Vendas do varejo recuam 0,4% em dezembro, mas fecham 2025 com alta de 1,6%
Foi o nono ano consecutivo de avanços; especialistas esperam recuperação no primeiro trimestre, impulsionada por isenções do IR e aumentos do salário mínimo
RIO - O volume vendido no varejo recuou 0,4% em dezembro ante novembro, segundo os dados da Pesquisa Mensal do Comércio no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira, 13. O setor encerrou 2025 com um aumento acumulado de 1,6% no volume de vendas, o 9º ano consecutivo de avanços.
O comércio varejista mantém um comportamento volátil, à medida que a demanda responde às condições econômicas restritivas, avaliou o banco Santander, em nota. Esse panorama, contudo, ainda é compatível com um desempenho estável para o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2025, pontuaram os analistas do banco Gabriel Couto e Rodolfo Pavan.
"Para o primeiro trimestre deste ano, esperamos alguma recuperação das vendas no varejo, impulsionada por isenções do imposto de renda e aumentos do salário mínimo", previram Natalia Cotarelli e Marina Garrido, em relatório do Itaú Unibanco.
A queda de 0,4% no comércio varejista brasileiro em dezembro ante novembro foi decorrente de "uma Black Friday mais forte do que o Natal" no comércio no ano de 2025, avaliou Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio no IBGE.
"Eventualmente, nas promoções de novembro no varejo, você consegue também fazer as compras para o Natal", apontou o pesquisador, sugerindo um movimento de antecipação de compras.
O recuo no volume vendido em dezembro sucedeu o pico histórico de vendas em novembro de 2025, adicionando assim o desafio de superar uma base de comparação bastante elevada, lembrou Santos.
"Dezembro tem efeito base (de comparação elevada). Novembro era o pico da série, é mais difícil conseguir mais crescimento em volume", disse Santos. "Temos fatores que contribuíram para o crescimento do comércio diante de uma base de comparação já alta. O varejo vinha de um ano muito forte em 2024", lembrou.
Entre os impulsos ao consumo no varejo, o pesquisador mencionou o mercado de trabalho aquecido, com aumento no emprego e a massa de renda em alta, além da expansão do crédito à Pessoa Física. Outros elementos que ajudaram no desempenho positivo do varejo em 2025 foram a trégua da inflação em alguns meses do ano e a desvalorização do dólar ante o real, com impacto, sobretudo, na atividade de equipamentos de informática e comunicação.
No varejo ampliado — que inclui as atividades de veículos, material de construção e atacado alimentício —, o volume vendido encolheu 1,2% em dezembro ante novembro. No ano de 2025, houve ligeira elevação de 0,1%.
As vendas do comércio varejista subiram 1,0% no quarto trimestre de 2025 ante o terceiro trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. Quanto ao varejo ampliado, as vendas subiram 1,5% no período.
"Para 2026, a expectativa é de que o varejo restrito apresente crescimento próximo ao de 2025. O varejo ampliado deve voltar a acelerar, após o desempenho mais fraco do ano passado, impulsionado por programas de crédito voltados ao mercado imobiliário — que tendem a incentivar reformas residenciais — e pelo programa Carro Sustentável, que estimula as vendas de veículos populares. Para os demais segmentos, pesam positivamente a reforma do IR (isenção de Imposto de Renda Pessoa Física) e a continuidade do crédito ao trabalhador, permitindo a renegociação de dívidas mais caras e liberando espaço no orçamento. Em sentido contrário, o custo do financiamento segue elevado e os preços dos alimentos devem subir, ainda que de forma moderada", projetam os analistas Isabela Tavares e Rodrigo Mamede, da Consultoria Tendências, em relatório./Colaborou Letícia Correia