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Ex-diretores do BC criticam hipótese de Mello assumir diretoria de Política Econômica

Economista é visto como alguém que militaria no Copom por juros baixos mesmo se as condições concorressem para o contrário; indicação ainda precisa passar por Lula e pelo Senado

2 fev 2026 - 16h48
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A notícia de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para a diretoria de mesmo nome no Banco Central (BC) suscita mais críticas e dúvidas do que aceitação entre ex-diretores da autarquia, conforme apurou o Estadão/Broadcast.

Mello é considerado no mercado financeiro um contestador de princípios da teoria econômica dominante, a chamada ortodoxia neoclássica, que defende a ideia de que os mercados se autorregulam. Ele é visto como um economista heterodoxo, com foco no bem-estar social, alguém que militaria no Comitê de Política Monetária (Copom) por juros baixos mesmo se as condições macroeconômicas concorressem para o contrário.

A indicação de Mello para a diretoria do BC, porém, ainda precisa passar pelo crivo de Lula e depois ser aprovada pelo Senado, que sabatinará o economista somente após o Planalto formalizar a nomeação.

Segundo um ex-diretor do BC, Mello seria uma "péssima escolha" e indicaria uma espécie de "retaliação pura" de Haddad contra o presidente do BC, Gabriel Galípolo, em resposta à demora da autarquia em reduzir a taxa Selic.

Ainda segundo ele, quando Galípolo foi indicado para a diretoria de Política Monetária, havia a ideia de que o atual chefe do BC atuaria em oposição ao então presidente Roberto Campos Neto. Mello deve chegar, na avaliação desse ex-diretor, para fazer oposição à Galípolo. Para ele, a indicação foi uma surpresa por atacar o bom trabalho que Galípolo vem fazendo ao mostrar independência do BC.

Na mesma linha de pensamento, outro ex-diretor do BC entende que a confirmação de Mello na autoridade monetária pode colocar sob risco o ganho de credibilidade que a atual gestão, sob o comando de Galípolo, ganhou nos últimos meses. Ele diz que a escolha teria um impacto negativo sobre a credibilidade e que há o receio de uma postura mais heterodoxa na condução da política monetária.

Entre os pontos que pesam contra Mello, ele destaca manifestações recentes do secretário de Política Econômica rebatendo avaliações de que o governo federal está com gastos elevados — o que, segundo o ex-BC, é um erro de análise.

Outro ex-diretor do BC disse não ver grandes problemas na indicação. Para ele, é prerrogativa dos governos indicar nomes para a diretoria do BC, assim como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acabou de indicar para o Federal Reserve Kevin Warsh, que hipoteticamente atenderia os anseios do mandatário norte-americano em relação ao corte de juros.

Para esse ex-diretor, o único senão reside no fato de Mello entrar no BC já para a pasta de Política Econômica, que trata não apenas da economia local, mas da global. Nesse caso, segundo o ex-diretor, que à sua época ocupou a diretoria de Política Monetária, Mello deveria ingressar no BC pela Diretoria de Assuntos Internacionais.

Um dos três ex-diretores do BC ouvidos pelo Estadão/Broadcast ressaltou que, para além do nome do futuro indicado, pesa a demora do governo em anunciar os novos membros do Copom, que tomou a decisão sobre a Selic com dois integrantes a menos na reunião de janeiro.

Mercado vê indicação com cautela

A indicação de Mello por Haddad também foi recebida com cautela por gestores e outros representantes do mercado financeiro. Um dos gestores entrevistados, sob condição de anonimato, disse que há uma visão de que o Banco Central terá que fazer "mais esforço para manter sua reputação" se Mello assumir a diretoria de Política Econômica, o que significaria diminuir a extensão dos cortes da Selic.

A avaliação é a de que a formação dele está muito distante do que se espera de um diretor de Política Econômica. E isso, continua, não ajudaria na condução da política monetária, que precisa de reputação e credibilidade "que Mello não tem". Para o gestor, a indicação provoca inclinação da curva a termo de juros, com vencimentos longos em alta, e alta na expectativa de inflação implícita.

Outro profissional, especialista em renda variável, disse que Mello "não é um bom nome", mas que a indicação não chegou a influenciar os negócios com ações. Ele acrescentou que o Banco Central tem se mostrado técnico e independente em suas decisões de política monetária.

Para esse profissional, muito do que Mello escreveu está na linha desenvolvimentista, que não deu certo, e não tem embasamento teórico ou empírico./Colaborou Maria Regina Silva

Estadão
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