Serviços do Brasil têm queda inesperada em dezembro, mas crescem no ano pela 5ª vez seguida
Os serviços no Brasil registraram queda inesperada no volume em dezembro, marcando uma perda de dinamismo, embora tenha crescido pelo quinto ano seguido.
Em dezembro, o volume de serviços recuou 0,4% na comparação com novembro na série com ajuste sazonal, depois de nove resultados mensais positivos e um de estabilidade, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ainda assim, o setor terminou 2025 com crescimento de 0,8% no quarto trimestre frente ao terceiro trimestre e com alta acumulada de 2,8% no ano, quinto ano seguido com resultado positivo. Ambas as medidas, entretanto, apontaram desaceleração após altas de 1,0% no terceiro trimestre e de 3,1% em 2024.
Entre 2021 e 2025, o setor registrou ganho acumulado de 31,0%, depois de retração de 7,8% em 2020 devido à pandemia, de acordo com os dados do IBGE.
Apesar de chegar ao fim do ano com desempenho mensal negativo, ao longo de 2025 o setor mostrou resiliência, com o desemprego baixo e aumento da renda compensando os efeitos da taxa de juros elevada e contribuindo para o crescimento da economia.
Isso trouxe preocupações para o Banco Central principalmente devido à inflação do setor. No mês passado, o BC manteve a taxa básica Selic em 15%, mas indicou o início de um ciclo de cortes em março.
Em relação a dezembro do ano anterior, o volume de serviços apresentou alta de 3,4%. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de ganhos de 0,1% na base mensal e de 3,5% na comparação anual.
"Além de a queda generalizada do indicador reforçar a tendência de fechamento do hiato do produto ... foi possível observar também um recuo de 0,7% na receita nominal dos serviços, magnitude superior até mesmo à queda do volume de serviços prestados, o que indica que a descompressão no volume foi acompanhada pelo alívio nos preços, sugerindo trajetória mais positiva para a inflação prospectiva de serviços", avaliou Matheus Pizzani, economista do PicPay.
TRANSPORTES E COMUNICAÇÃO
Em dezembro, três das cinco atividades tiveram retração no volume de serviços frente ao mês anterior, com destaque para a queda de 3,1% de transportes.
Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa no IBGE, destacou que houve "taxas negativas em todos os modais (de transportes) investigados: terrestre (-1,7%); aquaviário (-1,4%); aéreo (-5,5%); e armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio (-4,9%)."
Além disso, houve recuos de 3,9% no transporte de passageiros e de 1,6% no transporte de cargas em dezembro na comparação com novembro.
"As perdas no fim do ano têm a ver com fim do escoamento da safra, fim do plantio, e os segundos semestres são menos intensos do que os primeiros para colheita da safra. O menor escoamento se reflete no transporte de cargas", disse Lobo.
Já em 2025 o destaque foi a alta de 5,5% do ramo de informação e comunicação, impulsionado, em grande parte, pelo aumento das receitas das empresas que atuam nos segmentos de portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na Internet; desenvolvimento e licenciamento de softwares e outros.
O índice de atividades turísticas, por sua vez, apresentou expansão de 0,2% em dezembro frente ao mês anterior, acumulando em 2025 ganho de 4,6%.