PUBLICIDADE

De olho em PMEs exportadoras, fintech do Santander oferece conta no exterior

Voltada a empresários, Ebury permite receber pagamentos na moeda do país em que produtos e serviços são vendidos

7 dez 2021 - 15h12
Ver comentários
Publicidade

Exportar e receber em dólares é uma ótima pedida em tempos de valorização da moeda americana, mas também pode ser uma dor de cabeça para empresas de menor porte. A Ebury, fintech inglesa do Santander que atende a empresas, quer reduzir em parte essa dificuldade: lançou uma conta no exterior, de olho principalmente em pequenos e médios negócios que começaram a mandar produtos para fora do País graças à janela aberta pelo varejo eletrônico.

A conta da Ebury permite que o empresário receba o dinheiro na moeda do país em que vendeu. As contas locais abrangem 20 moedas, número que chega a 50 no caso de recebimento de recursos. Os valores a pagar são convertidos pela plataforma a partir de dólares ou euros, e os pagamentos, realizados na moeda escolhida pelo correntista, em uma cesta com 130 divisas. O processo é automatizado e, segundo a empresa, mais barato que os tradicionais.

"Imagine um exportador pequenininho brasileiro que vai arriscar vender fora do Brasil, e precisa de uma conta para receber fora. Às vezes, é um teste, ele está começando e já precisa de uma conta", diz Claudia Bortoletto, líder da operação comercial da Ebury no Brasil.

As contas são o glacê de um bolo que cresce rápido. Desde que chegou ao País, em maio, a operação da fintech já movimentou R$ 500 milhões, e espera chegar a R$ 2 bilhões no primeiro aniversário, com mais de mil clientes. Se a conta é o glacê, a cereja serão as cotações em real diretamente na plataforma. A pesada regulação local exigiu adaptações aos sistemas da Ebury, e enquanto elas não ficam prontas, o serviço é feito via telefone.

Time da casa

O Santander espanhol comprou 50,1% da Ebury no ano passado, já de olho em uma expansão global. O Brasil é a porta de entrada na América Latina, e a operação é tocada por um nome da casa. Claudia passou quase 16 anos no Santander Brasil e tem experiência no atendimento a empresas e na área de derivativos. Hoje, comanda uma equipe de 15 pessoas, que deve dobrar até maio, em um escritório em Pinheiros, na capital paulista, fora da sede do Santander.

Já Fernando Pierri, que esteve no banco por nove anos e chefiou a área de financiamento ligado ao comércio exterior, foi "exportado": hoje, é o diretor comercial global da Ebury. Segundo ele, há conversas com varejistas eletrônicas no Brasil e no mundo para criar parcerias, mas os nomes ainda são um mistério. "Já temos conversas para que a nossa conta seja a preferencial (para os vendedores dos sites)", diz.

Pulando etapas

Francisco Morais, coordenador contábil e fiscal nos Estados Unidos da Drummond Advisors, consultoria que auxilia na internacionalização de empresas, afirma que para uma empresa exportar para os EUA, por exemplo, precisa ter uma conta em um banco local para receber os recursos, o que exige, em muitos casos, uma empresa aberta por lá. É nisso que pequenos empresários acabam esbarrando.

"Pelas experiências que passamos, existem alguns custos de manutenção para continuar com esse braço da empresa nos Estados Unidos, anualidades que, faça chuva ou faça sol, tem que pagar", diz ele. Morais afirma ainda que uma conta como a da Ebury ajuda a pular etapas, e afirma que alguns bancos brasileiros já oferecem serviços parecidos, embora com contas em um só país e com transações em dólar, como o BB Americas, por exemplo.

Falando chinês

Como em quase todo o comércio exterior, a China é fundamental para a expansão global da Ebury. Segundo Pierri, em 12 meses, as transações com yuans saltaram de 2% para 24% do total transacionado por meio da fintech. Ele explica que boa parte da alta veio da boa e velha conversa.

"Nossos clientes chineses exportam para a Europa. Estamos convencendo os chineses a vender em moeda chinesa em vez de dólar", afirma. A mesma lógica, segundo ele, pode ser aplicada a exportadores brasileiros.

O Brasil deu sua contribuição para esse avanço. Com a experiência de quem esteve na área de comércio exterior de um banco brasileiro, Pierri estudou mandarim por quase três anos — e convenceu parte da equipe da Ebury no exterior a fazer o mesmo. "Hoje, temos um curso de mandarim para quem quiser participar. E as aulas estão acontecendo com gente de dez, 15 países diferentes."

Estadão
Publicidade
Publicidade