Vale vê relações Brasil-China em melhor momento e ressalta parceria com estatal CMRG
A Vale acredita que as relações entre Brasil e China nunca estiveram tão positivas e que o cenário tem contribuído com um relacionamento "bastante saudável" entre a mineradora e a estatal CMRG, com quem negocia de forma contínua parte de sua oferta, disse o vice-presidente Executivo de Finanças e Relações com Investidores da mineradora, Marcelo Bacci.
"Eu estava na China na semana passada, a relação Brasil-China também nunca esteve em um momento tão positivo. Então, isso também é um fator onde existe um 'goodwill' muito grande nessas negociações que se reflete nas conversas que a gente tem com a CMRG", disse ele nesta sexta-feira, durante coletiva de imprensa sobre resultados da empresa.
Também presente, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a companhia tem um "grande diferencial" na indústria, com minério de ferro que permite a realização de diversas blendagens, de forma a atender um maior número de clientes.
"Nós temos uma característica de corrigir os minérios australianos. Então, a Vale tem um papel muito estratégico como fonte de fornecimento de minério para os clientes chineses", disse Pimenta.
Bacci e Pimenta evitaram comentar diretamente sobre notícias envolvendo dificuldades nas relações entre a australiana BHP e a CMRG. "Eu acho que é difícil a gente comentar sobre a relação China-Austrália, mas a relação com o Brasil é muito boa", disse Bacci.
O vice-presidente afirmou que a estatal China Mineral Resources Group (CMRG) está sempre buscando condições mais favoráveis para ela, como por exemplo em fretes, em qualidade, dentre outros. Ela foi criada em 2022 no país asiático para centralizar a compra de minério de ferro e obter melhores condições das mineradoras.
"A gente vai tentando achar os pontos, tentando fazer uma negociação que seja favorável para todo mundo", afirmou, citando que a Vale já flexibilizou para a CMRG algumas taxas de frete, blendagens e datas de entrega.
"Obviamente que o papel deles é tentar comprar mais barato, mas é um mercado de oferta e demanda. Então é uma relação, vamos dizer, balanceada entre o que eles desejam e o que é possível ser feito. E essa relação tem sido bastante saudável ao longo do tempo", afirmou.
PREÇOS DE MINÉRIO E DIVIDENDOS
Sobre os preços de minério de ferro, Bacci afirmou que no último ano e meio eles ficaram entre US$95 e US$108 por tonelada, o que considera ser uma "volatilidade relativamente baixa".
"E a gente espera que essa realidade continue acontecendo aí nos próximos meses olhando para frente", afirmou, sobre a volatilidade baixa.
Do lado das expectativas para dividendos, Bacci afirmou que o início de 2026 trouxe um potencial de geração de caixa "muito bom, tanto pelo desempenho operacional da companhia, quanto por preços de mercado".
"A gente tem uma perspectiva muito boa para o ano", disse ele, ressaltando que ainda é muito cedo para fazer previsões.
Bacci adiantou, entretanto, que na medida em que a companhia vai tendo uma geração de caixa que leva a dívida líquida para um nível "muito abaixo" de US$15 bilhões, há uma propensão maior a pagar dividendos extraordinários.