Williams exalta "potencial" de B. Senna e minimiza patrocínio
17 jan2012 - 13h24
(atualizado às 13h47)
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Os boatos de que os patrocinadores de Bruno Senna foram decisivos para mantê-lo na Fórmula 1 começaram a pipocar logo após o piloto ter sido anunciado como titular da Williams em 2012. Em conferência de imprensa concedida nesta terça-feira, o engenheiro-chefe de operações da equipe, Mark Gillan, minimizou o peso do patrocínio e exaltou o "potencial" de futuro do brasileiro como decisivo na disputa com Rubens Barrichello.
De acordo com reportagem publicada no site da emissora britânica Sky Sports, a chegada de Bruno Senna à fábrica de Grove engordará os cofres da Williams em US$ 10 milhões (R$ 17,7 milhões). Este seria o valor trazido por companhias como o Grupo EBX, do empresário brasileiro Eike Batista, que no início de janeiro havia adiantado via Twitter que o piloto assinaria com a Williams.
Justificando a escolha, Gillan disse que os fatores considerados foram "o ritmo cru, a consistência, a administração dos pneus, o feedback técnico, a capacidade mental e o impacto". Completando o raciocínio, ainda se referiu ao "potencial" de Bruno, 28 anos, como outro motivo para o anúncio, que pode ter encerrado a carreira de Barrichello, 39.
O dirigente confirmou ainda que o alemão Adrian Sutil, 29, foi um nome levado em conta, mas concluiu dizendo que Bruno Senna era a melhor opção. O alemão cumpriu em 2011 a melhor temporada da carreira, mas não permaneceu na Force India e pode até ser preso: está sendo acusado de agressão corporal que teria ocorrido após o último Grande Prêmio da China.
O sobrinho de Ayrton Senna concedeu entrevista aos jornalistas e se disse "cheio de alegria" com a notícia. O ex-piloto da Lotus Renault e da Hispania contou que conversou com os avós sobre a possibilidade de guiar pela Williams antes mesmo da assinatura do contrato. Eles se mostraram "super felizes". O piloto concluiu que "todo mundo está sorrindo em sua família" neste momento.
Tricampeão mundial, Ayrton deixou a McLaren e passou a defender a Williams em 1994. O brasileiro só chegou a disputar três corridas pela escuderia, tendo morrido na terceira, após acidente na curva Tamburello durante o Grande Prêmio de San Marino.
Bruno Senna cita tio e vê futuro promissor na Williams:
Nem mesmo as equipes mais fortes da da Fórmula 1 estão livres de fiascos: ao longo da história, McLaren, Ferrari, Williams, Brabham, Honda, Tyrrell, Lotus e muitos outros times colocaram em pista carros que foram verdadeiros fracassos na briga por vitórias e títulos, e que facilitaram - e muito - a vida dos rivais. Relembre aqui algumas das principais decepções entre tais modelos:
Foto: Getty Images
McLaren M26 (1978)A equipe já era campeã mundial e tinha James Hunt, dono do título de 1976, no comando; mesmo assim, conseguiu apenas 15 pontos e o oitavo lugar geral na temporada, na qual o melhor resultado foi o terceiro lugar de Hunt no GP da França
Foto: Getty Images
Brabham BT 48 (1979)Mesmo com Niki Lauda (substituído por Nelson Piquet no fim da temporada) e Ricardo Zunino, o carro não emplacou: teve como melhor resultado o quarto lugar em dois GPs e terminou a temporada com apenas sete pontos
Foto: Getty Images
McLaren M28 (1979)Outro fracasso: com John Watson (Grã-Bretanha) e Patrick Tambay (França) a bordo, o time chegou a abrir a temporada com um terceiro lugar na Argentina, mas terminou o ano com 15 pontos e sem uma vitória sequer
Foto: Getty Images
Ferrari 312T5 (1980)Considerado a pior variante do modelo 312T, desenhado por Mauro Forghieri, o carro de de Jody Scheckter e Gilles Villeneuve era lento e pouco confiável - resultado, somou oito pontos ao longo do ano e teve como melhor desempenho o quinto lugar
Foto: Getty Images
Tyrrell 010 (1980)Em 1980, a Tyrrell terminou uma temporada sem vencer pela primeira vez em sua história, e boa parte da culpa é deste fraco modelo; a partir daí, a equipe só voltou a ter bons momentos com Michelle Alboreto, até deixar a F1 em 1998
Foto: Getty Images
Brabham BT54 (1986)O carro não fez feio em 1985, quando Nelson Piquet venceu com ele o GP da França; no ano seguinte, porém, Riccardo Patrese, Elio de Angelis e Derer Warwick fracassaram, conquistando míseros dois pontos - ambos com Patrese
Foto: Getty Images
Ligier JS35 (1991)Para uma equipe que venceu corridas e brigou por títulos na década de 70, o ano de 1991 foi bem fraco a Ligier: sem somar pontos pelo segundo ano seguido, o time francês viu Thierry Boutsen (foto) e Érik Comas ficarem atrás de rivais como Dallara, Lola e Leyton House
