Quem é Marc Kennedy? Canadense é acusado de trapaça e causou discórdia no curling
Acusado de trapaça por adversário sueco, Kennedy busca bicampeonato olímpico em Milão-Cortina
O curling é um esporte que não precisa de árbitros quase todo o tempo. Os juízes só intervém quando é necessário medir a distância entre pedras lançadas. Isso pode mudar a partir de uma confusão cujo protagonista é o campeão olímpico Marc Kennedy.
O canadense é acusado de trapacear na partida entre Canadá e Suécia, pelos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina-2026. Segundo o sueco Oskar Eriksson, Kennedy teria tocado na pedra após o lançamento, o que é irregular.
"Nós gostamos da ideia da autoadministração. Se alguém faz algo incomum, é gerenciado no momento e passamos para outra coisa, sem necessidade de árbitros para dirigir nosso esporte", disse.
Esta é a quarta Olimpíada do atleta de 44 anos. Ele esteve antes em Vancouver-2010, Pyeongchang-2018, Pequim-2022. Na estreia, foi campeão junto da seleção canadense. Outra medalha, de bronze, veio na China.
Kennedy também é bicampeão mundial. Ele integrou a seleção canadense nos Mundiais de Grand Forks, em 2008, e Basel, em 2016.
O jogador de curling tem ainda uma sólida carreira por clubes no Canadá. Em 2019, uma pesquisa da TV canadense TSN, com locutores, repórteres e atletas, o elencou como o maior "segundo" (posição do curling) canadense da história.
Kennedy fez uma pausa na carreira entre o fim da temporada 2017/18 e o começo de 2019 para se recuperar de lesões e dedicar tempo à família. Ele chegou a assumir o cargo de consultor de desempenho do programa da seleção canadense de curling.
O talento veio da prática. Ele começou a praticar o esporte com apenas seis anos. "Sinto que o curling estava enraizado em mim quando eu era jovem e se tornou uma parte de quem eu sou", disse, em 2021, site da Olimpíada de Pequim-2022.
"Para mim, (a razão) foram as pessoas. As pessoas com quem eu mais me conectei foram no clube de curling. E isso nunca mudou", concluiu.
O esporte também está na família. A tia de Kennedy, Janice, é maratonista aquática. Ela já registrou bons resultados no 11.8km Skaha Lake Ultra Swimis, prova anual em Penticton, na Columbia Britânica, no Canadá.
O irmão mais velho, Glen Kennedy, também jogou curling. Ele chegou a competir junto do mais novo, e terminaram em segundo no Campeonato Canadense Junior de 1998.
Kennedy também jogou futebol canadense (semelhante ao futebol americano). Ele foi quarterback no time da escola em que estudou e pelo Edmonton Huskies, time júnior de Edmonto, na província de Alberta.
Da mesma forma, os hobbies de Kennedy são esportivos. Ele gosta de escalada, golfe e ciclismo. Além disso, é Bacharel em Comércio pela Universidade de Alberta.
Kennedy atuou como empresário em diferentes momentos. Ele já teve uma franquia da rede de varejo M&M Food Market até a vender em 2012, para focar no curling. Ele também já trabalhou como corretor de imóveis.
Após a polêmica na partida contra a Suécia, veio uma nova polêmcia. Kennedy foi acusado de trapaça pelos suíços, na vitória canadense por 9 a 5.
"Eu vi (Kennedy fazer isso) quando o árbitro estava ao meu lado", disse o suíço Pablo Lachat-Couchepin à BBC Sport. "Eu realmente acredito que não faz diferença nenhuma, não altera a pedra, mas quando um árbitro estiver analisando, ele deveria ver."
"Fiquei um pouco irritado e disse ao árbitro principal que, se enviassem um e-mail, teriam que seguir o que está escrito. Não tenho nada contra o Marc, mas é preciso seguir a regra", completou.
Após o final das partidas, os jogadores assinam uma súmula, concordando com o resultado. Depois da acusação dos suecos, a World Curling chegou a reiterar que "as decisões tomadas durante um jogo são finais" e que não utiliza replays em vídeo para reavaliações.
Os canadenses, segundos colocados no ranking mundial do curling, são candidatos ao título olímpico.