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Acordão feito? FIA remove nome de Michael Masi como diretor esportivo em site oficial

Nomes de Michael Masi, diretor de provas, e Nikolas Tombazis, chefe de assuntos técnicos, foram retirados dos documentos oficiais da FIA (Federação Internacional do Automobilismo)

12 jan 2022 13h29
| atualizado às 13h59
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Michael Masi esteve no centro da polêmica sobre o GP de Abu Dhabi
Michael Masi esteve no centro da polêmica sobre o GP de Abu Dhabi
Foto: FIA / Grande Prêmio

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Após a polêmica e intrigante final em Abu Dhabi, o Conselho Mundial da FIA (Federação Internacional do Automobilismo) revelou por meio de um comunicado que faria uma "análise detalhada e exercício de esclarecimento — que deve, segundo o site britânico Sky Sports, apurar todos os fatos até o próximo encontro do Conselho Mundial de Automobilismo, no dia 3 de fevereiro —, já que via "áreas a melhorar" depois da decisão um tanto quanto conturbada de Michael Masi, então diretor de provas da Fórmula 1.

Agora, quase um mês depois do comunicado à imprensa, os nomes de Masi e Nikolas Tombazis, chefe de assuntos técnicos, foram removidos do site oficial da entidade, sendo substituídos por apenas um nome, que foi o de Peter Bayer, secretário-geral de esporte a motor desde 2017.

Até o fim do ano passado, Masi e Tombazis apareciam nos documentos oficiais, disponíveis no site. Só que, agora atualizado com o escopo de janeiro de 2022, seus nomes simplesmente foram retirados da organização.

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Michael Masi e Nikolas Tombazis fora? O organograma da FIA indica que sim (Foto: Reprodução)

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Hamilton dentro ou fora? Demora em 'acordão' Mercedes-FIA cria dúvida sobre futuro na F1

Até então, nada estava definido neste começo de 2022, ainda nos primeiros dias de gestão da entidade sob o comando de Mohammed Ben Sulayem, nascido em Dubai e responsável por colocar fim à era Jean Todt à frente da FIA. Mas fato é que, após grande pressão do grid da categoria — sobretudo, da Mercedes —, a mudança acontece depois que dois respeitados veículos de imprensa da Inglaterra, as emissoras BBC e Sky Sports, trouxeram a público, na última terça-feira, um fato novo sobre o futuro do heptacampeão na Fórmula 1.

Os dois canais partem do mesmo ponto de vista: Hamilton quer resolução rápida das investigações lançadas sobre a decisão e exigidas pela Mercedes como parte de um processo de protesto. Quanto mais demorar, pior será. E mais: os veículos ainda afirmam que há um acordo entre Mercedes e FIA.

De acordo com as duas emissoras — que fazem questão de informar que a Mercedes nega —, há fonte importante com conhecimento do assunto que dizem: a Mercedes topou abandonar o protesto sobre o resultado da corrida final do Mundial caso a FIA entregue alguma coisa. Esta coisa é a demissão de Masi e do diretor-técnico de monopostos, Nikolas Tombazis. A BBC vai além: informa que várias pessoas com conhecimento da situação garantem que sequer dá para ver um caminho possível para Masi seguir como diretor de provas.

Hamilton demonstrou bastante abatimento após perda do título da F1 (Foto: Clive Rose/Getty Images/Red Bull Content Pool)

Craig Slater, jornalista da Sky Sports, foi incisivo ao avisar que, no momento, não há garantias sobre a permanência de Lewis na Fórmula 1 neste ano.

"No momento, nada está claro - e faltam 69 dias para o GP do Bahrein. Ouvi de fontes próximas que ninguém sabe se Lewis Hamilton estará ou não no grid. Conversei com várias pessoas que tiveram algum contato com a Mercedes desde então [do GP de Abu Dhabi]. A maioria disse que espera que Lewis volte e tente ganhar o oitavo título em 2022. Mas o que me explicaram foi que ele até pareceu levar tudo bem na noite em que aconteceu, mas bateu de verdade nos dias seguintes. O jeito que perdeu o título. Não dá para esquecer que ele afirmou via rádio que o resultado tinha sido manipulado", recordou.

"O que posso dizer hoje é que para Hamilton passar pela desilusão e voltar à F1, acreditam que tenha a ver com o que a FIA pode entregar com relação ao pedido de investigação que fizeram antes do Natal com relação ao que aconteceu na última volta do campeonato. O que podem revelar ao fim da investigação ou se dela sai algo tangível. E querem isso logo. Quanto mais isso se esticar, mais ainda não teremos um resultado e conclusões quanto a como a F1 deve se comportar no futuro, então pior fica a situação de Hamilton. Isso eu ouvi de uma fonte muito próxima, o que é importante. Suponho que todas as opções estão na mesa, inclusive que Lewis tire um ano sabático se não estiver pronto para voltar em 2022", complementou o jornalista.