Foto: Getty Images
Ferrari F92A (1992)Na entressafra que a Ferrari viveu nas décadas de 80 e 90, o carro de 1992 se destacou: com Jean Alesi e Ivan Capelli (depois, Nicola Larini), somou 21 pontos, conseguiu dois terceiros lugares (ambos com Alesi) e andou abaixo dos desempenhos de 1991 (55,5 pontos) e 1993 (28, com três pódios)
Foto: Getty Images
Lotus 107C (1994)A Lotus vinha em queda livre desde o fim da década de 80, e a temporada de 1994 tratou de colocar uma pá de cal no tradicional time de Colin Chapman: com seis pilotos ao longo do ano, dois modelos (a Lotus 109 entrou em ação no decorrer do ano) e sem somar pontos pela primeira vez em sua história, a Lotus acabava deixando a F1 no fim de 1994, voltando apenas em 2010
Foto: Getty Images
Lola T97/30 (1997)O último grande fracasso da história recente da história da Fórmula 1: o projeto de volta da escuderia era para 1998, mas a pressão dos patrocinadores fez com que o modelo saísse do papel um ano antes, mal projetado e com poucos testes. Resultado: um carro que se arrastava na pista, que estourou a regra dos 107% de tempo no treino para o GP da Austrália e que nem mesmo disputou as outras provas da temporada
Foto: Getty Images
Williams FW21 (1999)Com cinco títulos de construtores em seis temporadas na década de 90 (1992, 1993, 1994, 1996 e 1997), o time de Frank Williams buscava reagir depois de passar o ano sem vencer em 1998. Contratou Alessandro Zanardi (foto), em boa fase na Fórmula Indy... Mas não evoluiu, terminando a temporada em quinto lugar
Foto: Getty Images
Jaguar R1 (2000)Ao assumir a vaga da ascendente Stewart, em 2000, a Jaguar prometia bons resultados. No entanto, o que se viu foi um fracasso: na primeira temporada, somou míseros quatro pontos e ficou com o nono lugar da temporada - nada perto dos 36 pontos que a Stewart somou em 1999, quando foi a quarta colocada
Foto: Getty Images
Benetton B201 (2001)Na última temporada da equipe antes de virar Renault, a Benetton teve seu pior desempenho da história, com 10 pontos e um único pódio; o carro, projetado por Mike Gascoyne, passou boa parte do ano brigando com a Minardi pelas últimas vagas no grid de largada
Foto: Getty Images
McLaren MP4-19 (2004)Ter a Ferrari como adversária não ajudou ninguém na F1 em 2004, temporada em que a equipe italiana venceu 15 das 18 etapas; mas a McLaren teve um desempenho ainda pior, somando 69 pontos e terminando o ano atrás ainda de BAR (119 pontos), Renault (105) e Williams (88)
Foto: Getty Images
Jordan EJ15 (2005)Depois de brigar por vitórias e títulos na década de 90, a equipe de Eddie Jordan se despediu da Fórmula 1 com seu pior carro em quase duas décadas; o time somou 12 pontos no ano, sendo que 11 deles foram no fatídico GP dos EUA com seis carros, com Tiago Monteiro em terceiro e Narain Karthikeyan em quarto
Foto: Getty Images
McLaren MP4-21 (2006)A temporada parecia indicar McLaren e Williams decadentes, mas a equipe de Ron Dennis deu a volta por cima nos anos seguintes; em 2006, porém, o time somou "apenas" 110 pontos (contra 206 da campeã Renault) e não venceu nem uma corrida sequer - contra oito do ano seguinte
Foto: Getty Images
Honda RA107 (2007)A Honda prometia muito para 2007, depois de conquistar sua primeira vitória no ano anterior; porém, a perda de patrocínio atrapalhou e muito no desenvolvimento do carro, e depois de somar 86 pontos em 2006, tudo que a equipe de Rubens Barrichello conseguiu na temporada seguinte foram seis pontos
Foto: Getty Images
Honda RA108 (2008)O fiasco de 2007 não foi suficiente para a Honda aprender, e em 2008, a equipe japonesa repetiu a receita do fracasso: sem patrocinadores, projetou um carro fraco e conquistou míseros 14 pontos - o ponto alto foi o surpreendente terceiro lugar de Rubens Barrichello no Grande Prêmio da Inglaterra
Foto: Getty Images
Renault R29 (2009)Depois de conquistar os títulos de construtores e pilotos com Fernando Alonso em 2005 e 2006, a equipe esperava a volta do espanhol - na McLaren em 2007 - para voltar a colher sucessos; Alonso, porém, conseguiu apenas duas vitórias em 2008 (uma delas, no polêmico GP de Cingapura) e nenhuma em 2009, quando somou só 26 pontos
Foto: Getty Images
Williams FW33 (2011)A equipe de Frank Williams vem em queda livre nos últimos anos, e o carro de 2011 foi prova disso: sem patrocínios fortes (exceção da petrolífera venezuelana PDVSA), o time foi nono lugar da temporada, com apenas cinco pontos - em 2010, quando Nico Hulkenberg ocupava a vaga de Pastor Maldonado, foram 69