A F1 já correu em janeiro e até no Ano Novo
Entre calor intenso, logística complicada e tradição no hemisfério sul, a Fórmula 1 já realizou corridas em pleno mês de janeiro
A Fórmula 1 atualmente conta com 24 etapas realizadas entre março e dezembro, mas nem sempre foi assim. Em sua temporada inaugural, em 1950, o campeonato teve apenas sete corridas, disputadas entre maio e setembro. Naquele ano, havia somente uma prova fora da Europa: as 500 Milhas de Indianápolis, incluídas no calendário apenas para dar caráter mundial à competição. As equipes europeias não participavam dessa corrida, com exceção da Ferrari, que esteve presente em 1952.
Com o tempo, as coisas foram mudando. Em 1953, pela primeira vez, a categoria correu no hemisfério sul. Foi o GP da Argentina, marcado para 18 de janeiro, em razão da logística e também do clima. A etapa seguinte, além da Indy 500 em maio, só aconteceria em junho, na Holanda. Assim começou uma tradição de corridas no hemisfério sul nesta época do ano.
Em 1962, o GP da África do Sul entrou no calendário, mas no fim da temporada, em 29 de dezembro. Em 1963 isso foi mantido, pela mesma lógica da Argentina. No entanto, a organização decidiu mudar a data para o início da temporada, em janeiro. Para 1964, seria inviável realizar uma corrida nessa data, já que a prova de 1963 havia sido em 28 de dezembro.
A corrida foi então remanejada para 1965. Como os promotores tinham total liberdade para definir datas, resolveram marcar a prova para 1º de janeiro, uma sexta-feira. Na época, não era tão comum, mas existiam corridas fora dos finais de semana. Essa corrida foi vencida por Jim Clark, que acabaria se sagrando bicampeão naquela temporada.
Não houve GP da África do Sul em 1966, mas ele retornou em 1967, realizado em 2 de janeiro e vencido por Pedro Rodríguez, a primeira vitória do México na categoria. Em 1968, a corrida voltou a ser disputada em 1º de janeiro e novamente vencida por Jim Clark. Infelizmente, foi a última vitória do lendário piloto na F1, já que ele viria a falecer em 4 de março daquele mesmo ano, em uma corrida de F2 em Hockenheim.
As corridas em janeiro começaram a se tornar desconfortáveis para equipes e pilotos, que reclamavam do calor intenso e também do deslocamento no início do ano, mais caro. Na época, quem arcava com os custos eram os próprios organizadores, e a remuneração não era sustentável. Além disso, havia um grande buraco no calendário, já que a etapa seguinte só acontecia em maio. Vale lembrar que, nos anos 1960, a logística já havia evoluído e grande parte das cargas podia ser transportada de avião, principalmente na era dos jatos, mas ainda não com a eficiência de hoje.
A partir de 1969, a corrida foi remanejada para março, dois meses antes da etapa seguinte na Europa. Em 1972, a F1 voltou a realizar corridas em janeiro, pelos mesmos motivos. Com o GP da Argentina retornando, era necessário tempo para sair da América do Sul, ir para a África e depois para a Europa. Assim, a prova foi marcada para 23 de janeiro. Em 1974, o GP do Brasil entrou no calendário e também foi alocado em janeiro.
Em 1981, o GP da África do Sul saiu do calendário e os GPs na América foram realocados para março. Em 1982, a corrida voltou e foi realizada em 24 de janeiro. Essa foi a última vez que uma etapa da Fórmula 1 aconteceu no primeiro mês do ano.
Nos dias atuais, a logística da Fórmula 1 evoluiu significativamente. A organização da categoria passou a ter total controle sobre o calendário, em contraste com o que acontecia naquela época. Atualmente, o campeonato conta com 24 etapas distribuídas ao longo de nove meses, aproveitando recursos aéreos, marítimos e terrestres para garantir que cada corrida seja alocada de forma eficiente e bem coordenada.