F1 2026: Após reclamações, FIA pode diminuir potência elétrica
Déficit de recuperação de energia preocupa equipes e pode levar a ajustes no regulamento a partir da terceira corrida da temporada
Todas as equipes da Fórmula 1 enfrentam hoje um problema semelhante: nenhum fabricante conseguiu compensar totalmente a perda de recuperação de energia com o fim do MGU-H. Durante mais de uma década, esse sistema foi fundamental para equilibrar o desempenho dos motores híbridos, mas ele ficou de fora da nova geração de unidades de potência com divisão próxima de 50% entre combustão e eletricidade.
Essa limitação já era conhecida quando a FIA, em acordo com os fabricantes, aprovou o novo regulamento. No caso da Audi, inclusive, a simplificação do motor foi condição básica para sua entrada na categoria. O sistema atual mantém o turbo altamente sofisticado, porém mais acessível para novos participantes, ainda que imponha um equilíbrio delicado entre a regeneração de energia nas frenagens e o uso do MGU-K de 350 kW.
Engenheiros discutem se será necessário alterar artificialmente essa proporção, alterando de 50% a combustão e 50% elétrico, para algo como 55/45 ou até 60/40. Embora todos trabalhem para otimizar o pacote atual, dois problemas já ficaram claros nos testes de pista.
O primeiro é a dificuldade de preparar totalmente a unidade de potência na volta de aquecimento, o que pode gerar atraso na largada. O segundo, mais grave, é a incapacidade de contar com o motor elétrico ao longo de toda a volta, já que a recuperação de energia não é suficiente nem mesmo nos trechos em que o piloto deveria estar focado apenas em extrair desempenho máximo.
Essas preocupações foram relatadas diretamente a Stefano Domenicali durante reuniões no Bahrein. Os pilotos elogiaram carros mais leves e ágeis, mas alertaram que o déficit energético tende a variar conforme o traçado, podendo se tornar crítico em pistas de alta eficiência e longas retas, como Melbourne, Xangai e Jeddah.
Diante desse cenário, a FIA e a Liberty Media já admitem flexibilidade para ajustes rápidos caso os problemas se confirmem nas primeiras corridas. Um plano alternativo foi discutido na Comissão da F1 no Bahrein: reduzir a potência elétrica máxima entre 15% e 30% para prolongar o uso do MGU-K ao longo da volta.
Algumas equipes consideram que 300 kW seria um bom compromisso, enquanto outras defendem um corte ainda maior. Por isso, a FIA solicitou testes com reduções progressivas de 50 kW, 100 kW e até 150 kW, o que pode tornar os carros entre 1s5 e 2s5 mais lentos por volta. A ideia é sacrificar desempenho bruto em troca de uma condução menos artificial e mais consistente.