Motiva chega a MG e vira líder em extensão de rodovias administradas após conquista da Fernão Dias
Com inclusão dos 569 km de vias da rodovia que liga São Paulo a Belo Horizonte, portfólio da empresa saltará para cerca de 5 mil km; Motiva já era a maior em faturamento
A operação da Fernão Dias (BR-381), arrematada pela Motiva (ex-CCR) nesta quinta-feira, 11, marcará a entrada da companhia no Estado de Minas Gerais. Além disso, reforçará a presença em São Paulo, segundo divulgado pela empresa logo após o leilão promovido na sede da B3, em São Paulo.
A Motiva desbancou outros dois concorrentes no processo competitivo de otimização do contrato da rodovia. Também participaram a Arteris, atual operadora, e o Grupo EPR. A Motiva saiu ganhadora após ofertar um desconto de 17,05% sobre a tarifa básica de pedágio de R$ 0,03879 por quilômetro.
No pronunciamento, a companhia destacou ainda que, após a assinatura do contrato de concessão, prevista para 2026, e a inclusão dos 569 km de vias da Fernão Dias, a extensão do portfólio da Motiva Rodovias saltará dos atuais 4,475 mil km para aproximadamente 5,044 mil km. Deste modo, a empresa se tornará líder também no critério de extensão de vias administradas. Atualmente, já é a maior do segmento em termos de faturamento.
"Com esta conquista, que apresenta sinergias operacionais com nossas concessões no Estado de São Paulo e marca nossa chegada a Minas Gerais, avançamos em nosso plano de expandir nossos negócios de forma rentável e integrada, priorizando regiões com demanda conhecida e resiliente", disse o presidente da Motiva Rodovias, Eduardo Camargo.
Esta é a segunda licitação de rodovias conquistada pela Motiva neste ano. Em maio, arrematou a otimização contratual da BR-163, no Mato Grosso Sul, trecho administrado pela Motiva Pantanal. No ano passado, venceu a disputa pela Rota Sorocabana (SP) e PR Vias, no Paraná.
Com a chegada da Fernão Dias ao portfólio, a empresa passa a somar 13 portfólios. Os outros Estados de atuação incluem ainda Rio Grande do Sul (ViaSul), Santa Catarina (ViaCosteira) e Rio de Janeiro (ViaLagos, ViaRio e RioSP).
Estratégia de otimização
A vitória no leilão da Fernão Dias "coroa a estratégia de otimização de portfólio" aplicada pela companhia ao longo dos últimos anos. A avaliação é do CEO da empresa, Miguel Setas.
Entre os movimentos, o executivo destacou o fim da operação das barcas no Rio de Janeiro e repactuação da MSVia, agora Motiva Pantanal. Mais recentemente, a companhia fechou ainda a venda dos seus 20 aeroportos por R$ 11,5 bilhões para a Aeropuerto de Cancún, subsidiária do grupo mexicano Aeroportuario del Sureste (ASUR).
O objetivo da operação bilionária, segundo a própria Motiva, era simplificar o portfólio para focar em ativos considerados mais estratégicos. Isso inclui, principalmente rodovias e trilhos.
"Estamos muito felizes com esse encerramento de ano. A incorporação da Fernão Dias marca esse novo momento da vida da companhia", afirmou Setas durante conversa com analistas do mercado para falar sobre o projeto.
Nesse cenário, o CEO da Motiva reforçou que a nova operação marca um "passo fundamental no posicionamento estratégico da companhia", sendo um ativo premium em uma geografia estratégica.
A Fernão Dias é um dos melhores ativos rodoviários do País, avalia Setas. O executivo destacou a localização privilegiada, já que a estrada liga São Paulo a Belo Horizonte, com forte movimentação.
"Vemos uma geração de valor muito substancial para o nosso portfólio. É o melhor projeto da safra de projetos dos últimos anos", afirmou.
O CEO destacou que a estrada marca a estreia da Motiva em rodovias mineiras. Enquanto isso, foi a maior rodovia federal em eixos equivalentes pedagiados no ano passado.
"A Fernão Dias tem demanda conhecida, com baixo risco de fuga e carga diversificada", reforçou Setas. O executivo ressaltou ainda o capex de baixa complexidade, com maior participação de obras de reconstrução de pavimento.