Mercado reduz projeções de inflação, Selic e dólar para este ano; PIB é mantido
Apesar da redução nas estimativas do IPCA, índice ainda mostra inflação acima do teto da meta
As projeções do relatório Focus feitas desta semana, feitas com instituições do mercado financeiro, mostram uma redução do IPCA, da taxa Selic e do dólar em 2025. Para o Produto Interno Bruto, a estimava de crescimento foi mantida em 2% em 2025.
A mediana para o IPCA deste ano passou de 5,55% para 5,53%, a terceira baixa seguida. Agora, está 1,03 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. A projeção para o IPCA de 2026 se manteve em 4,51%, ainda ultrapassando o teto da meta.
O Banco Central espera que o IPCA some 5,1% em 2025 e 3,7% em 2026, conforme a trajetória divulgada no último Relatório de Política Monetária (RPM). A autarquia trabalha com o terceiro trimestre de 2026 como horizonte relevante, mas o período deve mudar para o fim do ano que vem na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 6 e 7 de maio.
A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se o IPCA ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
A mediana do Focus para a inflação de 2027 permaneceu em 4,0% pela 11ª semana consecutiva. A projeção para o IPCA de 2028 passou de 3,78% para 3,80%. Um mês antes, estava em 3,78%.
Selic
Na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir, a mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 caiu de 15,0% para 14,75%, após 16 semanas de estabilidade. A projeção sugere que os juros terão de subir 0,50 ponto porcentual acima do nível atual, de 14,25%. O Copom tem elevado a taxa e já sinalizou um novo aumento, menor do que 1 ponto porcentual, na reunião desta semana.
Diretores do Banco Central vêm destacando a incerteza que permeia o cenário externo desde o anúncio de uma série de tarifas pelo presidente americano, Donald Trump. Diante da falta de clareza sobre o futuro, eles deixaram claro que o Copom vai abandonar o forward guidance (estimativas futuras) depois de maio, buscando maior flexibilidade para lidar com o cenário.
A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou estável em 12,50% pela 14ª semana consecutiva. A estimativa intermediária para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 12ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,0% pela 19ª semana consecutiva.
Dólar
A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2025 caiu de R$ 5,90 para R$ 5,86. Um mês antes, era de R$ 5,90. A estimativa intermediária para a moeda americana no fim de 2026 passou de R$ 5,95 para R$ 5,91. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,99.
A estimativa intermediária para o dólar no fim de 2027 passou de R$ 5,86 para R$ 5,85. Um mês antes, era de R$ 5,90. A projeção para o fim de 2028 ficou em R$ 5,85, mesmo patamar de um mês antes. A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não mais no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
PIB
A mediana para o crescimento do PIB brasileiro em 2025 se manteve em 2,0%. Um mês antes, era de 1,97%.
No mais recente Relatório de Política Monetária (RPM), o Banco Central diminuiu a sua projeção de crescimento do PIB em 2025, de 2,1% para 1,9%. Segundo a autarquia, a revisão é consistente com a perspectiva de moderação do crescimento, devido à política monetária contracionista.
A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2026 também se manteve em 1,70%. A mediana para o crescimento do PIB de 2027 permaneceu em 2,0% pela quinta semana seguida. A estimativa intermediária para 2028 ficou estável em 2,0% pela 60ª semana seguida.