Dólar cai ante real após dados de emprego abaixo do esperado nos EUA
O dólar intensificou as perdas ante o real nesta manhã de sexta-feira após a divulgação de dados abaixo do esperado sobre o mercado de trabalho norte-americano, em sintonia com a perda de força da moeda norte-americana também no exterior.
Às 10h37, o dólar à vista cedia 0,60%, a R$5,3567 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- recuava 0,62%, a R$5,3865.
O Departamento do Trabalho informou que foram gerados 50.000 postos de trabalho em dezembro nos Estados Unidos, abaixo dos 60.000 projetados em pesquisa da Reuters com economistas. A taxa de desemprego nos EUA ficou em 4,4%, ante projeção de 4,5%.
Em uma primeira reação aos números, os rendimentos dos Treasuries de dez anos -- referência global de investimentos -- perderam força, assim como o dólar ante boa parte das demais divisas.
No Brasil, a moeda norte-americana, que já oscilava em leve baixa antes do relatório de empregos, aprofundou o movimento, renovando as menores cotações do dia até o momento, em meio à leitura de que as chances de mais cortes de juros nos EUA aumentaram.
O diferencial entre a taxa de juros norte-americana, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, e brasileira, que está em 15%, vem sendo apontado como um fator de atração de recursos para o Brasil, mantendo o dólar em níveis mais distantes dos R$6,00 nos últimos meses.
Mais cedo, na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em dezembro, após elevação de 0,18% em novembro, encerrando 2025 com alta acumulada de 4,26%. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas de 0,35% no mês e de 4,30% no ano.
A inflação do ano ainda está acima do centro da meta contínua de inflação perseguida pelo Banco Central, de 3%, mas está dentro do intervalo de tolerância, que vai até 4,50%. Em novembro a inflação oficial já havia ficado dentro do intervalo de tolerância, ao atingir 4,46% em 12 meses.
Embora a inflação de dezembro e do acumulado de 2025 tenham ficado abaixo das projeções dos economistas, a abertura dos dados ainda mostrou um cenário de pressão de preços, o que dava sustentação à curva de juros brasileira. Por trás disso está a visão de que, com a inflação ainda pressionada, o Banco Central pode iniciar o processo de corte de juros apenas em março, favorecendo o diferencial de juros entre Brasil e EUA.
Na quinta-feira, o dólar fechou cotado a R$5,3892, em alta de 0,04%.
Às 11h30 o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.