Fevereiro pode ter chuvas mais favoráveis ao setor elétrico, enquanto carga deve cair, prevê ONS
As chuvas poderão ser mais favoráveis ao setor elétrico no mês de fevereiro, depois de meses mais secos que o normal, ajudando a reduzir o déficit de precipitações em importantes bacias em momento crucial para garantir mais armazenamento nos reservatórios das hidrelétricas, disse o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Conforme o planejamento do órgão para fevereiro, apresentado nesta quinta-feira, as chuvas podem melhorar, principalmente na primeira quinzena do mês, nas bacias hidrográficas das regiões Sudeste/Centro-Oeste, que concentram os principais reservatórios de usinas hidrelétricas do país.
A melhora das precipitações segue uma tendência já observada nos últimos dias de janeiro, apontou o ONS, quando o maior volume de chuvas permitiu reduzir um déficit em relação à média histórica que vinha sendo observado em bacias importantes, como as do Paranaíba e São Francisco.
O ONS também observou que as precipitações provavelmente ficarão em torno da média de longo prazo nas principais bacias até abril, que marca o fim do período úmido.
Mas os volumes de chuvas já se reduzem nesses meses, de modo que o operador ressaltou que mantém sua atenção quanto ao nível dos reservatórios do país.
No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, os lagos das hidrelétricas devem fechar janeiro com cerca de 46% da capacidade, quase 15 pontos percentuais abaixo do registrado em igual período de 2025, mas ainda bem acima do patamar de 20% observado em 2021, quando o país enfrentou grave crise hídrica.
Já para a carga de energia elétrica no país, o ONS estimou uma queda de 1,7% em fevereiro na comparação anual, para 87.613 megawatts médios.
BANDEIRA TARIFÁRIA
Apesar do alerta para o nível dos reservatórios, o aumento da geração hidrelétrica em fevereiro deve garantir o acionamento da bandeira tarifária verde para o mês, sem cobrança extra na conta de luz, segundo estimativas de consultorias e comercializadoras.
A bandeira será anunciada oficialmente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na sexta-feira.
Já para os meses seguintes, a perspectiva dos agentes é de que a bandeira verde permaneça até abril, com taxas começando a ser cobradas dos consumidores a partir de maio.
Para a Armor Energia, a Aneel poderá acionar bandeira amarela em maio, enquanto em junho os cenários variam entre amarela ou vermelha tipo 1. De julho a outubro, a expectativa é de bandeira vermelha tipo 2, que impõe a maior cobrança para os consumidores e acaba gerando algum impacto adicional à inflação do país.
Para novembro em diante, o cenário-base aponta para bandeira amarela, mas isso dependerá da chegada do próximo período úmido, disse a Armor, em nota.
Já a Ampere Consultoria revisou sua projeção de bandeiras depois da ligeira melhora prevista para as chuvas em fevereiro, passando a esperar agora o acionamento da bandeira amarela apenas em maio. Mas o acionamento da bandeira amarela em abril não está totalmente descartado e aparece nos cenários mais conservadores, apontou o sócio consultor da empresa, Guilherme Ramalho de Oliveira.