Ações da OGX chegam a subir 30% no 1º dia fora do Ibovespa
As ações da OGX, de Eike Batista, chegaram a subir 30,76%, a R$ 0,17, nesta sexta-feira, primeiro dia da petroleira do Ibovespa. Os papéis da empresa deixaram de integrar o Integrar o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) após o pedido de recuperação judicial da companhia, mas continuarão a ser negociadas na bolsa.
A alta desacelerou no início da tarde e por volta das 14h15, os papéis avançavam 7,69%%, a R$ 0,15. Na máxima, obtida em 2010, as ações da petroleira chegaram a valer R$ 23,27.
Ao final do pregão de quinta-feira, a BM&FBovespa realizou o procedimento especial de negociação (call de fechamento) para determinação do preço de retirada da OGX dos índices de ações, entre eles o Ibovespa, deixando de integrá-los a partir de hoje.
Na sequência, as carteiras teóricas foram rebalanceadas, com a exclusão da OGX, de acordo com os termos de suas metodologias. Além do Ibovespa, as ações também integram outros nove índices, como IBrX, IBrX-50 e Índice Small Cap.
Crise na OGX
O empresário Eike Batista entrou nesta quarta-feira com pedido de recuperação judicial de sua petroleira, a OGX. Considerada pelo próprio Eike como um de seus projetos “a prova de idiotas”, a companhia agora vai ganhar uma “trégua” de até 180 dias para se mostrar capaz de resolver os problemas ou terá que decretar falência.
Com o anúncio do não pagamento das parcelas de juros remuneratórios no valor aproximado de US$ 45 milhões no final de setembro, a saída para a OGX passou a ser a recuperação judicial. O pedido deveria ser realizado até o último dia do mês de outubro.
Com o anúncio do calote no pagamento dos juros, as ações da petroleira passaram o mês de outubro sendo negociadas pelos menores valores desde que passaram a fazer parte da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Nesta quarta, as ações da empresa caíram mais 26,09% e fecharam a R$ 0,17 - 99,26% menos que a cotação máxima que os papéis já atingiram (R$ 23,28).
Em setembro, quando o fim da empresa já parecia iminente, o empresário ainda se recusava a assumir a culpa pelo fracasso da OGX. Em entrevista ao The Wall Street Journal, ele afirmou que foi enganado por seus ex-executivos, o qual costumava a chamar de "Dream Team" (time dos sonhos), e disse ainda que seu mapa astral não o favorecia durante o anúncio de que a OGX não conseguiria produzir o que havia prometido e que até mesmo seus investidores o abandonaram muito rápido. Apesar da crise, dono do grupo EBX disse que voltará a ganhar dinheiro com suas empresas.
Recuperação judicial
Eike não admitiu que tinha conhecimento que seus campos não teriam a produção anunciada na prospecção de investidores de 2008 a 2010 – de cerca de 40 mil barris por dia – e afirmou que foi enganado pelos executivos, que apresentaram relatórios de progresso nas operações a fim de que ele os pagasse bônus. Segundo ele, por ser dono de uma grande empresa ele não tinha o conhecimento técnico para analisar o que era repassado a ele nos relatórios.
Otimista, o empresário reiterou que suas empresas eram realmente "à prova de idiotas", pois conseguiu vender o controle acionário de diversas delas, mesmo em um momento de "mercado louco".
Vantagens da recuperação judicial
A vantagem da recuperação judicial é que ela faz com que todos os processos de execução contra a empresa fiquem parados pelo prazo legal de seis meses e que a mesma continue produzindo e, nesse período, tente se reerguer.
De acordo com informações da Agência Nacional de Petróleo (ANP), as operações da OGX continuam mesmo com a iminente recuperação judicial. “O pedido de recuperação judicial só culmina na resolução dos contratos quando houver inadimplemento absoluto do concessionário nos termos da cláusula”.
A queda da OGX deve levar para baixou outras empresas “irmãs” do grupo EBX. Pelo menos a A construtora de navios OSX, muito dependente das demandas geradas pelas plataformas da OGX, deve sofrer em conjunto após o pedido de recuperação judicial da petroleira.
A queda da OGX deve levar para baixou outras empresas “irmãs” do grupo EBX. Pelo menos a A construtora de navios OSX, muito dependente das demandas geradas pelas plataformas da OGX, deve sofrer em conjunto após o pedido de recuperação judicial da petroleira.