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'Quem vai se arriscar a liberar uma barragem?'

Moradores de Mariana querem a volta da Vale, mas sabem que questão da segurança será difícil de resolver

13 abr 2019
22h11
atualizado em 14/4/2019 às 09h04
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MARIANA (MG) - "Tudo o que a gente quer é que a Vale volte a operar", diz Ronilton de Castro Condessa, 56 anos, diretor do Sindicato Metabase, de Mariana, e trabalhador da Vale. "Mas, diante de toda essa bagunça, quem vai se arriscar a assinar um relatório de estabilidade de barragem? Ninguém vai fazer isso."

Como a tragédia de Brumadinho expôs a deficiência na fiscalização das barragens - levando a Agência Nacional de Mineração (ANM) a apertar as regras para a liberação das estruturas - e também levou à prisão engenheiros que atestaram a segurança da mina Córrego do Feijão, o setor se viu com uma "batata quente" nas mãos. De órgãos governamentais a consultorias privadas, a noção é de que ficará bem mais difícil convencer um profissional a garantir que uma barragem tem risco zero de romper.

Capacete com logo da Vale SA na barragem que se rompeu em Brumadinho
Capacete com logo da Vale SA na barragem que se rompeu em Brumadinho
Foto: Washington / Reuters

Por essa razão, a Vale evita fazer previsões de quando retomará a produção nas localidades paralisadas. Outro trabalhador da Vale, Josimar César Alcântara, de 51 anos, diz que, no caso da mina Alegria, a estrutura que impede os trabalhos não é uma barragem a montante - semelhante à de Brumadinho -, mas uma pilha de minério de ferro seco. Até agora, no entanto, ninguém se habilitou a atestar a estabilidade dessa estrutura.

Nas minas paralisadas, a Vale diz que os trabalhadores se dedicam a atividades de manutenção. Logo após a tragédia de Brumadinho, a mineradora liberou funcionários para instalar sinalizações em áreas próximas a barragens, mas diz que esse trabalho já foi concluído.

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Estadão

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