Estreias históricas: as 4 equipes que venceram logo na primeira corrida da F1
Audi e Cadillac chegam em 2026, será que uma das duas vão conquistar o feito histórico que só quatro equipes conseguiram
Esse ano vamos ter a introdução de duas novas equipes na categoria: Audi e Cadillac. Nessas mudanças de regulamento sempre surge uma pergunta: será que as equipes novatas vão surpreender? O fato é muito raro. Até hoje, 167 equipes se classificaram para um GP, mas apenas quatro delas conquistaram o feito. Confira:
1. Alfa Romeo
Obviamente é preciso começar a lista com a equipe que venceu a primeira corrida da F1. No GP da Grã-Bretanha de 1950, apenas cinco montadoras participaram: Alfa Romeo, Alta, ERA, Maserati e Talbot-Lago. A Ferrari poderia participar, mas preferiu correr na Holanda, onde havia maior interesse.
A Alfa Romeo, que corria com o modelo 158, dominou a qualificação e a corrida, com os quatro carros nas primeiras posições. Giuseppe Farina fez a pole e conquistou a vitória. Os três carros da Alfa que concluíram a prova completaram 70 voltas; o quarto colocado terminou duas voltas depois. Farina não só ganhou a primeira corrida, como também se tornaria campeão ao final da temporada.
2. Mercedes
Por toda a tradição pré-Segunda Guerra, era esperado que a Mercedes entrasse na F1 em algum momento. Esse momento acabou demorando cinco temporadas. Em 1954, a Mercedes finalmente estreou, mas apenas na quarta etapa: o GP da França em Reims, um circuito com grandes retas. Na qualificação, Juan Manuel Fangio fez a pole, 1s0 à frente de Karl Kling, também da Mercedes, com Alberto Ascari (Maserati) em terceiro.
Na corrida, a Mercedes dominou novamente. Houve uma disputa intensa entre Fangio e Kling, que colocaram uma volta em todo o restante do grid. Parecia que a decisão seria apenas na linha de chegada, mas antes disso a Mercedes ordenou que Fangio vencesse. Kling cruzou a linha apenas 0s1 atrás. Fangio se consagrou campeão ao final da temporada.
3. Wolf
A Wolf tem uma história bastante curiosa e nenhuma relação com o chefe de equipe da Mercedes, Toto Wolff. Em 1976, o milionário do ramo do petróleo Walter Wolf comprou 60% da Frank Williams Racing Cars, primeira equipe de Frank Williams. A equipe jamais havia conquistado uma vitória, mas era vista com grande potencial. O nome mudou para Wolf Williams Racing.
Sendo dono da equipe, Wolf manteve Frank Williams no comando. Mas, no final da temporada, os resultados não foram os esperados e Wolf demitiu Williams. O britânico saiu para fundar a Williams Racing junto com Patrick Head no ano seguinte.
Assim, a partir de 1977 surgiu uma nova equipe: a Walter Wolf Racing. O canadense contratou Jody Scheckter, vindo da Tyrrell. No GP da Argentina, estreia da temporada, Jody largou apenas em 11º. Mostrando grande potencial do carro WR1, começou a escalar o pelotão, contando também com abandonos de rivais. Nas últimas voltas, Jody ultrapassou o brasileiro Carlos Pace, da Brabham, e conquistou a vitória.
Jody venceu mais duas etapas na temporada, mas teve muitos abandonos. Com Niki Lauda correndo muito pela Ferrari, não teve chance de título. Ainda assim, terminou o campeonato em segundo lugar. A Wolf nunca mais repetiu o desempenho. Em 1979, Walter cansou da categoria e vendeu toda a estrutura para os irmãos Fittipaldi, que fundiram os ativos da equipe com a escuderia brasileira.
4. Brawn GP
O caso mais famoso de todos, sempre lembrado em mudanças de regulamento, foi a Brawn GP em 2009. Mas para entender essa história é preciso voltar um pouco antes. Em 2008, a Honda, em meio à crise mundial, resolveu sair da categoria. Após sua saída, o então chefe de equipe, Ross Brawn, comprou a estrutura por simbólicos £1 para manter o time na F1.
Assim nasceu a Brawn GP, que iria correr com motores Mercedes e herdou vários projetos da época da Honda. Os pilotos escolhidos foram Jenson Button e Rubens Barrichello, mantendo a dupla de 2008. Durante a pré-temporada, a equipe foi muito bem, mas não se sabia se aquilo era desempenho puro ou apenas uma estratégia de rodar com pouco combustível para atrair patrocinadores.
Outra questão era o carro: poderia ser ilegal. Uma brecha no regulamento permitiu à equipe desenvolver uma solução engenhosa, o difusor duplo, que aumentava o downforce na parte traseira do assoalho e melhorava o desempenho. A FIA autorizou sua utilização.
Na primeira etapa, o GP da Austrália, veio a prova real de desempenho. Na qualificação, Jenson Button marcou 1min26s202, Barrichello fez 1min26s505. O terceiro colocado, Sebastian Vettel (Red Bull), ficou 0s628 atrás de Button. Durante a corrida, Button não perdeu a liderança em nenhum momento. Barrichello, que precisou escalar o pelotão, terminou em segundo após Vettel e Kubica (BMW Sauber) baterem disputando a posição. Ao final da temporada, a equipe conquistaria o título de construtores e Button o título de pilotos.Ao final da temporada, a equipe seria vendida para a Mercedes, que faria sua própria equipe, ativa até os dias de hoje.