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Treinador filmou escondido jogadoras de clube checo no chuveiro por 4 anos: 'Não vimos a câmera'

Atleta revela como descobriu gravações secretas feitas por Petr Vlachovsky; sindicato pede banimento definitivo do técnico

12 mai 2026 - 15h26
(atualizado às 15h35)
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A ex-jogadora do clube Slovacko, da primeira divisão feminina da República Checa, Kristyna Janku, revelou detalhes do caso envolvendo o técnico Petr Vlachovsky, que filmou escondido atletas no chuveiro durante quatro anos. Em entrevista ao jornal checo Seznam Zpravy, a atleta contou o impacto da descoberta e cobrou medidas mais duras para evitar novos episódios semelhantes no esporte.

Técnico Petr Vlachovsky foi proibido de treinar na República Tcheca por cinco anos.
Técnico Petr Vlachovsky foi proibido de treinar na República Tcheca por cinco anos.
Foto: Reprodução / FC Slovácko / Estadão

Segundo Kristyna, ela e outras companheiras só souberam da existência das gravações ao serem chamadas para prestar depoimento em uma delegacia. As atletas precisaram assistir aos vídeos para confirmar suas identidades.

De acordo com o relato, o treinador ainda compartilhava os conteúdos com outro homem pela internet. Kristyna contou que recebeu um alerta de um policial durante a investigação.

"O policial me avisou: 'Você é a pessoa mais comentada nessas conversas'. Foram coisas realmente repugnantes", disse.

A atleta atuou por mais de dez anos no Slovacko e afirmou que jamais desconfiou do comportamento do treinador durante o período em que trabalharam juntos. "Éramos como uma grande família. Durante todo o tempo, era como se ele fosse outra pessoa. Ele tinha uma segunda personalidade", declarou.

Petr Vlachovsky foi condenado pelo crime e por posse de material de abuso sexual infantil, mas, apesar da gravidade do caso, teve sua prisão suspensa e foi proibido de exercer funções como treinador na República Checa por apenas cinco anos. A decisão gerou críticas da Associação Tcheca de Jogadores de Futebol, que defende uma punição permanente e válida internacionalmente.

Marketa Vochoska Haindlova, representante da entidade, afirmou que existe preocupação com a possibilidade de o técnico continuar trabalhando em outros países: "Não deveria ser possível, como nesse caso, que o treinador simplesmente mude de um continente para outro e faça o que bem entender", afirmou.

Kristyna disse que decidiu tornar o caso público para tentar proteger outras atletas e ampliar a discussão sobre segurança no ambiente esportivo.

"Paradoxalmente, isso está me ajudando, transformando o negativo em positivo, quando vejo que podemos tentar trazer alguma mudança. Não quero que nenhuma outra menina ou mulher no futebol, ou em qualquer outro esporte, seja prejudicada dessa forma", concluiu a jogadora.

Estadão
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