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Taxas de DIs sobem após Lula ampliar vantagem sobre Flávio Bolsonaro em pesquisa eleitoral

16 jun 2026 - 16h58
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Após cederem no início do dia, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam ‌a terça-feira com leves altas na maior parte da curva a termo, reagindo a uma nova pesquisa eleitoral CNT/MDA que apontou ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida eleitoral.

A pressão de alta na curva brasileira superou o viés de baixa gerado pelo exterior, onde os rendimentos dos Treasuries cediam, e por dados piores que o esperado do varejo brasileiro em abril.

No fim do dia, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,425%, em alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 14,355% ⁠da sessão anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2029 marcava 14,405%, com elevação de 8 pontos-base ante 14,329%.

Na ponta longa da curva ‌a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,195%, com recuo de 1 ponto-base ante o ajuste de 14,205%.

No início do dia, o recuo dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo no exterior, após Estados Unidos e Irã terem assinado um acordo de ‌paz preliminar, abriram espaço para a queda das taxas dos DIs em toda a ‌curva a termo.

O movimento teve ainda o respaldo dos números do varejo divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas ⁠varejistas caíram 1,5% em abril ante março e subiram 1,0% em relação a abril do ano passado.

Ambos os resultados foram piores que as projeções de economistas ouvidos pela Reuters, de baixa de 0,60% na margem e de alta de 1,95% na comparação anual.

Os dados do varejo reforçaram a leitura de que o Banco Central pode ter espaço para cortar a taxa básica Selic mais uma ou duas vezes no curto prazo. Nas sessões mais recentes, em meio à queda do petróleo e ao avanço das negociações entre EUA e Irã, os investidores no Brasil já vinham ‌reforçando as apostas em reduções da Selic, hoje em 14,50% ao ano.

No fim da manhã, no entanto, as taxas dos DIs passaram a ganhar força ‌após divulgação de pesquisa mostrando que Lula abriu ⁠vantagem de 12,5 pontos sobre Flávio Bolsonaro ⁠em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de outubro.

Lula tem 49,3% das intenções de voto, ao passo que Flávio soma 36,8%, conforme pesquisa do ⁠instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

No levantamento anterior, de abril, o atual ‌presidente tinha 44,9%, ante 40,2% do filho do ‌ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ainda que a campanha eleitoral não tenha começado oficialmente, os mercados no Brasil -- em especial o de renda fixa -- têm reagido negativamente a algumas pesquisas que indicam chances maiores de Lula vencer a eleição. Por trás disso está a leitura de uma parcela dos agentes de que o controle fiscal seria mais frouxo em um novo governo Lula.

Operador ouvido pela Reuters pontuou que a ⁠pesquisa influenciou as taxas dos DIs, em um dia em que o ambiente exterior se mostrava acomodado, com queda dos rendimentos dos Treasuries.

Após marcar a mínima de 14,225% (-13 pontos-base) às 9h51, antes da pesquisa eleitoral, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 14,435% (+8 pontos-base) às 16h10, já na reta final da sessão.

A terça-feira foi ainda o primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na noite de quarta-feira anunciará o novo patamar da Selic.

Em sessões ‌recentes, em meio à queda do petróleo e ao avanço das negociações entre EUA e Irã, os investidores no Brasil vinham reforçando as apostas em cortes.

Na última sexta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 68,75% de chance de corte ⁠de 25 pontos-base da Selic na quarta-feira, contra 32% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,50%. Na quinta-feira, os percentuais eram de 49,05% e 44%, respectivamente.

Para o encontro seguinte do Copom, em agosto, a precificação de sexta indica 68,75% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, contra 32% de chance de manutenção. Na quinta, eram 27% e 70%, nesta ordem.

"Esperamos que o Copom corte a Selic em 25 pontos-base... levando os juros a 14,25%. Diante da piora do balanço de riscos, o Comitê deve ajustar a comunicação, reconhecendo o aumento da incerteza e reduzindo o comprometimento com os passos futuros da política monetária", ponderou o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, em comentário escrito.

Antes do anúncio do BC sobre a Selic, investidores estarão atentos à decisão do Federal Reserve sobre juros na tarde de quarta-feira. Mais do que isso, as atenções estarão voltadas para a primeira entrevista coletiva do novo chair do Fed, Kevin Warsh.

"A Casa Branca exerce pressão política por cortes de juros e, embora Warsh tenha sido recentemente vocal a favor de uma flexibilização monetária antes do conflito, ele deve seguir postura técnica -- vale lembrar que era considerado 'hawkish' (duro com a inflação) em sua primeira passagem pelo Fed, entre 2006 e 2011", avaliou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Às 16h41, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 4 pontos-base, a 4,426%.

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