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Presidente do BB diz que controle de preço, como no cheque especial, pode virar 'monstrengo'

Questionado por Kim Kataguiri sobre a medida do BC para o cheque especial, Novaes foi taxativo: 'sou contra qualquer controle de preços'

10 dez 2019
19h25
atualizado às 19h29
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BRASÍLIA - O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, criticou nesta terça-feira, 10, a iniciativa do Banco Central de fixar um limite para a cobrança de juros no cheque especial. Questionado pelo deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) sobre a medida do BC para o cheque especial, Novaes foi taxativo: "sou contra qualquer controle de preços".

"Tenho idade para ter visto no passado a criação do Conselho Interministerial de Preços (CIP), sob a alegação de que havia margens excessivas", comentou Novaes, durante audiência pública. "Os controles de preços, que começaram com as mais belas justificativas, se transformaram com o tempo em um monstrengo", acrescentou.

Instituído em agosto de 1968, durante o governo militar, o CIP era um órgão através do qual o governo fixava e executava a política de preços no mercado brasileiro.

No fim de novembro, o governo de Jair Bolsonaro decidiu limitar a 8% ao mês os juros cobrados pelos bancos no cheque especial, mas permitiu que as instituições cobrem uma tarifa mensal para oferecer o produto a seus clientes. A medida, formulada pelo Banco Central, foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo o BC, a mudança tem o objetivo de tornar o produto menos "regressivo", ou seja, de penalizar os mais pobres, considerando que o cheque especial é hoje utilizado principalmente por clientes de menor poder aquisitivo.

Ao tratar do assunto, Novaes criticou o argumento utilizado pelo BC para defender a medida, o de que existe uma "filha de mercado" que justifica a fixação de limites no cheque especial. De acordo com o presidente do Banco do Brasil, "a emenda pode sair pior que o soneto".

Rubem Novaes participou hoje de audiência pública na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Estadão
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