Marinho critica BC por resultado do Caged em 2025: 'Impacto do juro foi maior que o tarifaço'
Saldo de empregos formais cresceu 2,71%, ritmo menor do que em 2024 e 2023
BRASÍLIA - O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse nesta quinta-feira, 29, que o resultado do Novo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em 2025 é "compatível com o maior juro real do mundo", excetuando a Rússia, que está em guerra contra a Ucrânia.
O saldo de empregos formais em 2025 foi de 1.279.498 postos de trabalho, pouco abaixo da projeção intermediária, que era de abertura líquida de 1,4 milhão de vagas. O resultado representou crescimento de 2,71%, que é menor do que o crescimento registrado em 2024 (3,69%) e 2023 (3,30%).
Este foi o pior resultado para um ano desde o início da série histórica atual, iniciada em 2020, na pandemia. Naquele ano, o País fechou 189.393 postos de trabalho.
Marinho aproveitou para criticar novamente o Banco Central (BC). Ele afirmou que vinha alertando sobre o processo de desaceleração do ritmo de crescimento da economia e isso acabou acontecendo. "Não se trata de desaquecimento da economia, felizmente. Não se trata de queda na economia, mas é no ritmo do crescimento", disse.
Sobre a decisão desta quarta-feira, 28, do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic em 15% ao ano, ele disse que ela veio dentro do esperado, mas as sinalizações de corte têm vindo "com atraso".
Tarifaço
Marinho disse que o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros impactou menos no resultado do Caged de 2025 do que os juros.
"O tarifaço impactou, claro que ele impactou, mas eu acho que o impacto do juro foi maior que o tarifaço. E o impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo ao longo do tempo, desde antes que se pensasse em tarifaço", disse.
"O fato de termos aberto vários mercados deu uma amenizada muito grande na história do tarifaço e o tarifaço impactou segmentos pontuais", sustentou. "Não estamos negando que o tarifaço afetou alguns segmentos. Isso aconteceu. Mas, do ponto de vista global, acho que o efeito dos juros é mais danoso."
A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, chamou atenção para o fato de a indústria ter crescido menos que a média do emprego (1,6%, ante 2,71% no salgo geral). "O setor industrial é um dos mais afetados, principalmente pelas dificuldades de conseguir liquidez financeira", disse a subsecretária.
Ela citou setores específicos que foram mais afetados, como o de madeira, que tinha o mercado norte-americano como foco. "A gente acha que o impacto maior é a falta de recursos para rolar capital de giro, e aí ter uma taxa básica de 15,0% afeta, né? Não é algo simples", completou Montagner.
Projeção para 2026
Sobre 2026, Marinho disse que é possível que a atuação do BC pode comprometer um bom pedaço do ano, "por responsabilidade exclusiva do monitoramento que o Banco Central faz, e acho que faz de forma muito conservadora".
O ministro disse esperar um 1º trimestre "bom", pois haverá aumento real (descontada a inflação) do salário mínimo e a entrada em vigor da isenção do Imposto de Renda (IR). "Espero que isso ajude a segurar a economia, para manter o crescimento da economia."
"Acho que a gente começa o ano positivo, levando em consideração o que nós, o que as decisões do presidente Lula, do nosso governo, colocam no mercado. Nós liberamos, para 29 de dezembro, R$ 3,8 bilhões de Fundo de Garantia retido. No dia 12 de fevereiro, liberamos R$ 3,911 bilhões da segunda etapa dos recursos retidos do Fundo de Garantia, do saque-aniversário", completou.