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Política e Finanças: O que levou a Porsche a sair do WEC

Após discussão, Porsche anuncia saída do WEC no fim do ano. O que levou a marca a tomar esta decisão

7 out 2025 - 15h33
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Porsche anuncia saída da WEC
Porsche anuncia saída da WEC
Foto: Paulo Abreu

O que era um bochicho, se confirmou nesta terça (07/10): a Porsche anunciou sua saída na classe Hypercar no FIA WEC. Era um movimento que vinha se configurando nos bastidores e, de certa forma, foi inesperado para os fãs de velocidade.

Para quem acompanha as notícias do Endurance, era uma carta que estava na mesa. E vem em um momento em que as corridas de longa duração vem ganhando cada vez mais espaço perante o público. E a Porsche foi um dos estandartes deste renascimento com o anúncio da entrada do 963 na nova fase regulamentar.

No anúncio, a Porsche declarou que seguirá alinhando os 963 com a Penske no IMSA e não descarta um retorno no futuro, focando a atuação neste curto no campeonato estadunidense e na Fórmula E, onde os alemães confirmaram a participação no GEN4.

Basicamente, dois fatores levaram a Porsche a deixar o FIA WEC neste momento: Política e Finanças. A saber:

Política: o grande problema aqui é a existência do Balanço de Performance, o famigerado BoP. Embora os parâmetros usados por IMSA e FIA/ACO sejam os mesmos, a aplicação é diferente. No IMSA, é levado mais em consideração as condições de cada pista e a ação de pista. O FIA/ACO mudou a sistemática para este ano e criou algumas distorções ao longo do ano.

A Porsche questionou muito nos bastidores, já que a FIA/ACO não permite discussões públicas sobre o assunto. O equilíbrio entre os LMH (Ferrari, Peugeot e Toyota) e LMDh é complicado e os alemães se sentiram prejudicados, especialmente em Le Mans, onde ficaram na segunda posição.

Nesta linha, a Porsche recebeu com bons olhos a ideia da extensão do regulamento até 2032. Entretanto, uma das apostas era buscar, se não a unificação de plataformas, uma maior convergência entre as existentes, bem com a questão das atualizações. Afinal de contas, várias marcas chegam com carros novos e, no caso da Porsche, o 963 está em sua terceira temporada e com um pacote de atualizações utilizado.

Na briga de detalhes, a Porsche optou por neste momento ficar onde o alinhamento técnico é menos complicado até a situação no FIA WEC fique mais clara.

Financeiro: quando a maré fica a favor, tudo fica mais fácil. Foi neste cenário que a Porsche decidiu voltar aos protótipos. Embora a plataforma LMDh (Regulamento IMSA) seja mais barata de desenvolver por utilizar um sistema híbrido mais simples e único para todos, os custos de um projeto como o 963 são altos.

O preço de tabela de um 963 é 2,8 milhões de euros. No caso do FIA/WEC, mesmo tendo a Penske como parceira e operadora, o custo fica em cerca de 60 milhões de dólares para a temporada, fora os desenvolvimentos. 

Até pouco tempo atrás, a Porsche vinha batendo recordes de vendas e faturamento. Porém, com a alta aposta na eletrificação da linha não trazendo os resultados esperados, a alta de custos na Alemanha, o esfriamento do mercado chinês e a introdução de tarifas de importação nos Estados Unidos, seu principal mercado, levou à reversão de expectativas. Não só da Porsche, mas de como todo o grupo Volkswagen.

Diante do quadro, os investimentos passam a ser vistos com lupa de aumento. E, embora hoje o CEO do Grupo Volkswagen seja oriundo da Porsche, tudo deve ser revisado. Afinal de contas, no caso do Hypercar, se faz a avaliação: investe-se em uma atualização do 963? Se desenvolve um carro novo? Tudo isso custa dinheiro.

Mesmo no anúncio de hoje, a Porsche não descarta um retorno no futuro. Afinal, o regulamento atual deve valer até 2032. Tal ação deixa em aberto a volta da filosofia que a marca usou nos anos 90, quando a situação financeira era bem pior do que a atual: disponibilizar os carros para que operadores privados possam correr.

Neste momento, a Porsche tem um 963 privado com a Proton no FIA/WEC. Pelas atuais regras, necessitaria haver pelo menos mais um carro inscrito oficialmente para que a marca pudesse seguir no campeonato e até mesmo ter o direito de inscrever um carro para Le Mans usando a entrada prevista para o IMSA.

Mas o tempo para uma solução parece curto, já que o prazo de inscrição para temporada 26 do FIA WEC se encerra em meados deste mês. Não se pode descartar a possibilidade de a Penske assumir a gestão total e ser cliente da Porsche, considerando que as duas abriram uma moderníssima base na Alemanha no ano passado. Ou ainda a Proton abraçar pelo menos mais um carro.

Em todo caso, é uma decisão que acaba por tirar o brilho do Endurance, que vem recebendo ótimas notícias nos últimos tempos. A Porsche já fez isso anteriormente, mas nunca foi embora totalmente. A ver os próximos movimentos.

Parabólica
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