Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

F1 se faz de sonsa ao correr na Arábia Saudita e adiciona capítulo de desprezo à história

Aceitar a Arábia Saudita no calendário já é uma aberração por si só, mas confiar nas autoridades sauditas diante de um ataque que acontece a poucos quilômetros da pista é ratificar a posição de desprezo pela vida. É fechar os olhos para a crueldade

25 mar 2022 - 19h04
(atualizado às 19h13)
Compartilhar
Exibir comentários
Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem conversa com chefes da F1 na Arábia Saudita
Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem conversa com chefes da F1 na Arábia Saudita
Foto: AFP / Grande Prêmio

"Não é pessoal, são negócios." A máxima que permeia a trilogia da mais famosa história de mafiosos do cinema é também um retrato fiel do que sempre foi a Fórmula 1. O maior campeonato de monopostos do mundo é um negócio gigantesco, na mesma proporção de sua posição para o esporte mundial, em que o dinheiro fala, fala muito. Então, não é uma surpresa acompanhar as declarações e a decisão de seguir com o espetáculo na Arábia Saudita, mesmo diante de ataques a míssil a poucos quilômetros do circuito de Jedá. É só mais um capítulo em que a F1 se faz de sonsa.

A responsabilidade pelo atentado é do grupo Houthi do Iêmen. Os rebeldes atingiram uma refinaria de petróleo da Aramco - que pertence ao governo saudita e é uma das principais patrocinadoras da F1. As explosões puderam ser vistas da pista de Jedá. A F1 realizava o primeiro treino livre naquele momento. Max Verstappen disse no rádio que sentia cheiro de combustível.

O Iêmen vive uma guerra civil e que, desde 2014, enfrenta também um conflito que envolve não só a Arábia Saudita, mas também os Emirados Árabes Unidos e o Irã. Os sauditas e os EAU apoiam o governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi. Já os iranianos estão do lado dos rebeldes Houthis, da etnia xiita, que dominam várias regiões. Eles tentam tomar o poder.

Explosão na Aramco deixou nuvem de fumaça no céu de Jedá (Foto: Andrej Isakovic/AFP)

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Nunca a F1 flertou tanto com o perigo como nesta sexta-feira (25) - em todos os sentidos. Foi algo real e palpável. Mas aparentemente não serve de nada. A categoria simplesmente aceita o conflito. A conversa de que "acreditamos nas autoridades" é absolutamente fantasiosa. Não há como garantir segurança em um cenário de guerra como esse, não há um protocolo. Falta transparência e uma explicação. A F1 corre, então, escorada no fato de que os Houthis não quiseram bombardear a pista.

E isso é resultado da decisão desastrosa de aceitar fazer parte do infame sportswashing que a Arábia Saudita empurra em troca de milhões de dólares. A Fórmula 1 ignorou por completo o massacre que acontece no Iêmen. O assassinato de uma população inteira, o massacre de crianças e mulheres. É uma das maiores crises humanitárias do mundo, mas que importa pouco ao ocidente, não comove. É a sensibilidade seletiva da qual a F1 se gaba de fazer parte.

A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que o conflito no Iêmen já causou 377 mil mortes, 60% causadas por fome, falta de saúde básica e falta de água potável. Segundo a emissora britânica BBC, foram 700 ataques aéreos no mês passado.  

A verdade é que o Mundial foi comparsa ao negar a humanidade no Iêmen durante todo o processo. Agora, conta com a humanidade dos rebeldes para não ser atacada. E quer não ser atacada enquanto mantém o evento, mantém a negação da humanidade iemenita e recebe os dólares. É isso que acontece.

Ainda, é nisso que a F1 se mete com a pretensão de quem realmente se acha importante. E só fere a própria história.

Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

Grande Prêmio
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade