Azul está de volta ao jogo e não quer ser só empresa aérea, diz CEO da companhia
Papéis da companhia começam a ser negociados nesta quinta-feira no pregão principal da Bolsa de Nova York
NOVA YORK - "A Azul está de volta ao jogo", afirma o CEO da companhia aérea, John Rodgerson, ao comentar sobre a relistagem dos papéis da empresa na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), que marca o fim do processo de reestruturação da empresa. A cerimônia oficial de toque de sino acontece nesta quinta-feira, 9, com presença de todo o comando da empresa e tripulantes.
Nessa volta da companhia, depois de passar por uma série de períodos de estresse, que se acentuaram com a pandemia e fizeram a empresa buscar proteção contra credores em 2025 nos Estados Unidos, o chamado Chapter 11, a Azul quer ampliar fontes de receitas para além da venda de passagens de avião. "Estamos muito focados em não ser só uma empresa aérea", afirma o CEO.
Dentro dessa estratégia, Rodgerson aponta que o objetivo é buscar novas fontes de receitas, além de perseguir a meta de manter baixo endividamento e foco no cliente, principalmente o de alta renda. "O que é preciso fazer é blindar a empresa, de duas formas: não ser muito endividada e diversificar as fontes de receitas, para ter habilidade de ganhar dinheiro de várias formas", afirmou, ressaltando o foco no cliente "de alto valor".
Das receitas da Azul, cerca de 25% já vêm de outras fontes, como cartão de crédito, pacotes de viagens, programa de fidelidade e transporte de cargas. Esse número mais que dobrou quando comparado a antes da pandemia de covid, quando estava na casa dos 11% a 12%. "Fizemos muito investimento para aumentar as outras receitas", diz Rodgerson.
"Aprendemos com o passado que o Brasil sempre vai ter crises", completou o executivo, que é americano e está há 18 anos no Brasil. Nesse período, já lidou com os mais diversos períodos de turbulência, como o impeachment de Dilma Rousseff, a Lava Jato e agora o escândalo do Banco Master. Em alguns momentos, como no pós-covid em 2022, a Azul "estava tentando sobreviver" em meio a uma maré de incertezas.
Em 2026, há um novo período de forte incerteza nas alturas por conta da guerra do Irã, mas que agora pega a empresa mais fortalecida com o fim da reestruturação, ressalta. "Somos uma empresa com receita maior e menos alavancada. Estamos mais preparados."
Agora, na Nyse, a Azul vai ser negociada no mercado principal, com American Depositary Shares (ADS), que representam papéis da companhia aérea listados na B3. A empresa vai seguir na bolsa brasileira, mesmo com a expectativa de que o maior volume de negócios fique no mercado americano. "Sendo uma empresa brasileira, é importante continuar listada no Brasil", diz o executivo.
A Azul terá, na Nyse, a companhia de outras aéreas da América Latina, como a Copa Airlines e a Latam, que voltou a ser negociada em julho de 2024 depois de também passar pelo Chapter 11. Diferentemente da concorrente, que fez uma oferta de ações para captar recursos, a Azul não fez uma captação, e sim migrou seus papéis de um segmento de acesso, chamado Nyse American, para o pregão principal.
Sobre planos de captar recursos nos Estados Unidos, Rodgerson afirma que agora não há esse objetivo, pois levantou os recursos que precisava ao sair do Chapter 11. Ao ser listada em Nova York, a empresa tem acesso ao capital e fica muito mais fácil captar recursos, pontua.
Para o endividamento, o executivo disse que o compromisso da empresa é manter o indicador baixo, considerando a relação entre a dívida e o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos e amortizações). Antes do Chapter 11, estava em 5 vezes, número que baixou agora para 2,4 vezes e o objetivo é reduzir para 1,5 vez no prazo de três anos. "O objetivo é ter esse número abaixo de 2 vezes", conclui o CEO.
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