Banco da Inglaterra testa resiliência dos mercados privados a choque global grave
O Banco da Inglaterra apresentou nesta sexta-feira o cenário para o teste de estresse dos mercados privados deste ano, simulando um choque global grave que provoca queda de 35% nos mercados acionários e eleva a inflação para 7%.
O teste pressupõe que eventos geopolíticos não especificados interrompam as cadeias de oferta, desencadeando uma recessão profunda na qual a economia britânica encolhe 4% e o desemprego aumenta.
Mais de 40 empresas estão participando do cenário exploratório em escala sistêmica (SWES), o primeiro do tipo no mundo, incluindo 17 gestoras de ativos alternativos, como a Apollo Global Management, a Ares, a Bain Capital e a KKR. Como o Banco da Inglaterra não regula as gestoras de ativos, a participação delas é voluntária.
O exercício tem como objetivo avaliar como bancos e instituições financeiras não bancárias ativas nos mercados privados responderiam a uma recessão global grave, mas plausível, e como seu comportamento poderia interagir para amplificar o estresse em todo o sistema financeiro.
Órgãos reguladores em todo o mundo intensificaram o escrutínio dos mercados privados. O Conselho de Estabilidade Financeira afirmou em maio que sinais de tensão subjacente estão surgindo no crédito privado — tipicamente, empréstimos não bancários a empresas de médio porte. O banco central britânico já havia expressado preocupação de que a opacidade nos mercados privados pudesse agravar falências isoladas.
O Banco da Inglaterra afirmou que o cenário — assim como outros em testes de estresse anteriores — não é uma previsão do que ele considera provável que venha a acontecer com a economia mundial. Ele planeja divulgar os resultados da primeira rodada do teste até o final do ano, antes de realizar um segundo teste de estresse no início do próximo ano, seguido de um relatório final.
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