianças nessa nova versão de Yakuza 3 é, sem dúvida, um grande acerto. Nos jogos seguintes, Kiryu fala muito sobre a importância do orfanato em sua vida, mas raramente temos interações reais ou cuidados diretos com elas. 

É justamente no terceiro jogo que isso ganha mais espaço por meio das missões secundárias. Kiwami 3 mantém essas missões e consegue preencher muito bem essa lacuna, ao incentivar o jogador a fortalecer o vínculo com as crianças para entender melhor o que elas enfrentam quando Kiryu não está por perto, dando a atenção que faltava em outros títulos da série.

Uma adição na exploração que quase funciona como substituta do Revelations, introduzido originalmente em Yakuza 3, é o LaLaLa Loveland. Trata-se de uma espécie de rede social em que Kiryu adiciona NPCs encontrados nas duas cidades. No geral, esse sistema não chega aos pés do Revelations, que realmente ajudava a descobrir novos golpes e ainda rendia cenas cômicas. O LaLaLa Loveland acaba sendo mais limitado, já que se resume a aumentar a lista de amizades e desbloquear os três níveis de vínculo apenas para descobrir preferências desses personagens, sem oferecer benefícios práticos em troca.

A relação de pai e filha entre Kiryu e Haruka é um dos pontos que mais se fortalece ao longo da história
A relação de pai e filha entre Kiryu e Haruka é um dos pontos que mais se fortalece ao longo da história
Foto: Reprodução / Matheus Santana

Mas o principal conteúdo secundário, e também o mais recheado pelo volume de coisas que oferece, é o Dragão Marginal. Ele funciona basicamente como um duelo entre delinquentes na cidade de Ryukyu, onde nosso objetivo é levar o grupo das Garotas Haisai, liderado por Tsubasa, até o topo.

Esses delinquentes seguem aquele visual clássico de gangues de motoqueiros já visto em outros jogos da série, com roupas largas abertas e faixas pelo corpo, que obviamente são inspirados nos Yankii da própria cultura japonesa. Cuidar desse grupo rende horas de conteúdo, envolvendo o recrutamento de novos membros, a evolução deles, disputas por território contra outros esquadrões ao invadir suas bases e, claro, o enfrentamento dos grupos mais fortes para subir no ranking e se aproximar do posto de gangue dominante da cidade.

A história do Dragão Marginal é bem única e se aproxima de outras sub-histórias marcantes da franquia, como o cabaré do Majima em Yakuza 0, a empresa do Ichiban em Yakuza 7 e o Four Shine de Kiwami 2. Tudo isso reforça como a RGG sabe criar conteúdos paralelos diferenciados como poucas desenvolvedoras no mercado.

Dragão Marginal conta com uma grande quantidade de personagens para desbloquear
Dragão Marginal conta com uma grande quantidade de personagens para desbloquear
Foto: Reprodução / Matheus Santana

Sobre o conteúdo que envolve o Mine, ele segue uma estrutura já conhecida do coliseu e das masmorras vistas em outros jogos da série. Já o Controle de Danos de Kanda funciona de forma bem próxima ao que foi apresentado em Yakuza Gaiden, com uma lista de afazeres que lembra bastante a dinâmica da Akame. Ainda assim, mesmo partindo de ideias já exploradas, é um conteúdo divertido de jogar, principalmente tudo que gira em torno do Kanda, já que ele é um personagem consistente dentro da história principal do Kiryu.

O combate de Kiwami 3 não foge muito do que já vimos em Yakuza Kiwami 2, Yakuza 6 e Gaiden, e isso é um ponto bastante positivo. Ele ainda fica um degrau abaixo do combate de Lost Judgment, mas o do Kiwami 3 pode sentar na mesma mesa que ele dessa vez.

Mine e Kiryu possuem estilos próprios de luta. Kiryu segue com o tradicional estilo Dragão de Dojima, focado em socos e pontapés, agora com uma presença maior de golpes de wrestling, como o powerbomb. A principal novidade para ele é o Estilo Ryukyu, baseado nas artes marciais de Okinawa, que permite o uso de bastões, nunchakus, foices e até um escudo durante os confrontos. Mine, por sua vez, adota um estilo mais próximo de um pugilista, algo que combina bem com o contexto do personagem e com o período em que sua história se desenvolve.

Cozinhar para as crianças envolve uma série de afazeres, como quebrar ovos e cortar os ingredientes
Cozinhar para as crianças envolve uma série de afazeres, como quebrar ovos e cortar os ingredientes
Foto: Reprodução / Matheus Santana

A única coisa no combate que ainda soa um pouco estranha ao comparar com a versão clássica do terceiro jogo é algo que os fãs apelidaram de “Blockuza 3”, pela tendência dos inimigos iniciarem os confrontos sempre na defensiva. Em algumas situações isso ainda acontece e continua sendo um pouco chato quebrar a guarda dos adversários, mesmo com o combate atualizado. Felizmente, esses momentos são raros e passam mais a sensação de uma referência ao passado do que de algo feito para frustrar o jogador.

Por fim, falando dos gráficos e do desempenho, não há muito o que reclamar, já que o jogo rodou muito bem até mesmo no Steam Deck. Visualmente, dá para entender por que algumas pessoas usam o termo “soulless” em certos momentos, pois em algumas cenas, principalmente nas lutas na Millennium Tower, fica a sensação de que o jogo original tinha mais charme, enquanto o remake parece focar apenas em deixar tudo bonito, mas um pouco vazio. 

Algo que também vem desde o segundo Kiwami e dos jogos mais recentes da série é o uso exagerado de filtros na transição das cenas para a jogabilidade, já que é bem visível quando esse efeito ativa e desativa. O Kiwami 3 não foge disso, apostando em um tom mais azulado que soa desnecessário, especialmente porque o jogo já é visualmente bonito mesmo sem esse recurso.

Considerações 

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties - Nota 9
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties - Nota 9
Foto: Divulgação / Game On

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties amplia bastante o escopo do jogo original ao investir mais em atividades paralelas e em sistemas que ajudam a sustentar o ritmo da experiência. O orfanato passa a ter um papel mais ativo, o conteúdo secundário é mais encorpado e adições como a Dark Ties ajudam a preencher lacunas deixadas pela versão de 2009, sem descaracterizar o que já funcionava. É um remake que se preocupa em oferecer mais camadas para quem já conhece o jogo, mas também deixa a experiência mais redonda no geral.

As alterações de roteiro e os retcons, no entanto, dificilmente vão agradar todos os fãs, especialmente quem guarda uma relação mais próxima com o jogo original. Ainda assim, o conjunto se sustenta bem graças às melhorias de jogabilidade, a quantidade de conteúdo e a forma como os momentos mais importantes permanecem intactos. No fim, Kiwami 3 se firma como uma releitura sólida, que moderniza o terceiro capítulo sem apagar o peso que ele sempre teve dentro da série.

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties chega em 12 de fevereiro para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch 2, Xbox One e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Sega.

Fonte: Game On
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