Metade das gestoras de fortunas familiares vê mudança climática como risco para os próximos 5 anos
Segundo estudo, temor relacionado ao clima perde apenas para a preocupação com conflitos geopolíticos, recessão global e crise de dívida do governo
Quase metade (48%) dos family offices (gestoras de fortunas familiares) considera as mudanças climáticas como uma das maiores ameaças aos seus objetivos financeiros nos próximos cinco anos. Ao se considerar os próximos 12 meses, o porcentual de preocupados cai para 13%, segundo o UBS Global Family Office Report.
No futuro próximo, o risco com as mudanças climáticas fica atrás de um grande conflito geopolítico (61%), uma recessão global (53%) e uma crise de dívida do governo (50%), mas fica à frente de temores com crise no mercado financeiro (46%), guerra comercial global (40%) e inflação maior (37%).
As informações constam no sexto Global Family Office Report, produzido pelo UBS e divulgado na quarta-feira, 21. O relatório foi feito com base nas opiniões de 317 clientes de family offices do UBS, com famílias de patrimônio líquido médio de US$ 2,7 bilhões. A pesquisa online foi realizada de 22 de janeiro a 4 de abril de 2025.
Oportunidades em investimentos sustentáveis
Do ponto de vista de oportunidades, o levantamento do UBS mostra que as atitudes dos family offices em relação à sustentabilidade e ao investimento de impacto estão mudando, saindo do foco em apenas limitar riscos para começar a aproveitar oportunidades.
O relatório aponta que quase metade (46%) dos family offices que levam a sustentabilidade em consideração em seus investimentos e negócios a consideram como uma oportunidade atraente, um pouco acima dos 42% da pesquisa do ano passado. Por outro lado, apenas um terço (33%) a considera essencial para o gerenciamento adequado de riscos financeiros e não financeiros, uma queda acentuada em relação aos 47% observados antes.
"O pragmatismo em relação à disponibilidade de oportunidades de investimento parece ditar como os family offices perseguem seus objetivos de sustentabilidade e impacto. Por exemplo, mais de um terço (37%) está envolvido em tecnologias limpas/verdes/climáticas por meio do portfólio de investimentos e quase metade (49%) incluiu tecnologias em saúde e inovação em seus portfólios. A principal forma de participação na educação, no entanto, é por meio da filantropia, com 44% optando por fazê-la", descreve o UBS.
O relatório aponta que os family offices geralmente consideram a sustentabilidade e o impacto por meio da seleção de investimentos temáticos, títulos sustentáveis, private equity e infraestrutura (26%). No nível de alocação estratégica de ativos, o olhar para investimentos sustentáveis é menos comum (16%).