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Ata do Copom: Ciclo de corte da Selic começa em março, mas magnitude e duração estão indefinidas

Documento da última reunião do Copom reafirmou, porém, a necessidade de manter os juros em 'níveis restritivos' ainda por algum tempo

3 fev 2026 - 08h55
(atualizado às 09h00)
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BRASÍLIA - A magnitude e a duração do ciclo de cortes de juros que deve começar na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 17 de março, estão em aberto e vão depender da divulgação de novos dados. Essa é a principal mensagem da ata da mais recente reunião do colegiado, realizada na semana passada.

"O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises, permitindo uma avaliação mais precisa", diz o texto, publicado nesta terça-feira, 3.

Na última quarta-feira, 28, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas informou que tem a intenção de começar a reduzir o nível dos juros no próximo encontro. Economistas do mercado rapidamente se dividiram sobre a magnitude do corte inicial, de 0,25 ou 0,50 ponto porcentual. No mercado, há quem aposte em até 0,75 ponto.

Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"Ao mesmo tempo, de maneira unânime, o Comitê reafirma a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos, até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta, dada a resiliência de fatores que pressionam preços tanto correntes quanto esperados, em especial do dinamismo ainda observado no mercado de trabalho", destaca a ata.

A ata do Copom esclarece que a decisão de manter a duração e a magnitude do ciclo de cortes em aberto é compatível com os "sinais mistos" sobre o ritmo de desaceleração da economia brasileira e os seus efeitos sobre a inflação. Segundo o colegiado, ainda há dificuldade de identificar tendências claras.

O Comitê ressaltou que mantém o "compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante". Explicou, ainda, que a dinâmica da inflação corrente e os sinais mais claros da política monetária tornaram adequada a sinalização de um início de flexibilização monetária.

O colegiado repetiu que o cenário atual segue marcado por elevada incerteza, o que exige cautela na condução da política monetária. "O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros."

O Copom repetiu as projeções para a inflação acumulada em 12 meses já apresentadas no comunicado da semana passada. Prevê alta de 3,4% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 e de 3,2% no terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante - estimativas ligeiramente acima do centro da meta perseguida pelo BC, de 3%.

Calibragem

O Copom detalhou ter se aprofundado na discussão sobre a calibragem da política monetária após avaliar que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.

No 14.º parágrafo da ata publicada nesta terça-feira, o colegiado observou que ao longo de suas últimas reuniões vem alterando sua comunicação para expressar sua percepção sobre o estágio em que a política monetária se encontra, "destacando o ganho de confiança que vem se acumulando com o processo de desinflação".

Ressaltou, na sequência, a "elevação firme" da taxa de juros que fez no ano passado para combater a deterioração do cenário de inflação, e acrescentou que, passado esse estágio, interrompeu o ciclo para avaliar se o nível corrente da taxa seria suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.

Harmonia fiscal e monetária

A ata divulgada nesta terça-feira mostra que o debate na reunião de janeiro evidenciou novamente a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas.

"O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade", diz o documento.

Os membros do Copom também mantiveram firme a convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. "Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta", traz o documento.

Estadão
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