F1: Audi satisfeita com os primeiros progressos: “base mais estável em relação às primeiras saídas”
Audi inicia temporada com confiança após testes; Binotto e Key destacam progresso, pilotos veem base sólida apesar de largadas frágeis.
Após meses de trabalho intenso entre fábrica e pista, a Audi se apresenta no início da nova temporada com sensações globalmente positivas. O projeto ainda está em fase de crescimento, a unidade de potência é nova, mas em comparação com as primeiras saídas de janeiro o cenário parece mais sólido. Fazer prognósticos ainda é prematuro, sobretudo em um contexto em que muitos desempenhos ainda estão encobertos, mas dentro do box a confiança parece prevalecer.
Quem fez um balanço da situação foi Mattia Binotto, que descreveu um inverno longo e exigente, iniciado a partir de uma posição nada simples considerando as duas últimas temporadas com a Sauber: “Foi uma pré-temporada longa e intensa, e a equipe demonstrou grande dedicação desde a nossa primeira saída no início de janeiro”, explicou o responsável pelo projeto.
A equipe se deparou com uma lista clara de áreas a melhorar, com diversos aspectos do carro ainda a serem ajustados. A resposta, porém, veio de forma coesa de todas as sedes envolvidas, segundo o ex-Ferrari: “Partimos de uma posição bastante desafiadora, mas a reação foi muito forte em todos os departamentos”, acrescentou Binotto, destacando o trabalho realizado entre Hinwil, Neuburg e Bicester.
O caminho não foi linear, mas os progressos chegaram: “Passo a passo enfrentamos muitos dos pontos críticos e fizemos progressos significativos. Não resolvemos tudo, mas o desenvolvimento e a atitude da equipe foram muito encorajadores”. Olhando para o início do campeonato, o dirigente italiano evitou fazer grandes promessas, mas admitiu estar positivo com a direção tomada.
Ambos os pilotos satisfeitos com os seis dias no Bahrein
Após um shakedown em Barcelona voltado a “estressar” a confiabilidade dos componentes, no Bahrein a fase de compreensão do novo monoposto entrou de vez no foco. O trabalho se concentrou na ampliação da janela operacional do carro, para coletar dados úteis visando as primeiras etapas da temporada.
O número de voltas completadas — 711 em Sakhir — demonstrou a qualidade dessa preparação, especialmente considerando a introdução da nova unidade de potência, utilizada exclusivamente pela equipe alemã, sem dados extras como os que Ferrari e Mercedes obtêm de suas equipes clientes.
Nico Hülkenberg destacou justamente esse ponto em seu balanço final dos testes. O alemão falou sobre um encerramento sólido do programa e um trabalho concluído sem grandes contratempos: “Podemos nos encorajar com o número significativo de voltas completadas, é o testemunho da enorme quantidade de trabalho feita nas fábricas”, declarou. “Levar para a pista uma nova unidade de potência e começar a realmente compreendê-la exige tempo, coordenação e capacidade de reagir rapidamente aos imprevistos.”
Segundo o ex-piloto da Renault, os progressos foram evidentes dia após dia: “Demos passos importantes à frente, aprendendo continuamente. A equipe respondeu rapidamente aos desafios e implementou soluções de forma eficaz. Antes da viagem para Melbourne ainda haverá uma semana para analisar os dados coletados, mas a sensação é de uma base técnica mais estável em relação às primeiras saídas.”
Se em Barcelona a impressão era de um R26 destinado a sofrer bastante em sua temporada de estreia, nos últimos dias no Bahrein o quadro mudou. O carro mostrou um nível de carga aerodinâmica mais convincente e, sobretudo, uma confiabilidade sólida — algo nada garantido em uma fase tão inicial do projeto.
Na simulação de corrida, o ritmo pareceu consistente, com o R26 aparentando ter algo a mais em relação à Williams e à Racing Bulls no ritmo geral, ao mesmo tempo em que não ficou muito distante de Haas e Alpine. Um sinal que ainda não define hierarquias, mas demonstra crescimento concreto em relação às primeiras impressões na Catalunha.
Gabriel Bortoleto também falou de uma pré-temporada intensa, porém produtiva. O jovem brasileiro destacou que o processo de aprendizado ainda não terminou. Ainda assim, segundo o campeão de F2 e F3, o teste foi positivo: “Ainda há áreas em que precisamos trabalhar e muito a aprender sobre o carro, mas no geral foi um bom teste”.
As palavras refletem uma abordagem realista, até porque não faltaram pontos fracos. Um deles ficou claro durante os treinos de largada realizados ao final de cada sessão. Com a eliminação do MGU-H, voltou à tona o tema do turbo lag, já que o MGU-K, por regulamento, não pode atuar até os 50 km/h. Nesse cenário, a equipe alemã pareceu a mais em dificuldade nas largadas, possivelmente também pela escolha de adotar um turbo ligeiramente maior que o da concorrência — característica que pode oferecer vantagens em outras fases, mas que por enquanto complica a gestão da saída parada. Não por acaso, o próprio Bortoleto definiu a largada, dias atrás, sem rodeios, como um “caos”.
Diretor técnico James Key: “Estamos onde esperávamos estar”
Do ponto de vista técnico, também falou o diretor técnico James Key, que lembrou como este inverno foi particular. Três sessões de testes não eram vistas há anos, mas com regulamentos novos e carros profundamente diferentes, era uma necessidade. Apenas seis semanas atrás o monoposto saía com cautela da garagem de Barcelona para o filming day, ainda em estágio inicial de desenvolvimento:
“É difícil acreditar que apenas seis semanas atrás estávamos retirando cuidadosamente o carro da garagem em Barcelona para o nosso filming day no início de janeiro. Desde então, fizemos progressos significativos. Nas últimas semanas introduzimos o pacote aerodinâmico em especificação de corrida, completamos simulações de distância de prova e realizamos um amplo trabalho de acerto em chassi e unidade de potência.”
Segundo Key, os pilotos se sentem confortáveis com o carro, que representa uma boa plataforma sobre a qual construir. Há aspectos a melhorar, especialmente em termos de confiabilidade e desempenho puro, mas nada fora do esperado.
“No geral, estamos onde esperávamos estar neste ponto da temporada e do nosso desenvolvimento como equipe”, concluiu.
Este artigo é uma parceria entre Parabólica e AutoRacer; você pode conferir o artigo original em italiano clicando aqui.