Silêncio nas redes sociais e 'unfollow' em todo mundo no Instagram

Desde a final em Abu Dhabi, Hamilton se calou. Se ausentou da coletiva com os três primeiros da corrida e, em conjunto com a Mercedes, decidiu também ficar fora da cerimônia de premiação promovida pela FIA, quatro dias depois da prova, em Paris. Lewis apareceu publicamente em apenas dois eventos: quando foi oficialmente coroado como Cavaleiro do Reino, no Castelo de Windsor, e dias depois, em Brackley, quando esteve ao lado dos funcionários da Mercedes, entre eles Toto Wolff e Valtteri Bottas, para celebrar o oitavo título do Mundial de Construtores. Publicamente, nenhuma palavra.

O mesmo se aplica, desde 11 de dezembro, nas suas redes sociais. Habitué das plataformas digitais, Hamilton se calou e, ao longo desses 30 dias, nem sequer um post nos Stories do Instagram foi feito. Curiosamente, o piloto deu unfollow (deixou de seguir) todas as contas que acompanhava, inclusive a Mercedes. Nenhuma menção foi feita, por exemplo, aos festejos de Natal e Ano Novo ou aos fenômenos climáticos (e trágicos) deste começo de 2022, como seria o habitual para alguém engajado ecologicamente como Lewis.

Lewis Hamilton segue em silêncio nas redes sociais (Foto: Reprodução)

 silêncio de Hamilton, vindo de quem é e diante das circunstâncias e dos dias seguintes ao GP de Abu Dhabi, suscitou uma série de discussões sobre seu futuro na Fórmula 1. Tais discussões ganharam contornos de possibilidade após entrevista concedida por Toto Wolff.

"Lewis e eu estamos desiludidos no momento. Não desiludidos com o esporte, amamos com todos os ossos do nosso corpo, e amamos porque o cronômetro nunca mente. Mas se quebrarmos esse princípio fundamental de justiça esportiva e autenticidade do esporte, de repente o cronômetro não se torna mais relevante porque estamos expostos a tomadas de decisão aleatórias, e é claro que você perde amor por isso", declarou o chefe da Mercedes quatro dias depois da prova em Yas Marina.

"Eu espero muito que Lewis siga correndo, porque ele é o melhor piloto de todos os tempos. Quando você olha pelas últimas quatro corridas, ele dominou o domingo. Não existem dúvidas de quem venceu a corrida e de quem venceu o campeonato", bradou.

"Você começa a questionar se todo o trabalho que você tem feito, todo o suor, lágrimas e sangue podem realmente ser demonstrados em termos de trazer as melhores performances possíveis na pista, porque isso pode ser retirado aleatoriamente. Vai demorar muito para digerir o que aconteceu no domingo, acho que nunca vamos superar. Isso não é possível, e certamente não para ele, como piloto", complementou o dirigente austríaco.

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Toto Wolff mostrou-se irritado com o desfecho da F1 em 2021 (Foto: Sebastian Kawka/Mercedes)

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Toto Wolff mostrou-se irritado com o desfecho da F1 em 2021 (Foto: Sebastian Kawka/Mercedes)

A fala do visceral Toto Wolff foi feita ainda no calor do momento, com poucos dias para refletir sobre o que havia acontecido no Oriente Médio. Mas foi o que bastou para que houvesse gente que cogitasse o adeus de Hamilton à Fórmula 1.

Bernie Ecclestone, ex-chefão da categoria e que nos últimos anos ganhou espaço na mídia muito mais pelas declarações inacreditavelmente contrárias às manifestações antirracistas de Lewis, disse apostar que o heptacampeão "não vai voltar" à F1. Entretanto, parece mais uma torcida do nonagenário do que qualquer outra coisa.

Nico Rosberg, um dos pilotos que mais conhece Hamilton e sua força mental, caminhou em sentido oposto. O campeão mundial de 2016 e ex-companheiro de equipe do britânico aposta que o ex-colega "voltará lutando para buscar aquele campeonato que, de alguma forma, lhe foi tirado dele". Stefano Domenicali, presidente e CEO da Fórmula 1, também partilha da mesma opinião.

"Ainda assim me levanto": história de vida e curso online sugerem 'fico' de Hamilton

Apenas Hamilton sabe o que se passa na sua mente neste período. Mas o período de silêncio pode sugerir uma forma de recarregar as baterias e se desintoxicar das redes sociais, que têm lá algum aspecto positivo, mas também são muito nocivas, e prova disso foram as ameaças de morte a Nicholas Latifi — piloto que sofreu o acidente que provocou toda a reviravolta nas últimas voltas em Abu Dhabi. Depois de tudo o que aconteceu ao longo de todo o ano passado, Lewis decidiu por bem ficar longe das redes sociais, algo revelado pelo irmão, Nicholas.

