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Na Garagem: Wheldon morre em acidente trágico com 15 carros no oval de Las Vegas

Menos de cinco meses após vencer a edição mais dramática da história das 500 Milhas de Indianápolis, Dan Wheldon não resistiu a um acidente inacreditável que envolveu 15 carros na 11ª volta da corrida final da Indy 2011, em Las Vegas

16 out 2021 04h32
| atualizado às 07h47
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Dan Wheldon morreu em Las Vegas
Dan Wheldon morreu em Las Vegas
Foto: LAT / Grande Prêmio
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Dan Wheldon foi o protagonista de um dos dias mais trágicos da história da Indy. Exatos dez anos atrás, em 16 de outubro de 2011, o ótimo piloto inglês perdia a vida em um acidente de enormes proporções, no comecinho da etapa final da temporada, no oval de Las Vegas.

O 2011 de Wheldon era totalmente fora do normal. Campeão da Indy em 2005, com a Andretti, o inglês não conseguiu repetir o feito nos três anos de Ganassi e acabou ficando sem espaço na categoria após dois anos de luta na Panther. Vinha uma temporada, então, em que Dan não seria mais titular.

E foi justamente no contexto mais desfavorável de todos que Wheldon cumpriu o sonho e venceu sua única edição das 500 Milhas de Indianápolis da carreira. Com a Bryan Herta, o piloto, que estava prestes a completar 32 anos, levou a melhor no fim de prova mais dramático da história, com JR Hildebrand batendo na curva final quando tinha a vitória nas mãos. Parecia que estava escrito: tinha de ser de Wheldon.

Dan Wheldon vinha badalado pelo triunfo na Indy 50 (Foto: IndyCar)

Mesmo com o triunfo heroico no IMS, Dan seguiu sem espaço no grid e só foi voltar a ser acionado no oval do Kentucky, com a Sam Schmidt, fazendo boa prova: de último para 14º. Viria, então, uma oportunidade milionária pela frente, em Las Vegas.

É que Randy Bernard, então chefão da Indy, resolveu inovar. Após um grande esforço para fazer a Indy correr no oval de Nevada, Bernard conseguiu meios para dar um prêmio absurdo de $ 5 milhões - cerca de R$ 8,7 mi na cotação da época - para o piloto de fora da Indy que largasse em último e vencesse a prova. Mas aquilo viraria um fiasco.

A ideia era ter Travis Pastrana, Alex Zanardi e Kasey Kahne, mas todos acabaram declinando a oferta. A lenda do motocross se recuperava de uma lesão, enquanto os ex-campeões de Indy e Nascar só topariam se pudessem correr por Ganassi e Penske, que recusaram a aventura por estarem diretamente brigando pelo título na prova final. O dirigente, então, mudou o regulamento e fez com que Wheldon fosse o piloto atrás dos $ 5 milhões. O inglês topou.

Falando em disputa pelo título, a prova em Las Vegas definiria o campeão: Dario Franchitti, da Ganassi, tinha 18 pontos de frente para Will Power, da Penske, que havia perdido a ponta após uma participação muito ruim no Kentucky. O campeonato, assim, ainda estava em aberto.

Dan Wheldon voltava às pistas no fim de 2011 (Foto: IndyCar)

A decisão em Las Vegas

Na classificação, Tony Kanaan colocou a modesta KV na pole, seguido por Oriol Servià, Ed Carpenter, Alex Tagliani e Ryan Briscoe. Power sairia de 17º, exatamente uma posição na frente de Franchitti, o que animava para uma disputa que prometia ser acirrada.

Só que a animação para a disputa durou só 11 voltas no domingo. Foi quando um dos acidentes mais impactantes da história da categoria aconteceu: 15 carros se envolveram, alguns deles saíram voando. Entre eles, Power. Entre eles, Wheldon.

Descrever o acidente é complicado, mas a origem se deu em um toque entre Wade Cunningham e James Hinchcliffe. Vítor Meira, Jay Howard, Alex Lloyd, Pippa Mann, Buddy Rice e tantos outros foram se encaixotando e batendo e decolando por ali. Mas tudo piorou quando Power decolou e, principalmente, quando Wheldon acertou Charlie Kimball e foi arremessado contra a cerca de proteção em um impacto violento.

Dan Wheldon deixou muitos amigos na Indy (Foto: IndyCar)

Wheldon ainda foi removido para o hospital, mas, menos de duas horas depois, o boletim informava sua morte em decorrência do acidente. Aos 33 anos, Dan não sobrevivia ao que se descobriu uma pancada fortíssima do capacete contra o poste de sustentação da cerca, causando um trauma irreversível. Era a primeira morte na Indy desde Paul Dana, em Homestead, em 2006.

"Perdemos um grande amigo. Todos na Indy tinham Dan como um amigo. Era daquelas pessoas especiais, que sempre se mostraram especiais, desde que chegam aqui. Uma mistura de alguém muito impetuoso, mas encantador e que amava e cuidava da família que tinha. Só penso na família dele, está difícil me segurar", disse Franchitti, que se sagrou campeão com a prova cancelada assim que o acidente aconteceu.

"Palavra alguma pode descrever o que estou sentindo e as memórias do Dan. Um sorriso contagiante, sorriso encantdor, coração enorme, uma das pessoas mais queridas que já tivemos. Dan representou a Indy com muito respeito e integridade, foi um grande piloto e pessoa maravilhosa. Estou com a família dele neste momento tão difícil", falou Bernard.

O painel em Las Vegas homenageou Wheldon (Foto: IndyCar)

As consequências

O acidente de Wheldon deixou uma série de impactos para a Indy. O primeiro e completamente óbvio: nunca mais a categoria correu em Las Vegas. E aqui, aliás, vale um adendo: a prova aconteceu mesmo com a resistência de alguns pilotos, especialmente Franchitti, Servià e Lloyd. O escocês falava em pista que "não casava com a Indy". Power foi além: "pista que esperava por um acidente acontecer".

Assim, obviamente, não foi só a pista que caiu, mas Bernard também sofreu um desgaste quase que irreversível. O dirigente deixou o posto no ano seguinte, marcado por ter começado a arrumar a casa pós-loucuras de Tony George, mas também pela perda de Wheldon.

Alguns pilotos também reagiram assustados ao acidente e questionaram a categoria. AJ Allmendinger, por exemplo, chegou a dizer que nunca mais correria de monopostos até que esses tivessem proteções aos capacetes. De certa forma, as discussões que geraram o halo e o aeroscreen começaram lá e ganharam força com as mortes de Jules Bianchi, na F1, e Justin Wilson, na Indy.

A categoria americana também começou a se mexer para acabar com as chamadas 'pack races', que eram as marcas dos ovais: muitos carros no mesmo pelotão, mais emoção e ultrapassagens, mas risco sempre alto de acidentes.

Outra novidade foi a largada em fila única em 2012, que acabou não pegando, bem como as peças encaixadas atrás das rodas traseiras, que supostamente serviriam para evitar que os carros decolassem. Os acidentes de Franchitti, em 2013, e Dixon, em 2017, fizeram a categoria novamente buscar novas ações aerodinâmicas.

Por fim, o então novo carro da Indy, que estava prestes a ser lançado, foi rebatizado de DW12, em homenagem a Dan, que participou ativamente do desenvolvimento do bólido, que tinha entre as principais diretrizes acabar com as batidas por trás que causavam decolagens.

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