Acordo para criar tilápia em Itaipu depende de aval do Congresso paraguaio
Legislação impede que espécie exótica seja criada no reservatório da usina; segundo secretário da Pesca, desafio é convencer o Paraguai de que não existe perigo na produção de tilápia no local
BRASÍLIA - O fato de o governo brasileiro querer usar o reservatório de Itaipu para criar tilápia não significa que a produção vai começar amanhã. Na realidade, a ideia conta apenas com o aval do governo paraguaio, mas ainda precisa passar pelo crivo do parlamento do Paraguai, porque há impedimento legal para criação de espécie exótica no reservatório. Assim como o Brasil divide com o Paraguai a energia da usina binacional, precisa de sua autorização para produzir peixes nas águas.
"Existem ainda algumas normas do Paraguai que precisam passar por mudança. Hoje há vedação na legislação. Nós já enviamos toda a documentação para eles, o governo do Paraguai está de acordo, dependendo agora do parlamento paraguaio", disse o secretário da Pesca, Jorge Seif Júnior. "Comprovamos que não é uma ameaça às espécies nativas. Agora nosso grande desafio é convencer o parlamento paraguaio de que não existe perigo, mas sim uma oportunidade de cultivo."
O secretário afirma que, caso a autorização não saia, o governo brasileiro poderá buscar produtores de outras espécies para explorar o lago. A tilápia é cobiçada pelo setor porque sua produção depende de pouca ração para que o peixe atinja a fase de abate.
O Paraná já é o maior produtor de tilápia do Brasil. O Estado, diz o secretário, tem uma cadeia comercial com produtores, indústrias, mão-de-obra, alevinos e fábricas de ração. "Precisava de um movimento do governo federal devido à demanda ser muito antiga e ter várias vedações que foram superadas. Outros reservatórios do Paraná já têm cultivo e não tinham essa complexidade de Itaipu. Há lagos adjacentes que criam e drenam para o lago de Itaipu há décadas e está provado que ali a tilápia não se estabelece, que não é uma espécie invasora ou predadora."