F1: Ferrari minimiza taxa de compressão como trunfo para bater a Mercedes
Vasseur minimiza nova medição de motores e foca em chassi e gestão de energia para buscar a recuperação na temporada 2026
O chefe de equipe da Ferrari, Frédéric Vasseur, advertiu que as novas regras de medição da taxa de compressão dos motores a combustão, que entrarão em vigor no dia 1º de junho de 2026, podem não representar a grande virada de jogo esperada na Fórmula 1. Para o dirigente francês, a principal oportunidade de encostar na rival Mercedes não virá de uma única alteração no regulamento, mas sim da adoção do sistema ADUO e da evolução conjunta de fatores fundamentais do carro, como a gestão de energia e o desenvolvimento do chassi.
A expectativa de boa parte do paddock é que a mudança técnica nas métricas introduzidas pela Federação Internacional de Automobilismo consiga equilibrar o campeonato e frear o forte início de temporada da Mercedes. No entanto, Vasseur relembra a diretiva técnica sobre a flexibilidade das asas adotada no ano passado, que não trouxe a prometida reviravolta nas forças do grid, para manter as expectativas sob controle.
"Não estou convencido de que a nova regra sobre a taxa de compressão será uma virada decisiva, uma virada enorme", destacou o chefe da escuderia de Maranello, contendo o otimismo de quem espera uma disputa nivelada até a última etapa em Abu Dhabi.
A visão da Ferrari se baseia em uma abordagem completa do veículo pilotado por Charles Leclerc e Lewis Hamilton. O grande trunfo aguardado pela equipe é o ADUO, sigla para Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização. Trata-se de um mecanismo de exceção do regulamento que permite às equipes com motores comprovadamente inferiores atualizarem suas unidades de potência durante a temporada, caso fiquem mais de dois por cento atrás do equipamento mais rápido após as primeiras etapas.
Vasseur enfatiza que apostar todas as fichas apenas em ajustes no motor a combustão seria um equívoco: "Teremos o ADUO em algum momento e representará para nós uma oportunidade de diminuir a diferença, mas, mais uma vez, não se trata apenas do desempenho puro do motor de combustão interna. Acho que há muito na gestão de energia, muito no chassi, e seria um erro da nossa parte nos concentrarmos apenas em um único parâmetro".
O posicionamento do dirigente reforça a mentalidade de que o sucesso na atual geração da categoria não depende de soluções mágicas escondidas nas regras, mas sim da maximização e integração perfeita de todo o conjunto técnico da equipe.