Só que a própria história de Hamilton fala por si só. A história de quem não desiste mesmo em meio ao desafio mais árduo e de ainda assim se levanta e continua a lutar. Foi assim desde criança, quando enfrentou a falta de dinheiro e o inaceitável e cruel racismo para vencer no kartismo. Foi assim quando se fortaleceu após perder um título que parecia ganho, em 2007 e, nove anos depois, se renovou depois da dura derrota imposta por Rosberg.

Todos os momentos listados acima representaram uma espécie de ruptura e uma nova forma de Hamilton encarar a vida e se tornar mais forte como piloto e como ser humano. A maneira como o título de 2021 lhe foi tirado, na esteira das decisões por parte de um confuso Michael Masi, não deixa Lewis mais fraco, ao contrário.

Lewis Hamilton tem contrato até 2023 com a Mercedes (Foto: Lars Baron/Getty Images/Red Bull Content Pool)

Outro grande exemplo do poder de reação de Hamilton remete a novembro do ano passado, quase um mês antes do desfecho do título. Ainda na luta para alcançar Verstappen no campeonato, Lewis liderou a classificação do GP de São Paulo e assegurou o direito de largar na frente, mas foi punido pela direção de prova em razão de uma irregularidade milimétrica na asa móvel e foi desclassificado, tendo então de largar no fim do grid da corrida sprint.

Tudo parecia perdido naquele fim de semana, até porque Hamilton teria de pagar outra punição, de cinco posições, por troca do motor de combustão interna. Mas o maior vencedor da história provou novamente que a inspiração nos versos de Maya Angelou não é mera retórica, mas sim um verdadeiro estilo de vida.

E ainda assim, com tudo contra, Lewis Hamilton se levantou e vivenciou ao mundo uma jornada épica ao ultrapassar 15 carros em 24 voltas para terminar a corrida sprint em Interlagos na quinta colocação. Foi o segundo ato que culminaria com uma exibição apoteótica em São Paulo diante de uma multidão, coroada com o gesto que emocionou a muitos ao empunhar a bandeira do Brasil, remetendo ao ídolo maior, Ayrton Senna.

Naquele sábado raramente frio em Interlagos, Hamilton foi claro. "Eu nunca desisto. Você não pode desistir". São palavras, obviamente, de quem jamais se rende.

Lewis Hamilton não se pronunciou nas redes sociais nas últimas semanas (Foto: AFP)

Dias antes da decisão do título da Fórmula 1, o site de cursos por streaming MasterClass colocou à disposição do público, mediante pagamento de assinatura mensal de US$ 15 (ou R$ 83,53 na cotação atual), o curso ministrado pelo britânico, com 12 aulas, num total de 2h12min. No vídeo de apresentação, o mestre ensina aos seus alunos sobre como, por exemplo, lidar com as derrotas e como se preparar mentalmente para encarar os momentos mais duros da carreira e da vida.

Sobre os fracassos da vida, Hamilton foi direto. "Tenho uma relação bem próxima com insucessos porque falhei mais vezes do que o contrário. Mas aprendi, com essas derrotas, a obter o sucesso. É um molde de caráter. Cometi o mesmo erro muitas vezes. Derrotas são 100% necessárias para alcançar grandeza. Para ter sucesso, você precisa errar o máximo possível e não tome isso como algo negativo".

Em suas aulas, às quais o GRANDE PRÊMIO obteve acesso, Lewis falou novamente sobre resistência. "A coisa mais fácil possível é desistir. O mais difícil é confrontar seus medos e dificuldades. Nada chega com facilidade, então lide com isso".

"Ainda assim me levanto" é o lema da vida de Lewis Hamilton (Foto: AFP)

No capítulo chamado 'Preparação Mental', o heptacampeão falou sobre como lida com os revezes da carreira, em contexto que remete muito ao que vive atualmente. "Odeio perder. É ok admitir isso, mas quando perco entendo que não posso fazer muito a respeito do passado, exceto aprender como me preparar melhor. Preparação mental é fundamental para todos nós".

"Existem muitas distrações ao nosso redor. Seu celular pode ser uma distração, assim como seu relacionamento, algo que ficou pendente e não foi dito. Se levar uma energia negativa para meus engenheiros, todos vão recebe-la, vão sentir e baixar a guarda".

Hamilton enfrentou tantas adversidades na carreira e na vida, levantou e seguiu mais forte. Ainda que o revés de Abu Dhabi tenha sido duríssimo e injusto, nada aponta para uma despedida das pistas agora.  Recentemente, a Mercedes indicou o que espera do seu piloto. "A adversidade faz com que alguns parem; outros quebram recordes".

Seja lá qual for o desfecho do tal 'acordão' entre Mercedes e FIA, o impacto do novo regulamento técnico e da nova geração de carros da Fórmula 1 para 2022, Hamilton tem uma história de vida que sugere tudo, menos uma aposentadoria neste momento. Ao contrário: o heptacampeão indica mesmo que vai se levantar e lutar para sair de cena por cima e, de preferência, como campeão mundial pela oitava vez e como o maior de todos em todos os aspectos.

Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

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