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Jogos Olímpicos de Inverno começam nesta sexta-feira com críticas de ambientalistas

Os Jogos Olímpicos de Milão-Cortina reunirão cerca de 3.500 atletas ao longo de 16 dias de competições. Em um formato inédito, as provas acontecem em sete localidades diferentes, modelo escolhido pelos organizadores por razões de sustentabilidade. Ambientalistas, no entanto, apontam contradições neste discurso.

5 fev 2026 - 12h32
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Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão

Vila Olímpica de Cortina D’Ampezzo.
Vila Olímpica de Cortina D’Ampezzo.
Foto: © Divulgação COB / RFI

 As competições já começaram nesta semana. Na quarta-feira (4), tiveram início as provas de curling, seguidas, nesta quinta (5), pelas disputas de hóquei no gelo e snowboard. No entanto, a cerimônia de abertura, que marca o início oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno, será realizada nesta sexta-feira (06), às 20 horas no horário local.

O evento acontece no estádio San Siro, em Milão, com um público estimado em 70 mil espectadores, e tem como tema "Harmonia". A programação inclui apresentações de artistas italianos renomados, como Andrea Bocelli e Laura Pausini, além de atrações internacionais, como Mariah Carey.

Trata-se de um evento de grande porte, com cerca de 1.300 membros do elenco, incluindo voluntários, além de uma equipe operacional de cerca de 950 pessoas.

Uma das principais novidades da cerimônia de abertura desta edição é o formato do desfile dos atletas. Como as competições estão espalhadas por diferentes cidades da Itália, o desfile também será dividido. As delegações vão desfilar nos mesmos locais onde irão competir, evitando deslocamentos entre cidades. O desfile acontece em Milão, Predazzo, Livigno e Cortina d'Ampezzo.

A decisão de espalhar as competições tem um motivo principal: sustentabilidade. Com esse modelo, a organização optou por utilizar, em parte, estruturas já existentes. Em Milão, ficam as provas realizadas em recintos fechados, enquanto as modalidades de montanha estão distribuídas pelo norte da Itália. No total, cerca de 85% dos locais de competição já existiam antes dos Jogos, segundo os organizadores.

Além disso, a organização apostou no uso de energia renovável, em tecnologias sustentáveis para a produção de neve e na reutilização de materiais dos Jogos Olímpicos de Verão de Paris 2024.

Apesar das iniciativas anunciadas, grupos ambientalistas apontam contradições. Nesta semana, o Greenpeace lançou um apelo para que o Comitê Olímpico encerre o patrocínio da Eni, uma das maiores empresas de gás e petróleo do mundo. Segundo a organização, as operações da empresa com combustíveis fósseis contribuem para o aquecimento global, justamente o fenômeno que ameaça esportes dependentes de neve.

Já a ONG italiana Legambiente diz que as promessas de sustentabilidade não se concretizaram e criticam as obras realizadas. "A escolha de apostar em obras repetidamente criticadas também por associações e comunidades locais - como, por exemplo, a nova pista de bobsled em Cortina, o teleférico Apollonio-Socrepes ou ainda as numerosas infraestruturas rodoviárias que estão sendo priorizadas em detrimento das ferroviárias - demonstra como estas Olimpíadas se baseiam em um modelo de gestão territorial míope e obsoleto", diz o comunicado.

Dos 98 projetos de infraestrutura previstos para os Jogos de Inverno, apenas 40 ficaram prontos a tempo, segundo a SIMICO, sociedade italiana responsável pelas obras. Outros 29 seguem em construção, 27 estão na fase de projeto e 2 em licitação.

Brasil terá a maior delegação da história

O Brasil participa dos Jogos de Inverno com 14 atletas, a maior delegação da sua história. O país vai competir em cinco modalidades: bobsled, esqui alpino, esqui cross-country, skeleton e snowboard.

Esta será a décima participação brasileira em Olimpíadas de Inverno e, pela primeira vez, o país chega com chances reais de disputar medalhas. Até hoje, o Brasil nunca subiu ao pódio em Jogos de Inverno.

O principal destaque é Lucas Pinheiro Braathen, do esqui alpino. Atualmente, ele ocupa a segunda posição no ranking mundial da modalidade e, somente nesta temporada, subiu ao pódio cinco vezes. Outro nome importante é o de Nicole Silveira, do skeleton. Ela disputa sua segunda Olimpíada e ocupa, no momento, o nono lugar na classificação geral da modalidade.

O Chefe de Missão do Brasil nos Jogos de Milão-Cortina, Emílio Strapasson, afirmou à RFI que a expectativa é de que os Jogos de 2026 traga maior visibilidade para os esportes de inverno.

"Apenas o fato de o Brasil chegar com chances de disputar um lugar no pódio já é histórico e traz muita atenção. A gente vai ter uma cobertura inédita com quatro grandes canais cobrindo praticamente todos os Jogos Olímpicos. A gente percebe já um aumento significativo número de pessoas acompanhando e conhecendo as nossas modalidades. Isso, com certeza, vai ampliar o interesse de potenciais patrocinadores e de investimento privado", afirmou.

Emílio, que foi o primeiro atleta de skeleton do Brasil e chegou a ficar entre os 30 melhores do mundo, destaca que, na última década, o país passou por uma evolução significativa na estrutura dos esportes de inverno.

"Três ou quatro ciclos [olímpicos] atrás, até quando eu parei em 2013, eu não conseguia ver, em um cenário de curto prazo, essa situação que a gente está vivendo. Me lembro muito que quando a gente começou era uma dificuldade até dentro do próprio Comitê Olímpico compreender a importância, a relevância dos Jogos Olímpicos de Inverno. O que mudou completamente no nos últimos anos. Espero que a gente consiga proporcionar aos atletas o melhor ambiente possível pra que eles desempenhem [bem] e realizem seus sonhos lá na Itália", disse Emílio.

Os primeiros atletas brasileiros a entrarem em ação serão Manex Silva, Eduarda Ribera e Bruna Moura, que representam o país nas provas de esqui cross-country, marcadas para ter início próxima terça-feira (10).

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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