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PF abre inquérito para apurar gestão fraudulenta no BRB, dizem fontes

3 fev 2026 - 10h37
(atualizado às 19h33)
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A Polícia Federal abriu um inquérito criminal para apurar gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB), disseram duas fontes da corporação com conhecimento do caso à Reuters nesta terça-feira, em mais um desdobramento das apurações que envolvem o Banco Master.

O caso foi revelado por veículos de ‌imprensa brasileiros e confirmado pela Reuters.

O Banco Central rejeitou, em setembro do ano passado, a compra do Master pelo BRB após concluir análise ‌acerca da capacidade financeira da instituição, que tem como principal acionista o governo do Distrito Federal, para fazer frente ao negócio.

Em novembro, quando foi decretada a liquidação extrajudicial do Master pelo BC, dirigentes do BRB foram alvos de mandados de busca e apreensão e foram afastados dos cargos por suspeitas de envolvimento em irregularidades.

Em nota divulgada nesta terça, o BRB informou ter encaminhado à PF e ao Banco ‍Central relatório preliminar de auditoria forense preparada pelo escritório de advocacia Machado & Meyer, contratado pelo banco, com "achados relevantes".

"Dando resposta ao quanto constatado na investigação independente, e com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero, o BRB informa que vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, ‌extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB", disse ‌o banco.

O BRB acrescentou que as medidas serão reforçadas por novas iniciativas, "para garantir a efetividade da preservação dos interesses do Banco" e que a instituição segue sólida.

Reportagem da Reuters apontou que um esquema de sucessivas operações financeiras triangulares usou o BRB para abastecer o caixa do Master, e envolveu empréstimos consignados e geração de créditos de fachada.

Em depoimento à Polícia Federal no final de dezembro, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que a reserva de recursos que o Banco de Brasília iria precisar provisionar dentro do balanço para cobrir operações feitas com o Master seria de "elevada monta" e poderia chegar a R$5 bilhões.

O valor é quase o dobro do provisionamento inicial -- de quase R$2,6 bilhões -- que a própria autoridade monetária havia pedido ao BRB para cobertura de eventuais rombos em operações feitas com o Master.

Aquino também disse que desde março o BC apresentou questionamentos por meio de ofícios mostrando a preocupação com o BRB em relação a operações.

FICTOR

A Polícia Federal concluiu as investigações que envolvem o Grupo Fictor, segundo outra fonte da corporação disse à Reuters, sem dar detalhes das conclusões.

Assim como o BRB, o Fictor também tentou comprar o Banco Master no ano passado.

No domingo, o Grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial para a Fictor Holding e ‍Fictor Invest no Tribunal de ‌Justiça de São Paulo, afirmando que o valor dos compromissos soma, aproximadamente, R$4 bilhões.

Em nota, o Grupo Fictor disse ter conhecimento da ‌existência de inquérito policial instaurado pela PF desde 2023 envolvendo a empresa Fictor Agro "sem qualquer relação com a recuperação judicial pedida no último dia 1º de fevereiro".

A nota diz ainda que o grupo "não foi cientificado da existência de relatório conclusivo até a presente data".

"O Grupo Fictor reafirma, por fim, sua confiança nas instituições encarregadas da persecução penal e seu compromisso com a continuidade sustentável de suas operações."

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